“Fora Rubão!”: protesto anônimo ocupa rodovia em Itaguaí

Protestos expõem insatisfação com a gestão municipal e cobram desfecho do caso no STF que pode definir o futuro político de Rubem Vieira

Diversas faixas com a frase “Fora Rubão!” foram colocadas em pontos da Rodovia Rio-Santos (BR-101), chamando atenção de motoristas e pedestres logo nas primeiras horas desta terça-feira (21). O protesto, feito de forma anônima, expressa a indignação crescente de moradores contra o prefeito Rubem Vieira (PP) e sua permanência no cargo.

Faixa com os dizeres “Chega! Itaguaí pede socorro! Fora Rubão! Itaguaí não aguenta mais!” foi colocada em um viaduto da Rodovia Rio-Santos (FOTO: REPRODUÇÃO REDES SOCIAIS)

As faixas surgiram em viadutos da estrada, gerando ampla repercussão nas redes sociais. Moradores compartilharam fotos, vídeos e mensagens de revolta, criticando a atual gestão e cobrando respostas do Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramita o processo que pode impactar diretamente a situação política do prefeito.

Caso Rubão e o julgamento do RE 1355228 no STF

O centro das discussões jurídicas que afetam Itaguaí está ligado ao Recurso Extraordinário (RE) 1355228, em tramitação no STF sob relatoria do ministro Nunes Marques. O processo — com repercussão geral reconhecida (Tema 1.229) — discute se a substituição do chefe do Poder Executivo por um breve período, em razão de decisão judicial, pode ser considerada causa legítima de inelegibilidade para um mandato consecutivo.

O caso teve origem na Paraíba, com o ex-prefeito Allan Seixas de Sousa, de Cachoeira dos Índios. Ele foi eleito em 2016 e reeleito em 2020, mas teve o registro da segunda candidatura indeferido porque havia ocupado o cargo por oito dias (de 31 de agosto a 8 de setembro de 2016), menos de seis meses antes da eleição. Para o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), essa situação configuraria um “terceiro mandato consecutivo”, o que é proibido pela Constituição.

O julgamento, no entanto, tem sido sucessivamente adiado no STF, gerando frustração e incerteza jurídica em casos semelhantes pelo país — incluindo o de Itaguaí. A indefinição mantém um cenário de instabilidade política, já que a decisão da Suprema Corte pode estabelecer um precedente capaz de alterar a interpretação sobre a continuidade de mandatos em situações de substituição temporária. 

Indignação dos moradores

Nas redes sociais, o protesto rapidamente ganhou força. Moradores manifestaram revolta com a gestão e com o impasse judicial que se arrasta desde janeiro deste ano. As mensagens revelam um sentimento coletivo de abandono e descrença. “Uma cidade que tem tudo para ser próspera, tem todos os requisitos para avançar em tecnologia e mercado, mas estamos largados”, escreveu um internauta.

“Esperaram a cidade chegar ao caos para a população acordar”, publicou outra moradora. Entre as críticas, muitos apontam o próprio eleitorado como corresponsável pela crise política: “Quando vocês tomarem vergonha na cara e pararem de vender voto, um pouco dessa bagunça acaba. Política só tem sujeira”, comentou um morador.

Outros demonstraram cansaço com a falta de avanços: “A cidade está sendo ceifada. Fora Rubão.” e “Se o povo soubesse a força que tem, não se lamentava assim. A sensação é que Itaguaí está respirando à base de aparelhos pela covardia de um homem insano.”

O impasse jurídico e o crescente descontentamento popular mostram que o clima político em Itaguaí está cada vez mais tenso. Enquanto o Supremo não julga o RE 1355228, a cidade segue à espera de definições e o nome de Rubem Vieira continua no centro da crise. O próximo julgamento do STF está agendado para esta quarta-feira (22). 

Leia mais: Câmara de Itaguaí pede anulação de decreto sobre diretores escolares

Redação

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