Aipim de Santa Cruz busca reconhecimento como Indicação Geográfica
Projeto apresentado na UFRRJ reúne pesquisadores, produtores e instituições para preservar a tradição e fortalecer a agricultura familiar
O aipim produzido em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, está no centro de um projeto que busca estruturar uma Indicação Geográfica (IG) para o produto. A iniciativa foi apresentada durante o 1º Seminário da Indicação Geográfica do Aipim de Santa Cruz, realizado na terça-feira (6), no Instituto de Agronomia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em Seropédica.

O encontro reuniu representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Pesagro-Rio, Emater-Rio, Ministério da Agricultura e Pecuária, Sebrae-Rio, Faperj, produtores rurais, estudantes, cooperativas e representantes de órgãos públicos.
A iniciativa é conduzida pela professora e historiadora Edite Moraes, em parceria com a UFRRJ e o Instituto de Inovação e Tecnologia Sustentáveis (Inovates). O projeto pretende reunir elementos históricos, sociais, produtivos e territoriais que demonstrem a relação entre Santa Cruz e o cultivo do aipim.
Pesquisa resgata história da produção
Durante o seminário, foram apresentados resultados de um levantamento histórico e social sobre a produção de aipim na Região Metropolitana do Rio. A pesquisa reúne documentos, referências bibliográficas e entrevistas realizadas entre novembro de 2024 e fevereiro de 2026.
O trabalho busca registrar a participação dos colonos e trabalhadores da agricultura familiar do antigo Núcleo Colonial de Santa Cruz no desenvolvimento de técnicas que permitiram ampliar o cultivo da raiz e consolidar sua presença no comércio.
Segundo os responsáveis pelo projeto, a produção também está relacionada às características do território. Entre os elementos apontados está a presença de solo de turfa, rico em matéria orgânica, além de conhecimentos e técnicas desenvolvidos pelos agricultores ao longo das gerações.
A pesquisa também identificou dificuldades enfrentadas atualmente pelos produtores, como o empobrecimento da agricultura familiar e a percepção de ausência de políticas públicas suficientes para garantir a continuidade da produção.
O que é uma Indicação Geográfica?
A Indicação Geográfica é um instrumento de propriedade industrial utilizado para identificar produtos ou serviços relacionados a determinado território. Segundo o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), o registro pode reconhecer a reputação, as qualidades ou características de um produto vinculadas à sua origem geográfica.
Existem duas modalidades: Indicação de Procedência, quando uma região se tornou conhecida pela produção de determinado produto ou serviço, e Denominação de Origem, quando as características do produto estão relacionadas essencialmente aos fatores naturais e humanos do território.
A proteção pode contribuir para diferenciar produtos, preservar tradições e fortalecer atividades econômicas locais.
Projeto recebe apoio da Faperj
A proposta de estruturação da IG do Aipim Santa Cruz também está entre os projetos apoiados pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
O projeto, coordenado por Anelise Dias, da UFRRJ, tem o título “Bases estruturais da IG Aipim Santa Cruz (RJ): território e saber-fazer no fortalecimento de arranjo sócio-produtivo sob enfoque agroecológico”. A proposta foi aprovada em edital da Faperj voltado à estruturação e consolidação de Indicações Geográficas no estado.
A UFRRJ mantém o projeto “Indicação Geográfica Santa Cruz para o Aipim” entre suas atividades de extensão.
O reconhecimento ainda depende das etapas necessárias para a estruturação e eventual pedido de registro junto ao INPI. Para solicitar uma IG, é necessário, entre outros documentos, definir a área geográfica, caracterizar o produto, apresentar documentação que comprove a relação entre território e produção e estabelecer regras para o uso da indicação.
A proposta apresentada em Santa Cruz busca, portanto, não apenas proteger o nome associado ao produto, mas também contribuir para a valorização dos agricultores familiares, da história da região e de uma atividade tradicional da Zona Oeste do Rio.
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