Adeptos da rotina com trilha sonora garantem maior qualidade de vida

Em meio a tantos sons ensurdecedores e estressantes dos dias atuais, o canto dos pássaros, o barulho de folhas farfalhando com o vento, o estalar da lenha, o barulho que a água faz em um córrego sinuoso pode ser considerado um recanto de paz que ajuda nos afazeres do dia a dia ou a dormir. Assim, cresce em todo o mundo o número de pessoas que se utilizam de programações no celular para auxiliar atividades rotineiras por meio de sons da natureza, ruídos de objetos ou solos instrumentais. Se antes o fundo musical era estimulante para a prática de ginástica ou calmante para a meditação, hoje em dia se tornou um recurso essencial para muita gente na hora de acordar, dormir, estudar e fazer as refeições.    

Não só aplicativos como o Atmosphere e o Bettersleep, por exemplos, mas também canais no YouTube passaram a ser muito procurados por proporcionar sensações de bem-estar, relaxamento, alegria, autoconfiança e até mesmo sorte. Trilhas musicais para vários objetivos estão disponíveis na internet, tipo as páginas Deep Relief (com vídeos de oito horas de duração), Sons Pra Vida (com música celta) e Angel Healing Music (com o tilintar de tigelas tibetanas), que ensejam limpar as toxinas do ambiente, purificar a aura, harmonizar o lar e promover o  despertar espiritual. Music for Body and Spirit e Master of Abundance, entre outras, prometem remover energias negativas que bloqueiem a atração do dinheiro e da abundância.

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Tais gatilhos emocionais são chamados de ASMR (do inglês Autonomous Sensory Meridian Response – ou resposta sensorial meridiana autônoma, na tradução livre), que se refere à experiência subjetiva de “euforia de baixo grau” caracterizada por uma combinação de sentimentos positivos e mais comumente desencadeada por estímulos auditivos ou visuais específicos do que pelo controle de atenção intencional. 

Estudos científicos americanos indicam que “a utilização popular do ASMR é uma experiência confiável, com raízes fisiológicas, que pode trazer benefícios terapêuticos para a saúde mental e física”. Sendo assim, a cibercultura nos últimos anos já registra uma numerosa comunidade de produtores de conteúdo ligados a esse tema.

EXPERIÊNCIAS POSITIVAS

A professora Ana Carolina Ramos de Castro, de 31 anos, utiliza-se todas as noites de canais no YouTube com vídeos entre 20 e 30 minutos para facilitação do sono. “Descobri este recurso por acaso na internet há aproximadamente seis anos, ao pequisar sons da natureza e ‘ruído branco’ para amenizar a ansiedade e meditar. É uma ferramenta bastante benéfica para minha qualidade de vida”, garante.

A aposentada Ana Cristina Morais, 65 anos, é outra adepta ao uso do telefone celular para dormir. “Com o aplicativo, escuto barulho de chuva e de cachoeira que me fazem dormir mais rápido e melhor. Já faz parte da minha rotina. Acredito que seja um processo de desaceleração: coloco o som, me deito e fico sonolenta até adormecer. Há vídeos que quando acordo ainda estão tocando, dependendo da duração da trilha que escolho”, comenta.

Para a jornalista Jeniffer Oliveira, de 39 anos, usuária de apps diversos para vários fins, as ferramentas ajudam a pôr ordem em sua rotina. “Na correria do trabalho, muitas vezes passava um dia inteiro e eu simplesmente esquecia de beber água ou mesmo me alimentar. Também costumava acordar muito cedo e dormir tarde, então utilizei a tecnologia a meu favor até para que eu conseguisse parar as atividades e descansar. Tenho obtido resultados surpreendentes com o resgate de hábitos saudáveis, os quais até as pessoas próximas têm percebido e elogiado”, assegura.

GATILHOS EMOCIONAIS

O cantor e compositor Byafra dedicou a este tema dois capítulos de sua monografia de final de curso em licenciatura plena em Música pela Unirio, intitulada A música na escola de ensino fundamental – possibilidades de interdisciplinaridade. O relato descreve, mediante experiência prática em campo, como os sons da natureza incidem no comportamento e na criatividade de crianças e pré-adolescentes. “Para gostar de arte, o jovem precisa ser remetido a um estímulo sensorial, ou seja, sentir fisicamente algo quando ouve uma canção, lê um livro, admira um quadro. No meu trabalho experimental, houve alunos que fizeram até letra de música sob os efeitos de ruídos agradáveis em série”, relata.  

Para o psicólogo Leandro Frederico Marques, trata-se de um instrumento saudável a partir do momento em que o fundo sonoro é selecionado de modo individualizado, segundo a sensação de acolhimento, serenidade e prazer sentida pelo usuário, com o objetivo de enfrentar momentos adversos ou a tensão provocada por ambientes hostis. “Todas as pessoas constroem relações afetivas com determinados sons, que evocam nelas diferentes lembranças e emoções. Quem viveu uma infância feliz em uma área rural e se encontra atualmente no ambiente estressante do centro urbano, por exemplo, relaxa e se reequilibra com um app que reproduza o piar de passarinhos ou o barulho da água corrente de uma cachoeira”, descreve.

Redação

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