GASTRONOMIA
Chef Flávio Belesini atrai clientela de diferentes lugares, que vem em busca do recanto e do sabor que seu restaurante oferece
Lagostinhas, mariscos, camarões, peixes, lula e polvo. Os frutos do mar dançam em um bailado suculento numa frigideira em que também marcam presença legumes e temperos, dando forma a uma iguaria que encanta inicialmente pelo visual e, mais ainda, pelo sabor. A produção sai da cozinha do Restaurante Dom Capone, comandado pelo chef Flávio Belesini, que com eficiência combina os ingredientes até chegar a uma bela representação da cozinha espanhola: a paella.
A proeza culinária já coleciona uma fiel clientela. Contribui ainda para isso o fato de o prato chegar à mesa ornamentado por uma profusão de cores, em que se destacam o vermelho e amarelo dos pimentões, o verde das ervilhas e o dourado do arroz. O olfato é atrativo e aguça o apetite. O paladar é sofisticado e o sabor é suave. Puro deleite para os amantes da gastronomia.
O Restaurante Dom Capone fica no bairro Estrela do Céu. Flávio Belesini, chef e dono do lugar, tem sangue italiano e estudou gastronomia na Europa. “Desde pequeno já gostava de fazer comida. Trabalho com culinária há mais de 30 anos”, afirma Flávio, que traz no currículo experiências temperadas como chefe de cozinha do Maxim’s, de Paris, na França; da Adega do Valentim, em Botafogo; e do Dom Camilo, em Copacabana.
A receita que brota do talento do chef Flávio e o ambiente que ele oferece em sua aconchegante casa atrai clientes como Antônio Vital de Sousa Júnior, que chegou ao lugar através da indicação de um amigo. Ele levou a família para conhecer a beleza do prato espanhol no Dom Capone. “Sou fascinado por frutos do mar. Vim aqui experimentar e só o visual do prato já foi o bastante para me apaixonar. Sinceramente, não esperava encontrar uma novidade como essa em Itaguaí”, aprova Antônio.
Antônio Vital de Souza Junior é fascinado por frutos do mar e foi conhecer o Dom Capone. (FOTO ANDREY SUDO)
Inovações à mesa
Além da sofisticação, outro atrativo é o preço. A paella de frutos do mar, carro-chefe do Dom Capone, para duas pessoas, custa R$ 44,90, menos da metade do que normalmente custaria em outro lugar, segundo Flávio. “O mesmo prato, nos restaurantes do Rio, não sai por menos de R$ 120”, argumenta Flávio, que além de frutos do mar, oferece inovações como paellas com frango, carne de porco ou com todos estes ingredientes reunidos, que, neste caso, chega à mesa sob o rótulo de “Paella a Dom Capone”.
Profissional do ramo, Ronaldo Jacarandá de Paulo exerce a função de cozinheiro na Marinha Mercante. Ele conta que após descobrir o Dom Capone por acaso, passou a frequentá-lo habitualmente. Sempre que vai, pede uma paella de frutos do mar, que divide com três pessoas. “A comida é muito boa e o preço é ótimo. Três anos atrás, viajamos para Santos, em São Paulo, e comemos a mesma comida por R$120. O atendimento também é sensacional. O próprio chef vem à mesa perguntar as nossas preferências”, elogia Ronaldo.
Ronaldo Jacarandá de Paulo, acompanhado da família, visita o restaurante de forma frequente. (FOTO ANDREY SUDO)
O chef Belesini garante que sua paella é uma exclusividade na cidade. “É uma receita que ninguém faz em Itaguaí. Quem quiser comer precisa ir até a Barra ou a outros bairros nobres do Rio”, salienta. De fato, o toque europeu na culinária regional é, sem dúvida, um grande diferencial para o município. Mas, como visto, a experiência, o currículo e, mais, o desempenho do chef Flávio Belesini encantam o paladar de apreciadores de frutos do mar até daqueles que não moram nos arredores. “Temos clientes que vêm da Barra da Tijuca só para comer aqui”, orgulha-se Flávio.
Nome originário de um hábito
A paella é um prato espanhol a base de arroz. Foi criado entre os séculos XV e XVI por um camponês. Ele teve a brilhante ideia de reunir os amigos em volta da fogueira, não para contar histórias, mas para combinar ingredientes da caça em uma panela redonda, rasa e ampla, que mais tarde ficou conhecida como paellera. Com o tempo, a receita original sofreu algumas mudanças, a ela sendo incorporados como principais ingredientes os frutos do mar. Uma história curiosa revela que o nome surgiu de um hábito dos camponeses, de cozinhar para as esposas, já que eles se alegravam ao preparar a iguaria “para ella”.


















