A QUEM RECORRER?
Entender as responsabilidades e atribuições de cada serviço é essencial na hora de buscar por socorro
RENATA PIRES
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RENATO REIS
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O cidadão passou mal nas ruas ou em casa e, por falta de informações, não sabe a quem apelar por socorro: o Corpo de Bombeiros ou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu)? Os telefones realmente funcionam quando acionados? O atendimento é feito em tempo hábil? Para tentar entender essas questões o ATUAL procurou os dois serviços para saber quem é quem.
De acordo com o comandante do Destacamento dos Bombeiros de Itaguaí, Aloizio Gil dos Santos, qualquer ocorrência nas ruas é de responsabilidade dos Bombeiros. Nesse caso, o cidadão deve entrar em contato através do telefone 193. Mas isso não impede que o Samu seja chamado para dar suporte ao atendimento. “Em caso de colisão de veículos ou mal súbito em vias públicas, os Bombeiros devem ser acionados”, informa o subtenente, salientando que caso a equipe precise de apoio, o Centro de Operações é acionado para enviar reforço.
Ainda de acordo com o subtenente Aloizio, os Bombeiros possuem ambulância em Itaguaí, Mangaratiba, na Zona Industrial e em Santa Cruz. “Se o Samu estiver na área, ele avança para ajudar”, esclarece. A unidade de referência no município é o Hospital Municipal São Francisco Xavier (HMSFX), no centro. Segundo o subtenente, quando não há especialistas no HMSFX, o paciente é levado para um hospital mais próximo, transportado numa viatura da cidade. “Nos casos mais graves, chamamos o helicóptero Águia para transferir o acidentado”, diz o comandante.
Bombeiros: atendimentos um pouco mais além
A central telefônica do Corpo de Bombeiros fica em Itaguaí, o que facilita a agilidade no socorro. Muitas vezes, o morador que passou mal em casa, liga para os Bombeiros para ter um retorno rápido, mas nem sempre é atendido, ou porque a ocorrência na residência não é tão grave ou porque trata-se de um atendimento de competência do Samu. “Quem gerencia o Samu é o Corpo de Bombeiros. Claro que a gente acaba atendendo também às residências. Mas se os Bombeiros fizerem sempre os dois, não vai dar vazão. Às vezes atendemos um mal súbito em casa, enquanto acontece uma colisão com várias vítimas na rodovia. O tempo resposta é importante. Temos que avaliar a gravidade dos casos”, ilustra o comandante. “Se acontece um infarto dentro de casa e o Samu não atende, nós vamos. O nosso serviço nós fazemos; e às vezes um pouco além”, completa o subtenente Melo, que atua como chefe de ambulância.
Samu: suporte aos Bombeiros e atendimentos em casa
Os funcionários do Samu ouvidos pela reportagem não quiseram se identificar, mas confirmam as afirmações do subtenente Aloizio, ratificando que o atendimento na via pública é de responsabilidade dos Bombeiros, enquanto o socorro nas residências é de competência do Samu. “A diferença do nosso atendimento é que as ligações não caem direto aqui. Somos regulados por Nova Iguaçu”, revela um dos funcionários, explicando que o primeiro atendimento do 192 é feito pela central, localizada em outro município, já que o Samu é um consórcio nacional municipalizado. “O paciente liga para a central e acha que vai ser atendido imediatamente. Esse retorno não é instantâneo. Essa dificuldade de a população acionar a base realmente existe. Talvez seja porque a central recebe ligações de vários municípios”, justifica.
A base do Samu ficava em frente ao prédio da Secretaria de Trânsito. Segundo o funcionário, alguns parentes dos vítimas chegavam exaltados querendo saber o porquê da demora. “Mostrávamos que nem tínhamos telefone ali. O local não tinha nem estrutura para gente”, desabafa o funcionário referindo-se às condições precárias em que trabalhavam antes de serem deslocados para dentro do prédio da Sectran.
Ainda segundo um dos funcionários, além do suporte aos Bombeiros, o Samu também outras tarefas. Somente na manhã da terça-feira (19) 41 pacientes estavam marcados para fazer hemodiálise fora de Itaguaí. “O paciente precisa fazer uma tomografia computadorizada, aqui não tem; então o levamos para hospitais como o de Marechal Hermes ou de Saracuruna. Às vezes fazemos quase duas horas de viagem”, emenda.
Na incerteza, a solução foi se virar
Na sexta-feira (15), a cabeleireira Marluce Alves da Silva Ferreira precisou levar seu irmão para o hospital, mas não conseguiu socorro. A cabeleireira disse ter ligado para o 192 – Samu e foi informada que não havia ambulância. “Fui orientada a ligar para os Bombeiros e a falar que não tinha viatura. Os Bombeiros me disseram que eu mesma tinha que levar meu irmão para o hospital. Como eu, uma mulher, conseguiria levar um homem daquele tamanho, que sofre de esquizofrenia, em estado lastimável, sujo e surtado, sozinha para o hospital? Se eu levasse, era capaz de o hospital dizer que o caso dele era psiquiátrico”, questiona. “Sou uma cidadã, pago meus impostos e não pude contar com ninguém. Conclusão, depois de todo esse empurra-empurra, mediquei meu irmão, que não recebeu socorro”, desabafa.
A reportagem ligou para 192 e em quatro minutos foi atendida. Após a identificação, no entanto, a atendente passou a ligação para um supervisor, que, por sua vez, informou apenas o telefone da assessoria, para mais informações, número, aliás, através do qual não se conseguiu contato até o fechamento dessa edição. Pelo visto, a providência essencial para evitar mais sofrimento e angústia entre a população é municia-la de informações mais precisas e objetivas para que o contato certo seja acionado na hora da necessidade, quando, muitas vezes, vidas estão em jogo.






















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