Fome infantil cai quase 30% no Brasil em um ano

Dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e do IBGE indicam redução da insegurança alimentar grave entre crianças e adolescentes e ampliação do monitoramento nutricional

No Dia Nacional da Saúde e Nutrição, celebrado nesta terça-feira (31), o Brasil registrou queda na fome infantil e avanço no acompanhamento nutricional. Dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social apontam melhora nos indicadores alimentares entre crianças e adolescentes, com expansão da cobertura de serviços públicos.

Os resultados estão relacionados a um conjunto de políticas públicas voltadas à renda, alimentação e saúde (FOTO LYON SANTOS / MDS)

A insegurança alimentar grave recuou entre 2023 e 2024. Segundo o IBGE, o índice passou de 4,8% para 3,6% no período, alcançando o menor patamar da série histórica iniciada em 2004, o que indica redução no número de domicílios com acesso insuficiente a alimentos.

Indicadores nutricionais

O acompanhamento de crianças na Atenção Primária à Saúde cresceu nos últimos anos. Em 2022, 6,2 milhões de menores de cinco anos tiveram peso e altura registrados; em 2025, dados preliminares indicam 7,9 milhões. Entre 2022 e 2025, a magreza acentuada caiu de 2,8% para 1,8%, enquanto a obesidade recuou de 6,4% para 5,7%.

Um estudo de 2025 revelou trajetórias positivas entre crianças acompanhadas ao longo do tempo. Das que apresentavam baixa estatura em 2019, 77% atingiram altura adequada em 2023. No mesmo intervalo, 64% das crianças com magreza alcançaram peso compatível com a idade, assim como 57% das que tinham sobrepeso ou obesidade.

Renda e programas sociais

O número de crianças e adolescentes em insegurança alimentar grave caiu de cerca de 2,5 milhões em 2023 para 1,8 milhão em 2024, conforme a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar aplicada pelo IBGE.

Programas de transferência de renda figuram entre os fatores associados a esse resultado: o Benefício Primeira Infância prevê repasse mensal para famílias com crianças de até seis anos, com valores adicionais para aquelas com filhos entre sete e 18 anos.

Acesso à alimentação

A alimentação escolar também aparece como fator protetivo. Em 2026, os repasses do Programa Nacional de Alimentação Escolar foram reajustados; o programa atende cerca de 38 milhões de estudantes da rede pública. Dados de 2024 ilustram a diferença: entre crianças e adolescentes que frequentavam a escola, 8% estavam em insegurança alimentar moderada ou grave — ante 16% entre os que não frequentavam.

Os avanços resultam de um conjunto de políticas voltadas à renda, alimentação e saúde. Pesquisadores indicam que a continuidade dessas ações e o monitoramento dos indicadores serão determinantes para avaliar a manutenção da tendência nos próximos anos.

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José Roberto de Souza

José Roberto de Souza é estudante de Jornalismo na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e integra a equipe do Jornal Atual como estagiário.

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Os resultados estão relacionados a um conjunto de políticas públicas voltadas à renda, alimentação e saúde (FOTO LYON SANTOS / MDS)