Pesquisa da UFRJ cria plantas mais produtivas e resistentes

Estudo apoiado pela Faperj identifica genes que aumentam a eficiência agrícola e reduzem o uso de recursos naturais

Uma pesquisa brasileira está abrindo caminho para o desenvolvimento de plantas mais produtivas, resistentes e sustentáveis. O estudo, conduzido por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), investiga como o crescimento vegetal pode ser regulado a partir da identificação de genes-chave responsáveis pelo desenvolvimento das plantas.

Plantas cultivadas em laboratório
Pesquisadores cultivam plantas em laboratório para identificar genes que aumentam a produtividade e a resistência das culturas agrícolas (FOTOS DIVULGAÇÃO)

O objetivo dos pesquisadores é compreender quais mecanismos internos determinam o crescimento e a produtividade vegetal. A partir da identificação desses genes principais, torna-se possível ajustar o funcionamento das plantas para que cresçam de forma mais eficiente, produzam mais e utilizem menos recursos naturais.

De acordo com a pesquisadora Adriana Hemerly, do Laboratório de Biologia Molecular de Plantas da UFRJ, esses genes atuam como um “centro de comando” do organismo vegetal. “Identificamos genes que funcionam como reguladores principais. Ao modificar esse ponto central, conseguimos reorganizar toda a rede de funcionamento da planta, tornando-a mais eficiente”, explica.

Mais produtividade com menos recursos

A pesquisa envolve análises genéticas e experimentos em ambiente controlado, nos quais os cientistas avaliam o comportamento das plantas em diferentes condições, como escassez de água e interação com bactérias benéficas, que auxiliam na absorção de nutrientes.

Um dos principais avanços do estudo foi a identificação de genes presentes em diversas espécies vegetais. Essa descoberta amplia o potencial de aplicação da tecnologia em culturas agrícolas estratégicas, como milho, soja, algodão e cana-de-açúcar.

Experimentos em ambiente controlado
Experimentos em ambiente controlado avaliam o crescimento e a resistência de plantas em diferentes condições

Os resultados iniciais apontam ganhos significativos de produtividade, além de melhorias no aproveitamento da luz solar, maior eficiência no uso da água e redução da necessidade de fertilizantes químicos. “Estamos falando de plantas que conseguem produzir mais utilizando menos recursos, o que é fundamental para uma agricultura mais sustentável”, destaca Hemerly.

Impacto ambiental positivo

O impacto também se estende ao meio ambiente. Com maior eficiência na fotossíntese, essas plantas têm potencial para aumentar a captura de dióxido de carbono da atmosfera, contribuindo para a mitigação das mudanças climáticas.

Para a presidente da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Caroline Alves, o investimento em ciência é estratégico para o desenvolvimento do país. “Apoiar pesquisas como esta é investir em inovação, sustentabilidade e no fortalecimento da agricultura brasileira, com impactos positivos em escala global”, afirma.

Próximos passos

Apesar dos avanços, a tecnologia ainda está em fase de testes em casas de vegetação. Antes de chegar ao campo, será necessário passar pela avaliação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), responsável por garantir a segurança de organismos geneticamente modificados no Brasil.

A expectativa é que, após essa etapa e a adaptação pelas empresas do setor agrícola, as novas variedades possam chegar aos produtores em cerca de três anos.

O objetivo final é impulsionar uma agricultura mais eficiente, com plantas adaptadas aos desafios ambientais e capazes de aliar alta produtividade à sustentabilidade.

Welington Campos

Welington Campos é jornalista profissional. Tem formação em Licenciatura em Letras – Português e Espanhol. Exerce a função de subeditor do Jornal Atual, onde atua desde sua fundação em 2001.

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