A cada sete dias uma mulher é vítima de feminicídio no estado

CPI propõe inclusão de registros de mulheres internadas em clínicas psiquiátricas, que se suicidaram, ou desapareceram

A cada sete dias uma mulher é vítima de feminicídio no estado do Rio, segundo levantamento do Instituto de Segurança Pública (ISP). A estatística foi apresentada, nesta quarta-feira (27), pela delegada Adriana Mendes, diretora do ISP, em reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) que investiga os casos de feminicídio no Rio.

De acordo com a delegada, o número de vítimas de feminicídio no estado diminuiu de 2018 para 2019, comparando os meses de janeiro e fevereiro dos respectivos anos. No ano passado, foram registrados 14 crimes de feminicídio, já este ano foram oito casos registrados. “Houve de fato uma pequena redução do número de casos de feminicídio, embora o cenário ainda continue muito grave. No ano passado, uma mulher era vítima de feminicídio a cada cinco dias, esse ano essa margem sobe para sete dias. A estimativa é um pouco melhor, mas ainda é alarmante”, pontuou.

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DADOS DO RIO

No ano passado foram registrados 71 casos de feminicídio no estado e 288 tentativas. Dessas mulheres, 53% tinham entre 16 e 30 anos e cerca de 69% delas eram negras ou pardas. Além de analisar as característica físicas das vítimas, os dados do ISP apontam que 62% dos crimes ocorreram em residências e apenas 24% em vias públicas.

Para a presidente da Comissão, deputada Martha Rocha (PDT), os dados foram esclarecedores. “Saímos dessa reunião com um mapa de análise importante. Sabemos que agora vão surgir novas indicações estratégicas para evitar a concretização da morte da mulher e temos que trabalhar com o Poder Judiciário, Polícia Civil e Militar. Também temos que pensar em medidas concretas, como a patrulha Maria da Penha”, enumerou.

A deputada também propôs que fosse incluído no levantamento do ISP registros de mulheres internadas em clínicas psiquiátricas, que se suicidaram, ou desapareceram. “Queremos que o ISP paute essas indicações para que possamos mostrar que os dados que temos sobre o feminicídio podem não ser concretos. Por trás de uma notícia de suicídio pode estar também a tentativa de um feminicídio, assim como a internação compulsória de uma mulher em uma clínica ou simplesmente o seu desaparecimento”, informou a parlamentar.

Em resposta, a delegada disse que vai incluir esse recorte nos dados do ISP. “Vamos tentar fazer esse cruzamento, principalmente, com o apoio da Polícia Civil que tem acesso a esses números e incluí-los nos nossos próximos estudos”, garantiu. Adriana também lembrou que o Dossiê da Mulher, produzido pelo ISP anualmente, onde é possível encontrar esses estudos, terá lançamento no dia 30 de abril.

POLICIA EM AÇÃO

A delegada Juliana Emerick, diretora da coordenadoria geral das Delegacias Especializadas de Atendimento a Mulher (Deams), também foi ouvida pela comissão. Segundo ela, em 2018 foram registrados, em média, por mês, mais de mil indiciamentos. “Isso significa dizer que evitamos mil casos de feminicídio. Só no ano passado efetuamos 855 prisões desses agressores e esse ano já realizamos 184 prisões, o que corresponde em relação ao ano anterior, a um aumento de 229% do número de prisões. Acabou essa falácia de que em briga de marido e mulher não se mete a colher, pelo contrário. Toda a sociedade tem a responsabilidade social de assim fazê-lo e a Polícia Civil tem o dever institucional de aprimorar as ferramentas que façam com que esse homem não saia impune desse tipo de agressão”, concluiu.

Também compareceram à reunião as deputadas Rosane Félix (PSD), Renata Souza e Dani Monteiro, ambas do PSol, Tia Ju (PRB), Enfermeira Rejane (PCdoB) e Zeidan Lula (PT).

Redação

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