Ação internacional mira Ternium por impactos na Zona Oeste e Itaguaí
Famílias afetadas alegam prejuízos provocados pela operação da siderúrgica e podem aderir a ação coletiva em busca de reparação
Há mais de 15 anos, moradores da Zona Oeste do Rio e de municípios vizinhos denunciam impactos atribuídos à usina siderúrgica atualmente operada pela Ternium Brasil. As reclamações tiveram início ainda durante a operação da então ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), que controlava o empreendimento antes de sua aquisição pela Ternium, em 2017. Agora, famílias de bairros como Santa Cruz, Itaguaí, Sepetiba, Paciência e Realengo buscam um novo caminho jurídico: uma ação internacional na Holanda para tentar obter a reparação que não conseguiram efetivar no Brasil.

Os relatos das comunidades afetadas descrevem um cenário crítico de saúde pública. Moradores apontam o surgimento de doenças respiratórias constantes, agravamento de condições pré-existentes e casos alarmantes de câncer. Abortos e nascimentos prematuros, que estudos indicam ser consequências diretas da poluição gerada pela empresa, também são citados.
Além da saúde, a economia tradicional da região foi severamente atingida. Trabalhadores locais, especialmente marisqueiros e agricultores, perderam suas fontes de renda devido à degradação ambiental na área de influência da siderúrgica.
“Chuva de Prata” e o descaso ambiental
Um dos eventos mais emblemáticos citados nas denúncias é a chamada “chuva de prata”, fuligem tóxica decorrente das atividades na siderúrgica, que foi registrada pela primeira vez em agosto de 2010; mais dois eventos envolvendo o fenômeno ocorreram em dezembro do mesmo ano e em outubro de 2012. Somam-se a isso relatos de água imprópria para o consumo e interrupções no abastecimento, enchentes constantes que afetam a infraestrutura local, e impactos causados pela linha férrea que passa a poucos metros das residências nas proximidades.
Após anos buscando soluções na justiça brasileira sem resultados efetivos, a ação coletiva Caso Chuva de Prata agora foca em levar o caso à esferas internacionais, com objetivo de responsabilizar a empresa em solo europeu pelos danos sociais e ambientais causados ao longo de mais de uma década e meia. Os moradores que se consideram afetados e desejam buscar reparação legal podem obter mais informações e acompanhar o andamento do caso através do portal oficial ou pelas redes sociais da iniciativa.
No site, o Caso Chuva de Prata se apresenta como uma organização que conduz “ações internacionais com base em uma estratégia jurídica comprovada, que permite responsabilizar grandes empresas em jurisdições com experiência em litígios complexos”, reunindo “equipes no Brasil e na Europa, com forte base técnica, apoio de especialistas independentes e uso de provas robustas para demonstrar os danos sofridos”.
Ainda de acordo com as informações disponibilizadas, a participação na ação é gratuita, não há custo inicial, mensalidade ou qualquer pagamento em caso de perda, sendo todos os custos financiados por um investidor externo.
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