Sucata sobre rodas entre Campo Grande e Itaguaí

Num transporte em colapso, ônibus com estrutura caindo põe em risco e preocupa passageiros, passando despercebido aos olhos da fiscalização

A precariedade no transporte intermunicipal na Região Metropolitana do Rio de Janeiro foi mais uma vez alvo da atenção de usuários nesta quarta-feira (11). Um ônibus da Viação Reginas, circulando na rota Campo GrandeItaguaí, identificado pelo número 110.162, circulava com parte da estrutura interna do teto parcialmente solta, ameaçando cair sobre os passageiros. O flagrante foi objeto de um registro por parte um leitor do Atual durante uma viagem na manhã de hoje.

Estrutura desprendendo do teto do ônibus
O flagrante do suporte do revestimento do teto desprendido e inclinado sobre a área onde ficam os assentos (FOTOS DO LEITOR)

Na imagem, é possível ver um suporte do revestimento do teto desprendido e inclinado sobre a área onde ficam os assentos. A situação gerou preocupação entre os usuários, que seguiram viagem sob o risco de que a peça se soltasse completamente durante o trajeto. Um dos passageiros até tentou, sem sucesso, recolocar a estrutura no lugar.

O caso chama atenção para a falta de fiscalização do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro-RJ) sobre as condições de conservação da frota que atende a população da Região Metropolitana. A autarquia estadual é responsável por regular e fiscalizar o transporte intermunicipal, incluindo a verificação das condições de segurança e manutenção dos veículos, mas, pelo visto, não é o que se vê na realidade.

Homem tentando prender estrutura no teto do ônibus
Preocupado com a segurança, um passageiro até tentou, sem sucesso, recolocar a estrutura no lugar

Casos recorrentes

Passageiros relatam que os problemas em ônibus da Viação Reginas são frequentes. A empresa acumula um histórico de reclamações envolvendo goteiras no interior dos veículos, bancos quebrados, suportes soltos e estruturas mal fixadas, que tornam as viagens desconfortáveis e, em alguns casos, potencialmente perigosas.

A recorrência desses problemas reforça as críticas à ausência de uma fiscalização mais rigorosa por parte do Detro-RJ. Para especialistas em mobilidade urbana, permitir que veículos circulem em condições precárias compromete não apenas o conforto, mas também a segurança dos passageiros. É gente que depende diariamente do transporte coletivo.

Transporte em desalinho

Enquanto isso, usuários seguem enfrentando trajetos marcados pelo improviso e pelo risco, em um sistema que deveria garantir padrões mínimos de qualidade e segurança. O episódio é mais um retrato do descaso que provoca desconforto para quem depende do transporte público intermunicipal no estado do Rio de Janeiro. Aliás, é oportuno lembrar que recentemente a passagem teve uma significativa elevação em seu valor. O Detro-RJ justificou que a medida se deve aos aumentos sucessivos no preço dos combustíveis e de outros insumos essenciais ao funcionamento do transporte.

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Renato Reis

Renato Reis é bacharel em Comunicação Social, graduado em Jornalismo pela Universidade Gama Filho e atua como editor da edição digital do Jornal Atual.

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