ENTREVISTA: Tadashi Tani, presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropastoril de Itaguaí (Aciapi)
RENATO REIS
Presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropastoril de Itaguaí, o empresário Tadashi Tani é chegado a uma boa conversa, e como dirigente da entidade tem utilizado essa característica pessoal para buscar o necessário diálogo para a superação desses momentos difíceis e inesperados de uma severa epidemia, que vem ceifando vidas mundo afora. “É imprescindível que haja um diálogo entre os gestores municipais, Associação Comercial Empresarial e demais instituições”, sustenta ele, nessa entrevista concedida ao Atual. À frente da Aciapi quando a entidade completa 44 anos, efeméride registrada em 8 de junho, Tadashi Tani falou sobre a data. “Não há dúvidas de que a Aciapi, ao longo dos seus 44 anos de existência, tem se consolidado como uma importante instituição na defesa dos direitos dos empresários e seus colaboradores”, acentuou durante a conversa que segue:
ATUAL – A Aciapi acaba de completar 44 anos. Há motivos para comemorar em meio a essa pandemia?
Tadashi Tani – Não há dúvidas de que a Aciapi, ao longo dos seus 44 anos de existência, tem se consolidado como uma importante instituição na defesa dos direitos dos empresários e seus colaboradores, e isso deve, sim, ser comemorado. Contudo, a etimologia da palavra comemorar vem do latim commemorare, que significa trazer à memória, fazer recordar, lembrar, isso é, valorizar a nossa história, apesar de estarmos enfrentando um momento de grande superação, tanto para a instituição, quanto para os associados e todos os cidadãos.
Qual é desafio mais crucial para a entidade nesse momento?
O maior desafio da Aciapi hoje é a reabertura gradual do comércio e demais atividades socioeconômicas de forma segura com a aplicação do protocolo de segurança contra a covid-19 e a manutenção do emprego.
Qual a tônica desse protocolo de segurança?
Não se trata apenas de quando reabrir, mas, principalmente, de como reabrir gradualmente todas as atividades. O protocolo de reabertura é peça fundamental para a preservação da vida.
A Aciapi vem travando uma dura batalha pela reabertura do comércio. O que se conseguiu até agora já é o desejável?
Nem de perto. Muitos são os empresários, empreendedores e autônomos que estão sofrendo com seus estabelecimentos fechados e sem condições financeiras de cumprir com seus compromissos com a família, fornecedores, aluguéis e tributos, e, muitas vezes, sendo obrigados a demitir funcionários, aumentando assim o desemprego.
Qual a extensão dessas consequências?
Toda uma cadeia produtiva ficou comprometida, pois muitos cidadãos já perderam o seu sustento, desde o locador do imóvel, passando por empresários, colaboradores e até mesmo os seus contadores.
Como é possível contorná-las?
Entendemos que o momento pede uma importante atitude de distanciamento social, mas é importante também ressaltar que muitos são os trabalhadores que precisam retomar suas atividades, pois não têm mais como prover suas necessidades básicas.
Que argumentos sustentam a defesa da retomada gradual das atividades?
Sabemos que somente uma pequena parcela da população possui rendimentos fixos, como pensão, aposentadoria ou reservas financeiras, porém a grande maioria não tem como se manter se não sair de casa para ir em busca do trabalho e estas pessoas não podem ser criticadas por isso, pelo contrário, devem ter total apoio e condições de trabalho para manter sua dignidade, mas zelando sempre pelas as normas de segurança descritas no Protocolo de Prevenção à Covid 19.
Como encontrar as soluções para superar esses momentos?
É imprescindível que haja um diálogo entre os gestores municipais, Associação Comercial Empresarial e demais instituições e que cada vez mais as empresas e os cidadãos de uma forma geral se conscientizem nos cuidados com a saúde, obedecendo às normas de higiene e distanciamento dentro ou fora dos estabelecimentos empresariais, para que não aconteça um aumento no contágio.
O diálogo é a solução, então?
Somente com a colaboração de todos poderemos retomar todas as atividades sem colocar vidas em risco.