Alerj lança manual contra o idadismo e debate envelhecimento digno
Evento reuniu especialistas e autoridades para discutir políticas públicas e combater o preconceito contra a pessoa idosa
A Comissão de Assuntos da Pessoa Idosa da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) realizou, nesta quarta-feira (15), o lançamento do Pequeno Manual Anti-Idadista, produzido pelo Coletivo Velhices Cidadãs. O encontro promoveu um espaço de diálogo e reflexão sobre o combate ao idadismo e a ampliação de oportunidades para um envelhecimento digno.

Durante o evento, os participantes acompanharam uma aula magna do médico gerontólogo Alexandre Kalache, referência internacional em envelhecimento, que recebeu uma moção de aplausos. Em sua fala, Kalache destacou o aumento da expectativa de vida e a necessidade de mudança de mentalidade da sociedade. “A expectativa de vida vem aumentando, o que chamo de revolução da longevidade. Estamos envelhecendo de forma diferente das gerações anteriores. Precisamos combater todos os tipos de ‘ismos’, pois não cabem mais. O manual foi escrito por 43 autores de diversas regiões do Brasil e espero que todos saiam daqui mais empoderados e engajados nessa causa, que também é dos jovens”, afirmou.
Presidente da comissão, o deputado estadual Munir Neto (SDD) ressaltou a urgência do debate sobre o etarismo. “O idadismo é um preconceito muitas vezes silencioso, que trata a pessoa idosa como incapaz. Combater essa prática é defender a dignidade humana”, declarou.

O parlamentar também destacou a importância da publicação como ferramenta de transformação social. “O manual nos convida a rever práticas e agir. É fundamental que ele alcance diferentes espaços para promover a quebra de preconceitos. Envelhecer é um direito”, completou.
Envelhecimento, cuidado e políticas públicas
A psicóloga Danielle da Silva Freire, diretora do Centro-Dia para idosos com Alzheimer de Volta Redonda, abordou a relação entre envelhecimento, cultura e cuidado. Segundo ela, o crescimento da população idosa no Brasil exige atenção às dinâmicas sociais e econômicas. “Hoje, muitos idosos continuam trabalhando para sustentar suas famílias, enquanto outros assumem o cuidado de netos e até de outros idosos. Precisamos refletir sobre essas realidades e fortalecer políticas públicas que apoiem tanto quem envelhece quanto quem cuida”, destacou.
Danielle também chamou atenção para os impactos sociais do diagnóstico de Alzheimer. “Muitas vezes, a doença se sobrepõe à história da pessoa, retirando sua autonomia e poder de decisão. É fundamental garantir políticas públicas que promovam o empoderamento e ofereçam suporte, especialmente às mulheres, que são maioria no cuidado”, disse.
Cuidado como estratégia contra o preconceito
A historiadora e gerontóloga Christine Abdala defendeu que o combate ao idadismo passa pela construção de políticas estruturadas de cuidado. “O idadismo é estrutural e exige respostas igualmente estruturais. O cuidado deve ser pensado como um sistema integrado entre saúde, assistência social e segurança. Essa rede garante autonomia, previne agravamentos e assegura dignidade”, afirmou.
Ela concluiu ressaltando a importância de cidades mais inclusivas. “Se o Rio quiser ser uma cidade longeva e responsável, precisa construir espaços verdadeiramente inclusivos para todas as idades”, finalizou.









