Uerj propõe cesta básica mais saudável para a população brasileira

A má alimentação está entre os principais fatores de risco para mortalidade por todas as causas, com variação substancial entre os países. Esse foi o ponto de partida para o estudo do professor Eliseu Verly Júnior, do Núcleo de Epidemiologia e Biologia da Nutrição (Nebin) do Instituto de Medicina Social Hesio Cordeiro da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O objetivo do projeto Cesta Básica de Alimentos Brasileira é propor um monitoramento do custo de uma cesta básica saudável para a população brasileira.

“Além de prever os impactos na saúde e no meio ambiente de mudanças na alimentação, é importante considerar a acessibilidade de dietas alternativas, especialmente para grupos de baixa renda. A dimensão econômica é particularmente importante em países de baixa e média renda, onde uma alta porcentagem da renda total é destinada à compra de alimentos”, destaca o professor.

REFERÊNCIAS

O trabalho representa um avanço no estabelecimento de referências quantitativas e qualitativas de alimentos para os brasileiros. A atual cesta de alimentos oficial do país é dos anos de 1930, estabelecida por ocasião da implementação do salário mínimo para o país. Nesta época, pouco se sabia sobre as necessidades e recomendações nutricionais para uma alimentação saudável, portanto, este não foi um aspecto incorporado na definição da cesta.

Além disso, a enorme heterogeneidade cultural e social da população brasileira requer que instrumentos, seja para avaliação, seja para formulação de políticas públicas, devam considerar as particularidades de cada região, onde os hábitos alimentares e o acesso aos alimentos variam consideravelmente.

No Brasil, segundo o estudo Global Burden of Disease, 10,6% da mortalidade total em 2019 é atribuída à dieta, o que corresponde a aproximadamente 150 mil mortes. Juntamente com os impactos na saúde, muita atenção tem sido dada aos impactos ambientais das dietas. Estima-se que 46% e 26% do total de emissões de gases de efeito estufa no Brasil em 2020 foram devidos a mudanças do solo e à agricultura, respectivamente. A pecuária representa aproximadamente 70% das emissões agrícolas do país.

O estudo do professor Eliseu utiliza modelos de otimização de dados, visando elaborar cestas de alimentos para diferentes estratos da população, ao menor custo possível. Para tanto, foram consideradas restrições, tais como as quantidades mínimas a máximas para cada alimento que compõe a cesta, obtidas da variação de seu consumo em cada região do país, e as quantidades mínimas de nutrientes e grupos de alimentos necessários para manutenção da saúde e prevenção de doenças.

Logo, além de considerar o preço de cada alimento praticado em cada estrato, as quantidades de cada alimento deveriam ser as mais próximas possíveis àquelas observadas no estrato. Assim, a cesta observa aspectos socioculturais da alimentação. Considerando a variação nos hábitos alimentares, foram definidas cestas para cada região do país. As quantidades de cada alimento referem-se aos seus pesos. Os valores da cesta são referentes a um adulto para o período de um mês. 

SEGURANÇA ALIMENTAR                                                     

O termo “cesta básica” é utilizado uma vez que as restrições são alcançadas considerando, em sua maioria, alimentos in natura e minimamente processados. A maioria dos produtos ultraprocessados não foi considerada, dado que não trazem contribuição nutricional para as cestas, bem como preparações culinárias mais sofisticadas.

“Esta cesta pode ser utilizada para monitoramento da segurança alimentar e nutricional no país, nas regiões, e nos estratos renda. Também pode fornecer subsídios importantes para políticas de acesso e promoção da alimentação saudável na população”, explica o professor.

PARCERIAS O projeto foi feito em parceria com pesquisadores da USP e da UNESP, e os resultados podem ser encontrados no site http://cestabasica.nebin.com.br/. Os valores são corrigidos mês a mês pela inflação e estimados para o Brasil, regiões e faixas de renda. Um desdobramento deste projeto, em colaboração com o Department of Environmental Health Sciences da Universidade de Michigan (EUA), estimou o número de mortes evitadas e a redução no uso de recursos e emissões ambientais com a adoção, ainda que parcial, dos itens da cesta saudável. Os resultados foram submetidos para publicação em periódico internacional e serão divulgados oportunamente.

Redação

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