Reitoria da UFRuralRJ é ocupada

março 15, 2013 Nenhum Comentário »

MANIFESTO

Alunos acampam no prédio central da universidade em busca de melhorias

Alunos ocupam o andar da reitoria desde a noite de quarta-feira (13). (FOTO NATÁLIA FIGUEIREDO)

Alunos ocupam o andar da reitoria desde a noite de quarta-feira (13). (FOTO NATÁLIA FIGUEIREDO)

Natália Figueiredo

natalia.figueiredo@jornalatual.com.br

Com problemas graves de infraestrutura no campus, a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro passa por uma ocupação em seu prédio central, comandada por estudantes e por tempo indeterminado. O alunos reivindicam desde a noite de quarta-feira (13) mais segurança, iluminação e manutenção nos institutos, além de uma análise minuciosa por parte do Ministério Público às contas públicas da universidade. “O DG encontra-se sem água há três anos, desde que entrei na universidade, há departamentos com o teto caindo e sem banheiro. O curso de Engenharia de Materiais, por exemplo, pode ser fechado por falta de equipamentos e professores. A Rural foi uma das universidades que mais receberam verba pelo Reuni, mas se o dinheiro não é aplicado, ele volta para a União”, afirmou Pâmela Martins, coordenadora-geral do DCE e aluna do quarto período do curso de Relações Internacionais.

Em assembleia geral, os estudantes anunciaram o indicativo de ocupação com o objetivo de chamar uma auditoria externa na universidade, para que se visualize os contratos e licitações dos novos prédios e as finanças da casa. Eles acreditam que uma má administração possa ter gerado o caos que se tornou o campus. “A universidade encontra-se abandonada no que diz respeito à estrutura e a própria administração. Foram encontradas algumas irregularidades no relatório de gestão de contas de 2011. Assim, o DCE inicia a ocupação da reitoria para que esse assunto seja levado ao Tribunal de Contas da União e ao Ministério Público”, afirmou Lincoln Leão, representante do Diretório Central de Estudantes e aluno do curso de Relações Internacionais.

SEROPÉDICA - Reitoria da UFRuralRJ é ocupada 02B

Frases de protesto são montadas em cartazes. (FOTO NATÁLIA FIGUEIREDO)

De acordo com os alunos, a ocupação foi o último recurso para conseguir uma resposta ou um compromisso junto à gestão, depois de diversas reuniões. “O diálogo com a reitoria foi proposto inúmeras vezes, mas apenas com promessas. Precisávamos radicalizar o processo para que ações efetivas acontecessem”, diz Leão.

Um exemplo muito citado por Pâmela Martins é o Posto de Saúde, que funciona dentro do campus. “O postinho nunca funciona, mas mesmo assim, as contas da universidade indicam a realização de 123 cateterismos (procedimento cirúrgico no coração) e na listagem de funcionários estão registrados 80 servidores. Como isso é possível em um local que só vive fechado e não há nem exame de sangue, nem nenhum tipo de cirurgia?”, indaga. O intuito dos alunos é enviar os relatórios e as reivindicações aos órgãos competentes para uma auditoria externa, a fim de pontuar as irregularidades exercendo seu papel civil.

SEROPÉDICA - Reitoria da UFRuralRJ é ocupada 03

Da sacada do Prédio Central os alunos convocam para a manifestação. (FOTO NATÁLIA FIGUEIREDO)

Outra dificuldade encontrada é o acesso aos alojamentos universitários, que não acompanharam a ampliação dos cursos e a entrada de universitários de todo o país com a adesão ao Enem e Reuni. “Hoje mais de 50% dos alunos matriculados são mulheres e abrem em média 30 vagas para os alojamentos femininos por ano, enquanto abrem 100 vagas para os masculinos. A administração da universidade foi irresponsável em receber todos esses novos estudantes sem investimento em assistência estudantil, é preciso garantir alojamento, alimentação, transporte interno, material didático, nossa manifestação é um basta nessa situação”, afirmaram. O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que tem como principal objetivo ampliar o acesso e a permanência na educação superior, foi aprovado em 2007, sendo o primeiro curso a iniciar no primeiro semestre de 2010, mas o novo prédio dos cursos só foi ficar pronto em 2012. Mesmo com a proximidade da formatura das primeiras turmas, há ainda diversos laboratórios de aulas práticas em construção. “Queremos mudanças. Só sairemos daqui quando for assinado um termo de compromisso registrado em cartório”, finalizou Leão.

O reitor, Ricardo Motta Miranda, estava no Recife, participando de uma reunião da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e informou, por telefone ao ATUAL, que está disposto a negociar com os estudantes, mas a maioria dos problemas não são resolvidos com agilidade devido aos entraves burocráticos. “Atividades relacionadas ao serviço público exigem tempo, além disso a UFRuralRJ cresceu muito”, justificou. Mas afirmou ainda que nenhum tipo de força física será utilizado para retirar os estudantes “Vejo a mobilização como um ato político. Sendo assim, nos cabe praticar a democracia e não usar violência ou fazer qualquer tipo de impedimento”, concluiu.

(COLABOROU BRUNA RODRIGUES)

Deixe um comentário

Você precisa estar Logado para comentar.