Resex Tauá-Mirim: criação de Reserva Extrativista pode afetar a economia do Maranhão
A ocupação de 16 mil hectares pode comprometer a expansão do distrito industrial e afetar investimentos estratégicos na área logística e portuária do estado
A proposta de criação da Reserva Extrativista (Resex) Tauá-Mirim, em São Luís (MA), tem intensificado o debate entre representantes da indústria, setor portuário e comunidades locais. O objetivo é proteger mais de 16 mil hectares de manguezais e áreas costeiras na Zona Rural de São Luís (MA). No entanto, o projeto pode ameaçar o principal distrito industrial do estado, a Zona Portuária e questões logísticas do Maranhão, o que pode inviabilizar investimentos futuros em uma área que possui localização estratégica em seu entorno.

A Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), o Centro das Indústrias do Estado do Maranhão (CIEMA) e as demais entidades empresariais, mostraram-se publicamente contrárias à possível criação da Resex Tauá-Mirim devido ao seu tamanho, de mais de 16 mil hectares. A preocupação é que a medida possa comprometer a expansão do principal distrito industrial do estado e afetar investimentos estratégicos na área logística e portuária do Maranhão.
De acordo com o vice-presidente da FIEMA e presidente do CIEMA, Cláudio Azevedo, as entidades empresariais formalizaram previamente em ofício conjunto encaminhado no qual manifestam oposição à criação da Resex nos moldes propostos. “Não somos contra a preservação ambiental, mas defendemos que qualquer iniciativa dessa natureza também seja vista pela ótica dos impactos econômicos. É preciso compreender como essa medida dialoga com a realidade produtiva do estado e quais serão seus efeitos sobre investimentos, empregos e infraestrutura. Somos contra por inviabilizar o Maranhão”, destacou Azevedo.
Para o vice-presidente do FIEMA, o investidor pode repensar em querer firmar sua atuação ao saber que existe uma reserva extrativista do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) ao lado do setor industrial. E quem perde com isso não são as entidades, é o Maranhão!”, concluiu Cláudio Azevedo.
O documento sustenta que a área já está submetida a um elevado nível de restrições ambientais, com a presença de diversas unidades de conservação estaduais, o que, na avaliação do setor, torna desnecessária a criação de uma nova unidade federal com regras ainda mais rigorosas.
Perfil econômico
Outro ponto destacado pelas entidades empresariais é a incompatibilidade entre o regime de uma reserva extrativista e o perfil econômico da região.
Segundo as entidades, a eventual implementação da Resex Tauá-Mirim pode comprometer a expansão industrial, afetar cadeias produtivas estratégicas e gerar insegurança jurídica para empreendimentos já instalados ou em fase de planejamento. A localização e o tamanho proposto para a reserva, com mais de 16 mil hectares, são alguns dos pontos questionados.
Para as entidades empresariais como FIEMA, CIEMA, FECOMÉRCIO, FAEM, FAEMA, AJE, FCDL e ACM, há necessidade de aprofundar o diálogo institucional e construir soluções que conciliem proteção ambiental com desenvolvimento sustentável, geração de emprego e melhoria da qualidade de vida. “Já participamos de diversas audiências públicas que cumpriram seu papel democrático, mas não conseguimos avançar na construção de consensos mínimos”, avaliou Cláudio Azevedo.
A defesa é por um modelo que considere a vocação econômica da área, respeite as comunidades e assegure previsibilidade para investimentos. Sem esse equilíbrio, avaliam as entidades empresariais, o risco é ampliar conflitos e comprometer tanto o desenvolvimento quanto a efetividade das políticas ambientais.





