Charlinho e Abeilardinho: nepotismo pode levar à cassação?
Numa sessão longa, de quase quatro horas de duração, sendo que de leitura do relatório prévio apresentado pelo relator vereador Gil Torres ultrapassou duas horas, a Câmara Municipal de Vereadores de Itaguaí decidiu, por 11 votos a 6, a dar continuidade nas investigações de acusação de nepotismo na Prefeitura praticados, segundo denúncia, pelo prefeito Carlo Busatto Junior, o Charlinho, e seu vice Abeilard Goulart de Souza Filho, o Abeilardinho (ambos do PMDB).
A decisão se deu em sessão extraordinária na sexta,3, realizada no Plenário da Câmara, que discutiu o relatório prévio da Comissão Especial Processante (CEP) número 4 – esta foi a quarta que se iniciou no ano de 2019 contra Charlinho – que apura denúncia de crime de nepotismo praticados, supostamente, pelo prefeito e vice-prefeito de Itaguaí.
O relatório está apensado a um processo de 420 páginas, onde apresenta como motivação da denúncia 64 funcionários do Executivo que estão interligados com grau de parentesco com o Charlinho e Abeilardinho, secretários e subsecretários e diferentes servidores municipais e, até mesmo, com os vereadores Reinaldo do Frigorífico, Haroldinho Jesus e Fabinho Rocha. A soma mensal do salário desses funcionários está estimada pelo relator em R$ 518.989,56. Por ano, são R$ 6.227.874,72.
A sessão foi marcada por um fato histórico na Câmara: quatro suplentes foram convocados para assumir funções de vereadores. São parlamentares que estavam impedidos seja por estarem envolvidos na denúncia, como foi o caso de Reinaldo e Haroldinho, e, no caso de Waldemar Ávila, por ser cunhado de Abeilardinho e do presidente da Casa, Rubem Vieira, que naturalmente se favoreceria com a confirmação da cassação dos mandatos do prefeito e o seu vice em decorrência do cargo que, segundo a Constituição, esta previsto que assumiria o Executivo nessa condição – o vereador Fabinho Rocha também foi citado como beneficiário do esquema, mas está licenciado da função por estar ocupando o cargo de secretário municipal -. Assumiram o mandato especialmente para a sessão os suplentes Ronei Reis, Juninho Assis, Jocimar do Cartório e o veterano Valtinho Almeida.
Com a decisão, as investigações continuam e entra na fase de levantamento de documentos e de oitiva de testemunhas, o que pode levar 45 dias, até a votação final que decidirá sobre o futuro político de Charlinho e Abeilardinho. Votaram a favor do prosseguimento da denúncia os vereadores André Amorim (PR), Gil Torres (PODEMOS), Genildo Gandra (PDT), Noel Pedrosa (AVANTE), Vinícius Alves (PRB), Willian Cezar (PSB), Ivan Charles (PSB), Ronei Reis (PR), Juninho Assis (PSDB), Jocimar do Cartório (PHS) e Valtinho Almeida (PTN). Do outro lado, manifestaram-se contrários ao prosseguimento da investigação os vereadores Carlos Kifer (PP), Juninho do Sítio (PV), Minoro Fukamati (PSD), Nisan Cesar (PSD), Roberto Lúcio Espolador Guimarães (PMDB) e Sandro da Hermínio (AVANTE).
ORIGEM DA DENÚNCIA
A Câmara de Itaguaí aprovou o recebimento da denúncia contra o prefeito o Charlinho e o vice Abeilardinho, no dia 5 de dezembro, por seis votos favoráveis e cinco contrários. A decisão deu origem à abertura da quarta Comissão Especial Processante (CEP) contra o prefeito em 2019. O pedido de abertura de CEP foi protocolado no dia 26 de novembro pela servidora municipal Hellen Oliveira Senna, que é dirigente do Movimento Unificado dos Servidores de Itaguaí e do Sindicato Municipal dos Servidores da Saúde, com base em reportagem noticiada pela TV Globo.