Março Lilás alerta para câncer e saúde feminina
Campanha reforça prevenção do HPV enquanto especialistas discutem aumento de diagnósticos como SOP, endometriose e TPM intensa
O número de mulheres diagnosticadas com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), endometriose e TPM intensa tem chamado atenção de especialistas. O tema ganha destaque em março, mês da campanha Março Lilás, dedicada à saúde feminina e à prevenção do câncer do colo do útero.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer do colo do útero é o terceiro tumor mais frequente entre mulheres no Brasil, com cerca de 17 mil novos casos por ano. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a SOP atinja entre 6% e 13% das mulheres em idade reprodutiva, enquanto a endometriose afeta cerca de 10% das mulheres e meninas no mundo.
HPV é principal causa do câncer do colo do útero
O câncer do colo do útero se desenvolve na parte inferior do útero, chamada colo. A doença costuma evoluir lentamente, o que permite identificar alterações celulares antes da formação do tumor. A principal causa é a infecção persistente pelo HPV (Papilomavírus Humano), transmitido principalmente por contato sexual.
Grande parte das pessoas entra em contato com o vírus ao longo da vida. Em muitos casos, o próprio organismo elimina a infecção. Quando o vírus permanece no corpo por anos, ele pode provocar lesões que evoluem para câncer. Especialistas também apontam que o tabagismo aumenta o risco, pois o cigarro favorece a persistência do HPV no organismo.
Influencia da alimentação e do estilo de vida
Enquanto campanhas reforçam a prevenção do câncer, especialistas também discutem fatores que impactam a saúde hormonal feminina. A nutricionista Dra. Jaqueline Silva afirma que o padrão alimentar atual favorece inflamação crônica no organismo. O consumo frequente de ultraprocessados, açúcar e gorduras trans pode contribuir para esse processo.
Esse ambiente inflamatório interfere na resistência à insulina, mecanismo associado à Síndrome dos Ovários Policísticos. Quando a insulina permanece elevada, os ovários aumentam a produção de andrógenos, o que pode causar irregularidade menstrual, acne, queda de cabelo e dificuldade para engravidar.
“A insulina é um dos hormônios mais impactados pela alimentação. O excesso de açúcar e a baixa ingestão de fibras e proteínas provocam picos glicêmicos e desregulam o eixo hormonal”, explica a especialista.
Intestino, sono e estresse também interferem
Pesquisas recentes apontam o papel do intestino na regulação hormonal. O chamado estroboloma, conjunto de bactérias intestinais responsável pela metabolização do estrogênio, influencia o equilíbrio hormonal. Alterações na microbiota podem aumentar a recirculação desse hormônio, intensificando sintomas como cólicas, inchaço e alterações de humor.
Além da alimentação, fatores como privação de sono, estresse e sedentarismo elevam os níveis de cortisol, hormônio ligado ao estresse. Esse processo pode afetar o eixo hipotálamo-hipófise-ovário, responsável pela regulação do ciclo menstrual.
Formas de prevenção
A prevenção do câncer do colo do útero ocorre principalmente por meio da vacinação contra o HPV e da realização do exame preventivo (Papanicolau). O exame identifica alterações nas células do colo do útero antes da evolução para câncer. Profissionais coletam uma pequena amostra da região e enviam o material para análise laboratorial.
A recomendação é que mulheres entre 25 e 64 anos que já tiveram atividade sexual realizem o exame regularmente. Como a evolução da doença costuma ser lenta, o intervalo pode ser de até três anos quando os resultados anteriores são normais.
A vacina contra o HPV está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de 9 a 14 anos, faixa etária que apresenta maior resposta imunológica. Especialistas reforçam que a vacina protege contra os principais tipos de HPV associados ao câncer, mas não substitui o exame preventivo nem o uso de preservativo nas relações sexuais.
Busca por diagnóstico
O aumento de diagnósticos também reflete maior conscientização das mulheres sobre sintomas antes normalizados. No mês dedicado à saúde feminina, profissionais reforçam que prevenção, acompanhamento médico e hábitos de vida equilibrados formam a base do cuidado com o corpo.
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