ENTREVISTA: professor Alex da Silva Sirqueira, reitor do Centro Universitário Estadual da Zona Oeste
Novo reitor da Uezo assume hoje o desafio de tornar ainda mais estreita a integração entre a academia e indústria, colocando a Zona Oeste um passo à frente no ensino tecnológico com foco no mercado
RENATO REIS
renato.reis@jornalatual.com.br
Engenheiro químico com mestrado e doutorado em Ciência e Tecnologia de Polímeros, o professor Alex da Silva Sirqueira assume nesta terça-feira o cargo de reitor do Centro Universitário Estadual da Zona Oeste tendo três preocupações iniciais. Primeiro, quer garantir aos alunos melhores condições de desenvolverem o ensino tecnológico com foco na demanda de empresas da região; depois, ciente de que isso não se faz sem dinheiro, empenha-se para obter recursos através de editais de instituições como Faperj e Finep, afim de acelerar a construção e montagem de laboratórios para os dez cursos que a instituição oferece. O seu maior desafio, no entanto, é a construção da nova sede da instituição, hoje abrigada de improviso no prédio do Instituto de Educação Sarah Kubitischek, em Campo Grande. Na rotina que passa a comandar hoje, tendo ao lado o vice-reitor João Bosco de Salles, que mora em Seropédica, o professor Alex vai trabalhar inspirado na experiência do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, uma mais importantes universidades do mundo e líder de rankings de excelência acadêmica. “Lá existe a integração e a parceria da universidade com a indústria. É aí que nasce a inovação. Queremos dar suporte à indústria. Nos exigimos que os alunos gerem um produto e não só teses para ficarem na prateleira”, diz ele, na entrevista que concedeu ao ATUAL, referindo-se à filosofia de associar a produção acadêmica às necessidades do mercado, iniciativa que ainda engatinha no Brasil.
O PROFESSOR Alex Sirqueira assume a reitoria da Uezo nesta terça para um mandato que vai até 2016. (FOTO NATÁLIA FIGUEIREDO)
A UEZO tem um microscópio de um tipo que só existem mais três na América Latina. Isso é resultado do esforço da comunidade, dos professores.
Temos aqui 80% dos alunos da Zona Oeste, mas alunos até de outros estados escolhem a Uezo como opção no Enem
Que prioridade vai seguir o momento posterior à posse?
É, sem dúvida, o início da construção da nossa sede. O secretário de Ciência e Tecnologia tem se mostrado bem interessado, entendendo a necessidade da Uezo para a Zona Oeste. A ideia é que a primeira fase da construção, a das salas de aula, ao custo de R$ 10 milhões, esteja pronta até abril de 2014, mas a obra total vai custar R$ 80 milhões.
E o restante da obra?
Nós temos prazo até maio para nos inscrevermos em edital do Finep, que vai nos garantir R$ 4 milhões. Estes recursos serão destinados a laboratórios de solda, de reciclagem e de metalurgia, por exemplo. Com isso já teremos duas frentes: a dos R$ 10 milhões já anunciados e mais este R$ 4 milhões.
Qual é o maior desafio que o senhor tem pela frente?
O maior desafio é melhorar a infraestrutura dos laboratórios, para que eles tenham condições de atender já hoje às demandas atuais, para não penalizarmos os alunos do primeiro semestre. Temos que garantir a infraestrutura dos laboratórios didáticos da instituição.
Qual é hoje o orçamento da Uezo?
Temos um orçamento de R$ 23 milhões para pagamento de pessoal, para a infraestrutura e para as cotas e bolsas.
Quais os contingentes de alunos e professores da Uezo?
Temos 1912 alunos e 102 professores, todos os professores com doutorado e concursados. São dez os cursos, e temos ainda o curso de Mestrado Profissional em Ciência e Tecnologia de Materiais, em parceria com a Marinha, que nos permite realizar a parte prática dos cursos. Inclusive neste curso estamos trabalhando num projeto de tintas invisíveis para submarinos, dificultando que sejam detectados.
Sirqueira exibe trabalhos de conclusão de um aluno da Uezo, a partir de fibra de coco para produção de pisos. (FOTO NATÁLIA RODRIGUES)
Tamanha tecnologia é uma circunstância inédita nessa região. A que o senhor atribui essa conquista para a Zona Oeste?
A Uezo tem um microscópio de um tipo que só existem mais três na América Latina. Isso é resultado do esforço da comunidade, dos professores, do esforço que estamos fazendo, submetendo cinco projetos em editais da Faperj, que vai nos permitir montar laboratórios. Enfim, é entender a expectativa do industrial. O que nos falta é o espaço físico e infraestrutura para que essas pesquisas aflorem, como o de um de nossos alunos de Tecnologia em Polímeros, que transforma a fibra da casca de coco em pisos, balcões e decks. Ele, inclusive, já vem desenvolvendo esse projeto junto a uma empresa, que até já negocia a comercialização desse material.
Qual o caminho para manter essa proximidade entre a universidade e a indústria?
Nos o fazemos através do Conselho de Cooperação Técnica, que é formado pela administração da Uezo, pelas indústrias e pelas associações comerciais da região. Nossa preocupação fundamental é ouvir o industrial, chamá-los, inclusive, a discutir a grade curricular da instituição.
O senhor considera que essa é a solução para a educação no Brasil, no que se refere ao ensino técnico e superior?
Eu estive no MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Lá existe essa integração, a parceria da universidade com a indústria. É aí que nasce a inovação. Queremos dar suporte à indústria. Tem que haver vontade e paixão pelo que se faz. Nos exigimos que os alunos gerem um produto e não só teses para ficarem na prateleira.
O senhor pode citar exemplos práticos que essa exigência tenha gerado?
Temos estudos que resultam no controle da qualidade do café; no mapeamento genético dos indivíduos para personalizar os medicamentos; na Construção Naval há um projeto voltado para a corrosão. Temos até o projeto de montar uma fábrica de software.
Qual o seu sentimento ao assumir a posição de liderança de uma instituição com um futuro tão promissor como esse da Uezo?
Primeiro foi de preocupação, mas os 97% dos votos com que fui eleito me trouxeram o sentimento de responsabilidade e apreensão, porque o trabalho de uma reitoria e intenso e imenso. São muitos os desafios que vamos enfrentar.
Num momento em que vemos cobranças por melhorias em diversas instituições públicas não é animador passar a liderar uma entidade tão importante na Zona Oeste?
Eu nasci na Maternidade Campo Grande e vivi minha vida toda em Campo Grande. Entendo a importância que essa entidade tem e terá para os jovens da região.
E eles já são em número significativo no corpo discente da Uezo?
Temos aqui 80% de alunos da Zona Oeste, mas alunos até de outros estados escolhem o Uezo como opção no Enem.



















A UEZO vai ser na Av Brasil, vai benficiar muito mais alunos, torço prá q avance as obras.