Osun Festival Rio 2026 celebra cultura, espiritualidade e ancestralidade africana

Parque Oeste tem dia de festa, recebendo lideranças religiosas e ativistas culturais em momentos de valorização das religiões de matrizes afro

A 13ª edição do Osún Festival ganhou palco especial no domingo (12), no Parque Oeste, em Inhoaíba. Ali, diversas lideranças religiosas e ativistas culturais se reuniram num amplo culto à ancestralidade e espiritualidade afro-brasileira no estado do Rio de Janeiro. “O nosso objetivo foi o de homenagear pessoas representativas da cultura africana nos campos religioso e cultural. Gente com o propósito de perpetuar a missão da religião sempre pronta a manter erguidas a nossa voz, a nossa representatividade e as tradições de matrizes africanas”, disse aoAtual o presidente do Instituto Social N’Ibaim e dirigente do Ilê Asé N’Ibaim, Babá Olosun Brasil, Elias Garcia de Oliveira, idealizador do festival. 

Pessoas numa passeata
Presidente do Instituto Social N’Ibaim e idealizador do festival, o Babá Olosun Brasil, Elias Garcia de Oliveira liderou o ritual de cortejo das águas (FOTOS RENATO REIS)
Cantores numa passeata
O ritual no Parque Oeste foi marcado por cânticos que remeteram às conexões históricas e às tradições culturais e religiosas das nações africanas

Presença no calendário Cultural do Rio

A programação começou com um ritual de abertura, seguida de entrega de moções de reconhecimento, momento de cortejo das águas e de apresentações musicais que se estenderam ao longo do dia. O Osun Festival Rio 2026 transformou o Parque Oeste em um grande território de celebração da cultura africana. Ali reuniu espiritualidade, arte e memória ancestral em um dos encontros emblematicamente significativo do calendário cultural carioca. Foi um momento também de reafirmação dos laços entre Brasil e África, especialmente no que diz respeito às heranças iorubás presentes nas religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda.

Crianças carregando uma faixa
As crianças foram portadoras da mensagem alusiva ao termo de origem iorubá, significando força vital, energia e poder de realização

Referência em tradições iorubás

Ao longo da programação, o público vivenciou uma imersão em práticas espirituais, apresentações musicais e danças rituais. Os presentes também aproveitaram os momentos para compartilharem saberes ancestrais ligados à orixá Oxum, divindade associada às águas doces, à fertilidade, ao amor e à prosperidade, que dá nome ao festival. “Reunimos tradições sagradas, rituais religiosos e uma programação cultural como um espaço legítimo de valorização da herança africana, da diversidade religiosa e da identidade do povo negro. O festival atua como referência no fortalecimento das tradições iorubás e das religiões de matriz africana do Brasil. Desde sua primeira edição ele já reuniu milhares de participantes em torno da veneração à Òrìṣà Osun. Trata-se de divindade associada às águas doces, à fertilidade, à prosperidade, à beleza e à proteção”, disse ao Atual a Yá Janaína de Ossain, madrinha do festival.

Baba Elias Garcia recepcionando convidados
O Babá Olosun Brasil Elias Garcia recepcionou convidados como os nigerianos Ayaba Oqun Lando e Ifayemi, e o compositor Glauco Leão (de blusa branca)

Reforço à conexão com a natureza

Além do caráter religioso, o Osun Festival Rio 2026 também se destacou como um espaço de valorização da identidade negra e de resistência cultural. Ali, artistas, pesquisadores, lideranças comunitárias e religiosas utilizaram o evento como plataforma para promover debates sobre racismo, preservação cultural e o papel da ancestralidade na construção da sociedade brasileira contemporânea. A escolha do Parque Oeste como palco do festival reforçou a conexão com a natureza, um elemento central nas tradições africanas. Ali criou um ambiente simbólico que remeteu à busca por um reconexão com raízes e espiritualidade. Dessa forma, consolidou-se como um movimento de reafirmação cultural, fé e pertencimento, fortalecendo pontes entre continentes e gerações.

Homenageado, ator Alexandre Sil agradeceu ao microfone
O ator Alexandre Sil, discursando ao microfone, foi um dos homenageados no festival como personalidade representativa da cultura afro

Patrimônio Cultural do Estado

O festival teve também uma feira cultural e gastronômica, reunindo empreendedores, artesãos, chefs e produtores ligados à cultura afro-brasileira. A iniciativa ajudou a movimentar a economia local, gerando renda, fortalecendo o empreendedorismo cultural e impulsionando a economia criativa na Zona Oeste. Em 2024, o Osun Festival foi oficialmente reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Lei Estadual nº 10.294. Esse marco histórico reforça sua relevância cultural, religiosa e social. Também amplia a visibilidade do evento, fortalecendo a preservação dos saberes ancestrais que estruturam a identidade cultural fluminense.

Ao longo de suas edições, o festival consolidou-se como um espaço de diálogo entre tradição e contemporaneidade. Ele reúne comunidades tradicionais, sacerdotes, pesquisadores, artistas, movimentos sociais, autoridades públicas e o público em geral. Mais do que um evento, o Osun Festival é uma celebração viva de fé, identidade, resistência, pertencimento e valorização da ancestralidade africana no Brasil.

Renato Reis

Renato Reis é bacharel em Comunicação Social, graduado em Jornalismo pela Universidade Gama Filho e atua como editor da edição digital do Jornal Atual.

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Pessoas numa passeata
Presidente do Instituto Social N’Ibaim e idealizador do festival, o Babá Olosun Brasil, Elias Garcia de Oliveira liderou o ritual de cortejo das águas (FOTOS RENATO REIS)