Audiência em Brasília debate falhas no pedágio free flow

Audiência pública reunirá autoridades e representantes do movimento contra o pedágio free flow para discutir falhas e possível anulação de multas

A Comissão de Transportes em Brasília realizou, nesta quarta (04), uma reunião extraordinária para discutir os problemas operacionais e as irregularidades do sistema de pedágio free flow. O encontro, que contou com a participação do deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ), resultou na convocação de uma audiência pública agendada para o dia 24 de março, em Brasília, onde serão apresentadas novas provas sobre as falhas do sistema.

Audiência pública em Brasília debaterá falhas do pedágio free flow.
Pedágio free flow tem gerado reclamações entre os motoristas da região (FOTO: REPRODUÇÃO/SITE CCR).

O aumento das críticas e a exposição de erros técnicos parecem ter gerado uma reação na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Segundo informações divulgadas, a agência teria sinalizado a intenção de cancelar cerca de 3 milhões de multas geradas pelo modelo de cobrança eletrônica. No entanto, lideranças que acompanham o caso mantêm cautela, afirmando que a medida só terá validade reconhecida após a devida publicação no Diário Oficial.

Caso a medida seja aprovada, moradores de Itaguaí e Mangaratiba podem ser diretamente beneficiados. Ambos os municípios contam, respectivamente, com pontos de pedágio free flow na altura dos quilômetros 414 e 447 da rodovia Rio-Santos; a cidade de Seropédica também seria contemplada, já que possui pedágio free-flow na BR 116 (Presidente Dutra). Ambas as rodovias são operadas pela CCR Rio-SP.

A mobilização política e social promete continuar de forma intensiva até que todas as penalidades indevidas sejam anuladas. Em vídeo postado numa rede social, Raphael Cendon, taxista de Mangaratiba e representante do movimento contra o pedágio em Itaguaí, afirmou que estará presente na audiência prevista para o final do mês, junto ao deputado Hugo Leal. Espera-se que o debate avance para soluções definitivas que corrijam as falhas crônicas do pedágio free flow, protegendo os direitos dos motoristas.

Entendendo o pedágio free flow

O sistema de pedágio free flow, também chamado de pedágio eletrônico sem cancela, funciona por meio de pórticos instalados sobre a rodovia, equipados com câmeras e sensores que identificam automaticamente a placa dos veículos ou o dispositivo de pagamento automático instalado no para-brisa. Diferentemente do pedágio tradicional, não há necessidade de parar em cabines para efetuar o pagamento. A cobrança é registrada digitalmente e pode ser quitada posteriormente pelo motorista, geralmente por meio de aplicativos, sites da concessionária ou dispositivos automáticos de pagamento.

Caso o pagamento não seja realizado dentro do prazo estipulado, o sistema pode gerar multa por evasão de pedágio, além da cobrança da tarifa. O modelo vem sendo adotado em algumas rodovias federais brasileiras como forma de reduzir filas e melhorar o fluxo de veículos. No entanto, motoristas e entidades de defesa do consumidor têm apontado problemas como falhas na identificação das placas, dificuldade de acesso aos sistemas de pagamento e geração de multas consideradas indevidas.

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