Takenaka de empresas traça perfil na criminalidade do Rio com doses de fantasia que evocam vampiros e personagens históricos
Escritor de Itaguaí vai lançar obra em noite de autógrafos na Livraria Travessa, no Barrashopping. (FOTO FRANCISCO LEÃO)
RENATO REIS
renato.reis@jornalatual.com.br
Terceiro livro escrito por Márcio Koity Takenaka, Demônios da Noite é o único que até agora efetivamente chega ao público. O primeiro que ele escreveu remete à época do Descobrimento do Brasil, envolvendo piratas, feitiçaria e comércio de escravos. O segundo é uma coletânea de contos que mesclam ficções sobrenatural e científica, mas ambos permanecem nas gavetas aguardando a oportunidade de lançamento.
Com demônios da Noite, o escritor mergulha no submundo da criminalidade do Rio de Janeiro, introduzindo neste cenário personagens emprestados da história, cuja fama atravessam gerações e gerações, como o conquistador e imperador mongol Gengis Khan.
Ele explica que o livro surgiu como uma oportunidade de aproveitar o interesse por vampiros. “Busquei personagens antigos e quis aproveitar a situação em ideias diferentes, com vampiros controlando o tráfico”, diz ele, que ambientou a trama em cenários como o Morro do Alemão, na Zona Norte do Rio e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, em Seropédica.
M. K. Takenaka define Demônios da Noite como um romance de ação que envolve vampiros numa ambientação sobrenatural e urbana no Rio atual, numa trama que se desenrola por quinhentas páginas. “Com o livro criei uma situação em que os vampiros, que só aparecem à noite, e os traficantes, que agem na penumbra, se encontram para ser os justiceiros dos bandidos”, explica o escritor.
Paixões que vêm de longe
O fascínio que temas como a crença em vampiros, o suspense, o sobrenatural e o terror exercem sobre o imaginário e a criatividade do administrador de empresas Márcio Koity Takenaka não é coisa de agora. Ele conta que desde a adolescência, quando leu “O Iluminado”, do escritor norte-americano Stephen King, descobriu o prazer pelo gênero, a ponto de ter sido aquele livro o primeiro livro a ser lido com o entusiasmo típico dos amantes das letras. Ele lembra que na época, ao deparar com trechos que o assustavam, ele recorria aos gibis da Mônica, onde conseguia se recuperar dos eventuais sobressaltos provocados por um macabro parágrafo.
Profissionalmente, Márcio Takenaka trabalhou como diretor financeiro da antiga Fundição Técnica Sul Americana, em Itaguaí. O hábito de escrever ele cultivava ao longo dos anos, sempre recorrendo a temáticas que permeavam o terror e a fantasia, bem ao estilo da escritora norte-americana, Anne Rice, outra estrela do gênero, da qual ele também se diz fã. “Tenho um conto baseado em Frankenstein, que foi fruto de um desafio”, diz ele, que como escritor se identifica como M. K. Takenaka.
Para Márcio Takenaka, a conversão à literatura ganhou forma em três produções, das quais apenas “Demônios da Noite” se tornou uma obra real, que tem lançamento marcado para a próxima quinta-feira (14). Publicado pela Novo Século Editora, o livro será lançado em noite de autógrafos na prestigiada Livraria Travessa, no Barrashopping, às 19h. Em Itaguaí o livro está à venda na Livraria Terra de Santa Cruz, que fica na Rua Engenheiro Monteiro Mendes, 99, no centro.
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Depois de conseguir o que queria, ele voltou para o morro, nem foi preciso ir a um hospital, no caminho ele encontrou uma festa, na rua, dois casais adolescentes se drogavam e planejavam fazer sexo numa caminhonete com cabine dupla do pai de algum deles. Amanhã eles seriam manchete dos jornais.
Yeh Lu se reuniu com Gengis Khan e Cleiton para contar as novas para eles.
– Então o maldito está tão mal acostumado que manda mortais caçar para ele – disse o Khan.
– A coisa parece ser ainda mais esquisita – falou Yeh Lu.
– Segundo informantes, ele gasta uma quantidade exagerada de cocaína com as escolhidas.
– Para quê? Os humanos não precisam ser dopados, não há dor na mordida de um vampiro, apenas prazer.
– Acho que sei a resposta – disse Cleiton. – Vocês… Nós não precisamos comer o bebê, tudo o que precisamos está metabolizado no sangue das vítimas. Mesmo que quiséssemos comer, beber ou usar drogas, nós não conseguiríamos, pois só metabolizamos o sangue. Se um vampiro quisesse experimentar os estímulos provocados pela droga, de que forma ele faria isso?
– Percebo onde quer chegar. Hashid é um maldito viciado! Sucumbiu a mais uma hedionda fraqueza dos tolos mortais – concluiu Gengis Khan.
– Concordo – disse Yeh Lu – é o mais lógico a pensar.
Douglas ligou para o novo celular de Cleiton para saber se eles tinham conhecimento do que se passava no Morro do Tubarão. Cleiton disse que não era seguro falar ao telefone e que ele e Toledo deveriam se juntar a eles.
Já era tarde e ficaria difícil usar o hotel sem despertar suspeitas, então Douglas pegou Toledo e depois os outros três. Reuniram-se no carro mesmo, pararam numa rua escura e sem movimento e puseram Douglas e Toledo a par dos últimos acontecimentos, inclusive o ladrão morto na praia.
– Um vampiro viciado em drogas, o que mais falta aparecer? – disse Toledo.
”
Trecho do livro Demônios da Noite
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Diz a sabedoria popular que só temos uma vida completa quando, plantamos uma árvore, escrevemos um livro e temos um filho.