Biossensor da UFRRJ e UFRJ acelera diagnóstico de Alzheimer e Parkinson

Tecnologia de baixo custo e impressão 3D permite identificar biomarcadores ligados à doenças neurodegenerativas

Pesquisadores da Coppe/UFRJ, em parceria com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), desenvolveram um biossensor eletroquímico inovador voltado à detecção precoce de doenças neurodegenerativas. O dispositivo é capaz de identificar biomarcadores associados às doenças de Alzheimer e Parkinson, ampliando as possibilidades de diagnóstico em estágios iniciais.

Guilherme Rocha, João Nicolini e Helen Ferraz, alguns dos pesquisadores que assinam o trabalho (FOTO DIVULGAÇÃO)

O projeto integra a tese de doutorado de Guilherme Sales da Rocha, desenvolvida no Programa de Engenharia Química da Coppe/UFRJ com apoio da Faperj. A pesquisa aposta em impressão 3D e materiais de baixo custo para criar sensores acessíveis, capazes de detectar alterações químicas no organismo antes do surgimento de sintomas mais graves.

Impressão 3D e materiais acessíveis

Os pesquisadores produziram os eletrodos do biossensor por meio de impressão 3D, utilizando uma combinação de grafite, ácido polilático e óleo de rícino. Esse conjunto forma um material condutor eficiente e barato, que pode ser fabricado rapidamente em laboratório.

A tecnologia permite que cada sensor seja produzido em poucos minutos, com custo extremamente reduzido. Essa característica torna o dispositivo uma alternativa promissora para ampliar o acesso a exames diagnósticos, especialmente em contextos com infraestrutura.

Detecção de biomarcadores

O funcionamento do biossensor se baseia na identificação de substâncias específicas associadas às doenças. No caso do Parkinson, o dispositivo mede níveis de dopamina, cuja alteração indica possíveis disfunções neurológicas.

Já para o Alzheimer, o sensor analisa a proteína clusterina, considerada um marcador importante da progressão da doença. Os testes foram realizados tanto com amostras sintéticas quanto com soro humano comercial, demonstrando a viabilidade da aplicação prática da tecnologia.

Parcerias científicas e publicação internacional

O estudo resultou em um artigo publicado na revista científica internacional Microchemical Journal, consolidando a colaboração entre diferentes instituições. Além das equipes da UFRJ e da UFRRJ, participaram pesquisadores da Universidade de São Paulo em São Carlos.

A pesquisa também envolveu a integração entre laboratórios especializados em fenômenos interfaciais e materiais nanoestruturados, reforçando a importância das redes colaborativas no avanço científico.

Perspectivas para a área biomédica

Os pesquisadores destacam que o biossensor ainda está em desenvolvimento, mas já apresenta vantagens competitivas relevantes, como portabilidade, rapidez e baixo custo. A expectativa é que a tecnologia evolua para aplicações clínicas mais amplas.

Além das doenças neurodegenerativas, a equipe pretende testar o dispositivo no diagnóstico precoce de câncer de pulmão. A iniciativa busca enfrentar um dos principais desafios da medicina atual: identificar doenças em fases iniciais, quando as chances de tratamento eficaz são significativamente maiores.

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José Roberto de Souza

José Roberto de Souza é estudante de Jornalismo na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e integra a equipe do Jornal Atual como estagiário.

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Guilherme Rocha, João Nicolini e Helen Ferraz, alguns dos pesquisadores que assinam o trabalho (FOTO DIVULGAÇÃO)