INCLUSÃO SOCIAL
Projeto extensionista leva esperança, força e uma vida nova para pessoas com deficiência intelectual ou motora.
Natália Figueiredo
natalia.figueiredo@jornalatual.com.br
A bocha paralímpica é, hoje, uma alternativa de superação para atletas que tinham pouca ou nenhuma perspectiva de exercer atividades regulares. A modalidade atende todas as formas de limitações, fazendo adaptações para a prática do esporte. Assim como na bocha convencional, este é um jogo de planejamento e estratégia. Nele é permitido o uso das mãos, dos pés ou de instrumentos de auxílio para atletas com grande comprometimento nos membros superiores e inferiores, como calhas de apoio. A habilidade e a inteligência são fundamentais no desenvolvimento das jogadas, com aplicação de técnicas e táticas adequadas a cada superação das deficiências. Nas partidas os jogadores são classificados de acordo com o grau de limitação, sendo que em cada divisão jogam praticantes de ambos os sexos.
Em Seropédica, a coordenadora do Departamento de Educação Física da UFRuralRJ, Márcia Campeão, criou, com o auxílio da Pró-Reitoria de Extensão, o projeto de bocha paralímpica a fim de atender a população, com algum tipo de deficiência, no município. A atleta Barbara Oliveira, de 35 anos, participa a dois anos e meio dos treinos de bocha e com resultados satisfatórios já disputou campeonatos cariocas, regionais e nacional. “No nacional eu só perdi para o campeão Maciel Santos, mas fiquei entre os finalistas, eu adoro jogar”, afirmou a atleta. O pai de Barbara, José Maria de Oliveira, é seu fiel companheiro de treinos e campeonatos. Aposentado, José dedica grande parte de seu tempo para levar a filha aos treinos e investir em sua carreira de atleta. “A bocha mudou a vida da Bárbara e veio no momento que nós mais precisávamos, quando a mãe faleceu. Ela aprendeu, se dedicou muito, tanto em casa quanto nos treinos, e está conseguindo resultados ótimos”, enfatizou o senhor Oliveira. Barbara tem paralisia cerebral e disfunção motora se enquadrando na classe BC2 de competições, em 2012 participou do 14º Campeonato Brasileiro de Bocha Paralímpica, em Recife. “O esporte é extremamente importante no desenvolvimento da vida dessas pessoas, eu não conhecia muito bem antes de participar e depois simplesmente me apaixonei. Só que hoje os melhores resultados estão em São Paulo, pois é a cidade que mais investe em acessibilidade e nos esportes paralímpicos”, afirmou Matheus Santos, treinador de Barbara, integrante do Gpefea – Grupo de Pesquisa em Educação Física e Esportes Adaptados – e aluno do 6º período de Educação Física.
Habilidade e inteligência unido a aplicação de técnicas são aspectos fundamentais no desenvolvimento das jogadas
Quanto mais atletas melhor
Os treinos acontecem no Seropédica Atlético Clube todas às terças, quintas e sextas-feiras de 8h às 11h e é aberto a quem se interessar. O espaço foi cedido generosamente pelo proprietário, devido à precariedade no acesso as quadras poliesportivas da Universidade Rural. “É uma falta de respeito ao cadeirante a maneira como a universidade vem tratando a área da Educação Física”, complementou Campeão. O grande desafio para o pai de Barbara, no entanto, é encontrar outro atleta para seguir uma linha de treinos frequente ao lado da filha para estimulá-la a se aperfeiçoar e descobrir novas técnicas. “Dois jovens da APAE também treinam conosco, mas tem muita dificuldade em poder frequentar, pois não tem alguém para trazê-los, além de um auxiliar, pois eles necessitam da calha para lançar a bola”, contou Santos.





















