UFRRJ inaugura Banco Vermelho e reforça campanha contra o feminicídio
Universidade adere à mobilização nacional e anuncia novas políticas institucionais para prevenção à violência de gênero
A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) inaugurou, nesta segunda-feira (9), o Banco Vermelho, símbolo internacional da luta contra o feminicídio, no hall do prédio principal do campus de Seropédica. A ação integra uma campanha nacional de conscientização e busca mobilizar a comunidade acadêmica contra a violência de gênero.

A iniciativa ocorre em parceria com o Instituto Banco Vermelho e integra a mobilização promovida pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). O banco instalado na universidade funciona como símbolo de alerta sobre a urgência do combate ao feminicídio e às agressões contra mulheres.
Símbolo urbano para provocar reflexão
O Banco Vermelho funciona como uma intervenção urbana criada para chamar atenção para a violência contra mulheres. A estrutura reproduz um banco de praça e utiliza a cor vermelha como sinal de alerta. O projeto apresenta informações educativas sobre violência de gênero e orientações sobre canais de denúncia. Cada banco traz mensagens sobre os cinco tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha. O material também divulga o canal nacional de denúncias Ligue 180, utilizado por vítimas ou testemunhas de abusos.

Segundo dados divulgados pela campanha, o Brasil enfrenta índices preocupantes de violência de gênero. As estatísticas apontam que uma mulher é assassinada em razão do sexo a cada seis horas no país. Criado em 2023 pelas fundadoras Andrea Rodrigues e Paula Limongi, o Instituto Banco Vermelho não possui vínculos partidários e atua com foco na prevenção da violência contra mulheres. A instituição promove palestras, campanhas educativas e intervenções urbanas em diferentes cidades.
Universidade anuncia novas políticas institucionais
Durante a cerimônia, o reitor da UFRRJ, Roberto Rodrigues, destacou a importância de combater a cultura do machismo desde cedo. Em entrevista ao Jornal Atual, ele foi questionado sobre as medidas práticas que serão tomadas a partir da campanha e sobre os problemas de segurança apontados por estudantes.
Roberto explicou que a iniciativa faz parte de um movimento mais amplo: “A campanha é nacional, de todas as universidades da Andifes junto com o MEC, mas nós temos a nossa também, a ‘Mulheridades’, que todo ano trabalha com temas que envolvem qualquer tipo de violência. Este ano, estamos focados na questão do feminicídio, em virtude dos diversos casos que têm aumentado significativamente em todo o país.”

Sobre os encaminhamentos práticos, o reitor foi direto: “Vamos criar uma pró-reitoria de Assistência Estudantil e Ações Afirmativas, com um departamento exclusivo para as ações afirmativas que tratam desse tema. Além disso, estamos reestruturando toda a nossa parte administrativa para que a infraestrutura da universidade consiga atender, principalmente, às questões de segurança em todos os nossos campi.” O objetivo, segundo ele, é abrir espaço no orçamento para contemplar novas tecnologias de segurança.
Questionado ainda sobre a importância de conscientizar os jovens, Roberto trouxe uma perspectiva pessoal: “Como homem e pai de duas filhas, entendo que precisamos nos posicionar veementemente contra qualquer forma de violência contra a mulher. É importante que isso seja tratado desde o momento em que nós, homens, nascemos.”
Comissão amplia políticas de prevenção
Em entrevista ao Jornal Atual, a coordenadora da Comissão da Política Institucional pela Diversidade, Gênero, Etnia/Raça e Inclusão (CPID), Meiry Valentim, explicou o que motivou a adesão da universidade à campanha: “Aderimos porque entendemos que, simbolicamente, é importante colocar as universidades nessa agenda contra o feminicídio. É claro que um banco não resolve esse problema, mas coloca a Rural nessa discussão.”

Meiry ressaltou que o banco vem acompanhado de mudanças concretas. “Ele vem acompanhado de mudanças reais: a criação de uma pró-reitoria de Ações Afirmativas, que ficará junto com os assuntos estudantis. Vamos pensar em políticas antirracistas e de enfrentamento às violências, ao assédio moral, ao assédio sexual e à LGBTfobia.” A coordenadora também destacou a criação de uma comissão permanente de prevenção à violência, recém-publicada, a partir dela serão construídas políticas efetivas para toda a comunidade acadêmica.



