O professor Jorge, morador de Itaguaí, começou a lecionar matemática nas redes em 2018 e já soma cerca de 750 mil seguidores (Arquivo pessoal)
Dicas de maquiagem, análise política, recomendações sobre investimentos, sugestões de turismo ou simplesmente conversa fiada. Enfim, no mundo dos digital influencers – ou influenciadores digitais – há de tudo um pouco. Inclusive quem ensine aquela disciplina que costuma tirar o sono de muita gente: a matemática.
É o caso do professor Jorge Abreu, morador de Itaguaí. Aos 35 anos, ele leciona há cinco, tanto em sala de aula, quanto em redes sociais, onde se apresenta como @profjorgeabreu e soma cerca de 750 mil seguidores – YouTube (8 mil), Kwai (270 mil), Instagram (157 mil), Facebook (32 mil) e Tik Tok (278 mil).
Formado em matemática pela FEUC (Fundação Educacional Unificada Campograndense), ele enfatiza que na Web procura substituir o tom mais sóbrio de professor de sala de aula por uma abordagem mais descontraída – confira o vídeo abaixo. A ideia, além de se aproximar da linguagem característica das redes, é somar os mais diferentes perfis de seguidores.
E nessa conta, entram até aqueles que, ao menos uma vez na vida, já declararam ódio à matéria: “Posto vídeos para todos. Todos os perfis de seguidores, incluindo os que odeiam matemática”, garante Jorge, que é de Magalhães Bastos, Zona Oeste do Rio de Janeiro, mas mora em Itaguaí desde 2016, quando se casou com a esposa Taynara.
PÚBLICO-ALVO
Na equação do professor, ter diferentes tipos de seguidores é igual a ajudá-los a alcançar objetivos distintos. Por exemplo, muitos que assistem seus vídeos estão de olho em concursos públicos. Não à toa, segundo Jorge, a faixa etária que mais acompanha suas redes está entre 25 e 40 anos.
Mas em vez de um conteúdo extenuante, já que a concorrência neste tipo de prova é árdua, ele opta por outra estratégia: “Gravo os vídeos para quem quer estudar como se estivesse em uma sala de aula, mas por meio de entretenimento, curiosidades, macetes. Coisas que fazem a matemática parecer mais simples”, observa Jorge, que no Cesap (Centro Educacional Santo Antônio de Pádua), em Bangu, leciona para jovens do 6º ao 9º do Ensino Fundamental, entre 11 e 17 anos.
Inversamente proporcional no quesito faixa etária, há a turma que já está na casa dos 70, 80 anos. Os objetivos, claro, são outros, mas ele assegura que os “alunos” da melhor idade também aproveitam o conteúdo:
“Muitos mandam mensagem dizendo que meus vídeos fazem bem, que são bons para exercitar a mente”
Jorge Abreu, professor de matemática
PRESENTES
Além de mensagens, Jorge – que grava e produz os vídeos sozinho em casa e faz publicações diárias – ressalta que também já recebeu presentes de quem o acompanha na Internet. Alguns, aliás, de muita serventia, já que a empreitada digital começou com uma estrutura bem inferior em comparação à de hoje: “Um rapaz de Itaguaí me deu um microfone, para melhorar a qualidade do meu áudio. Comprou e mandou para o meu endereço. Foi o primeiro presente que ganhei de um incentivador”.
Desde então, outros agrados – como webcam e luminária – chegaram para agregar valor ao seu trabalho. Um deles, a propósito, veio da China, por meio de uma empresa com quem ele fez uma parceria de permuta, algo comum entre os influenciadores: “Me enviaram uma mesa digitalizadora, uma espécie de tablet, de R$ 4 mil. Tudo o que escrevo nela sai na tela do computador, do celular”, explica o professor, que em troca, fez algumas menções à empresa em seus vídeos.
ADVERSIDADES
Mas nem só de mimos e elogios se faz a trajetória de Jorge. Ele conta que a ideia de ensinar matemática de uma forma descontraída na Internet nasceu da soma de duas paixões: a matemática e o teatro.
O professor recorda que chegou a fazer artes cênicas por cinco anos na juventude, mas, por falta de incentivo, precisou descer dos palcos para trabalhar: “Fui caixa de supermercado e de hortifruti, entregador…”, enumera.
Já em 2011, Jorge começou a faculdade – ironicamente, cursou um período de Direito antes de descobrir a paixão pelas ciências exatas. Entretanto, precisou trancar a faculdade porque a conta não fechava. Ou seja, faltava dinheiro para as mensalidades.
Por dois anos, trabalhou em uma operadora de telefonia. Com o salário, conseguiu retomar os estudos, mas logo em seguida, rememora, acabou demitido: “Tinha horário para entrar, mas não para sair. Pela distância, não conseguia ficar todo o tempo que eles queriam porque tinha que estudar. Então, fazia meu trabalho e ia embora. Isso incomodou o pessoal, que me dispensou”.
Assim, ele recorreu ao Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior) e conseguiu concluir o Ensino Superior. Mas logo depois, já com a jornada de influenciador em curso, precisou resolver outro problema: pessoas que insistiam em subtrair de suas expectativas em vez de multiplicar.
Jorge relembra que comentários desanimadores partiam de conhecidos e até de familiares, mas garante que nunca se abalou:
“Ignorava e ignoro até hoje. Fui chamado até de palhaço. Mas nunca deixei de acreditar no meu crescimento”
Jorge Abreu, professor de matemática
MONETIZAÇÃO
A tática de não dar ouvidos a quem o desmotivava levou Jorge aos cerca de 750 mil seguidores e, consequentemente, à monetização. Mas ele garante que, ao contrário de outros influenciadores, a rentabilidade ainda não é digna de uma nota 10.
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Apesar do alcance, o porto seguro de todo mês ainda está no salário como professor: “Monetizo em todas as redes sociais que tenho perfil, mas não conto com esse dinheiro. Nem todo mês consigo bater a meta mínima. Época de férias, por exemplo”, sublinha Jorge, que também participa do Brasil na Escola, projeto do Governo Federal para aula de reforço de matemática em Chaperó.
Ainda sobre a dificuldade em monetizar com regularidade, o professor acredita que o foco do seu trabalho pode ser uma explicação:
“Perfil educacional é mais difícil de viralizar sempre. Vídeo de dança é diferente. Então a monetização para mim é só um complemento. Se fosse algo garantido, seria melhor”
Jorge Abreu, professor de matemática
PERSEVERANÇA
Agora, se depois de ler essa matéria, você – que vê a matemática como algo impossível (assim como o repórter que vos escreve) – sentiu aquela vontade de aprender, saiba que seu caso não está perdido. Afinal, como afirmou o professor no início, o conteúdo é para todos.
Até porque, reforça ele, o fio condutor dos vídeos, muitas vezes, é exatamente facilitar a vida de quem (ainda) não aprendeu: “Posto muitos problemas fáceis, e os seguidores que já sabem reclamam. E eu digo que coloquei para quem não sabe, porque o que nos faz gostar de matemática é começarmos a entender”, salienta Jorge, deixando um último recado: “Você não odeia matemática. Só não aprendeu ainda.”
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