Debate na Uerj contou com a presença de várias entidades e discutiu problemas da Baía de Sepetiba (Divulgação Fiperj)
Os últimos anos têm sido de crescentes dificuldades para os pescadores da Baía de Sepetiba, que abrange também a região de Itaguaí e Mangaratiba. Os obstáculos aumentam junto com a ampla ocupação da região por vários empreendimentos, que trazem o suposto progresso, mas também novos desafios para aqueles que tiram seu sustento do mar de maneira sustentável e para o próprio meio ambiente. Por conta disso, na segunda-feira (2), a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) sediou o debate, cujo tema foi: “Por uma avaliação global socioambiental de processos cumulativos de ocupação urbano-industrial e governança territorial na Baía de Sepetiba”.
Participaram do evento a professora Catia Antonia da Silva, coordenadora do Observatório Socioambiental da Baía de Sepetiba do Núcleo de Pesquisa e Extensão: Urbano, território e Mudanças Contemporâneas da Uerj; a dra. Mirtha Dandara Baltar, representante da Comissão de Direito Ambiental da sessão da OAB de Campo Grande, no Rio, Ricardo Ganem, presidente da Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Fiperj, o promotor federal Sergio Suiama, do MPF, além de representantes de várias associações pesqueiras como Sergio Hiroshi, presidente do conselho fiscal da Associação de Pescadores da Ilha da Madeira (Aplim).
ENCAMINHAMENTOS
Para Hiroshi, o evento foi uma ótima oportunidade para esclarecer o papel do Observatório da Baía e mostrou o objetivo de proteger os manguezais, os rios que deságuam na baía e o solo marinho. “Tivemos falas de professores, do MPF, da Fiperj e de pescadores. Foram feitos encaminhamentos ao MPF, como o de trazer o Projeto Pesca Legal para Itaguaí. Estamos em busca de ter, dentro da baia, áreas protegidas para podermos pescar com dignidade.
O representante da Aplim ainda disse que o debate discutiu os problemas que acontecem na Baía de Sepetiba por conta do descaso de órgãos ambientais: “A Baia de Sepetiba está sendo usada como zona de sacrifício. Os órgãos ambientais conseguem liberar as instalações das empresas mesmo sem saber o quanto de poluição já temos com as que estão instaladas. Poluição pelo ar , terra e mar. Para as termoelétricas, dividiram o projeto em dois para que ficasse mais fácil a aprovação. E não é só esse projeto. Tem também a Rota Quatro do gasoduto que vai se instalar e não contemplaram com contrapartidas os pescadores da Baia de Sepetiba e da Ilha Grande, mas contemplaram a Baia da Guanabara e Santos”, lamenta Iroshi.
FIPERJ
Durante o evento, o presidente da Fiperj, Ricardo Ganem, lembrou que recentemente esteve em Itaguaí, junto de representantes do setor pesqueiro da região e da Secretaria Municipal de Agricultura e Pesca, onde ouviu ponderações a respeito de possíveis riscos oferecidos por um projeto de implantação de uma usina termoelétrica na Baía de Sepetiba.
“Estamos sempre à disposição para contribuir, não apenas com as comunidades pesqueiras, mas também com a Academia e o Poder Público para, juntos, encontrarmos as melhores soluções para questões que envolvam as populações locais e o Estado como um todo, disse Ganem.
EXTINÇÃO
O evento da Uerj renova as esperanças de que a situação do pescador artesanal da Baía de Sepetiba receba mais atenção e, consequentemente, mais apoio. Para Sergio Hiroshi, é preciso que a condição dos pescadores artesanais seja vista com mais cuidado há tempos, porque assim como muitas espécies, eles estão sendo extintos. “A classe do pescador está acabando. Por causa de um recadastramento em 2012/13. Isso fez com que cerca de 90% dos pescadores do Brasil não tenham suas carteiras e com isso, não é possível formar novos pescadores. Estão acabando com a classe. Hoje, pais pescadores evitam que seus filhos sejam pescadores para não passarem por constrangimentos”, declara Sergio Hiroshi, da Aplim.
Parece que está mais do que evidente que o mar do pescador artesanal da Baía de Sepetiba não está para peixe.
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