Policiais rodoviários federais viram réus pela morte da menina Heloísa

Os três agentes da Polícia Rodoviária Federal envolvidos na morte da menina Heloísa em setembro, no Arco Metropolitano, altura de Seropédica, se tornaram réus. O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro informou que a denúncia que enviou em novembro foi recebida pela Justiça Federal do Rio nesta semana.

Segundo o MPF/RJ, Fabiano Menacho Ferreira, Matheus Domicioli Soares Viégas Pinheiro e Wesley Santos da Silva vão responder por prática de homicídio consumado e quatro tentativas de homicídio, além do crime de fraude processual.

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Ainda de acordo com o MPF/RJ, estão mantidas as medidas cautelares já impostas aos réus. São elas: uso de tornozeleira eletrônica e proibição de se aproximarem das vítimas.  A expectativa do órgão é que o trio vá a Júri Popular Federal já no primeiro semestre de 2024.

Para pedir a prisão dos três – e não só de Menacho, que admitiu ser o autor dos disparos – o MPF alega que a lei não prevê a necessidade de “que todos tenham praticado o ato, basta ficar comprovada a confluência de vontades”. O órgão destaca que “conforme apurado na investigação, em nenhum momento houve discordância entre os acusados quanto a essa decisão” de atirar.

Somadas as penas máximas, cada denunciado pode pegar 58 anos de prisão. O MPF também pede que os três sejam obrigados a pagar indenização de R$ 1,3 milhão à família.

O CRIME

Heloísa dos Santos Silva morreu em 16 de setembro, após nove dias internada no Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias. A perícia apontou a causa da morte como lesão transfixante de encéfalo por projétil de arma de fogo.

Em 7 de setembro, ela voltava com os pais, a irmã e uma tia do município de Itaguaí, onde haviam visitado parentes, quando uma viatura da PRF se aproximou do carro da família na altura de Seropédica. Em certo momento, Fabiano Menacho Ferreira efetuou três tiros com um fuzil calibre 5.56 e acabou acertando a garota na cabeça, de acordo com laudo médico. Em depoimento, o policial admitiu na 48ª DP (Seropédica) ser autor dos disparos.   

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No relato, ele também afirmou que atirou por ter ouvido um barulho de tiro durante a perseguição – o MPF, porém, descartou a possibilidade e frisou que “a única reação da família foi a tentativa do pai de parar no acostamento”.

Outra alegação de Menacho foi que a guarnição passou a seguir o veículo da família por ter identificado que se tratava de um produto de roubo. O MPF, porém, rebate tal versão.

O órgão ressalta que nos registros do Departamento Nacional de Trânsito (Detran) “não havia nenhuma restrição ao veículo” e que “o carro foi comprado pelo valor de mercado, e tanto o pai de Heloísa quanto o vendedor afirmaram desconhecer o registro de roubo”.

A PRF informou que não se pronunciará sobre o caso.

Luiz Maurício Monteiro

Repórter com mais de 15 anos de trajetória e passagens por diferentes editorias, como Cidade, Cultura e Esportes.

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