Um jeito feminino de encarar o pesado

fevereiro 8, 2013 Nenhum Comentário »

Operadoras de retroescavadeiras revelam o fascínio que têm pela profissão que exercem em Itaguaí

As mulheres estão mesmo dominando o mercado de trabalho e não só nas profissões destinadas a elas, mas nos trabalhos tipicamente masculinos, como é o caso de Carla Vitória Araújo de 22 anos e Jackeline Peixoto Almeida de 45 anos. Ambas possui uma intensa jornada de trabalho, sob o comando complicado de nada mais nada menos, que uma retroescavadeira, isso mesmo, uma máquina enorme que exige das meninas muita garra e determinação na hora de realizar as tarefas do dia a dia.

Elas trabalham para a empresa Vale Sul de Angra dos Reis, que presta serviço para a Prefeitura de Itaguaí realizando obras nas ruas da cidade, como troca de manilhas, retirada de pilhas e pilhas de terra, escavações e outros serviços que necessitam de uma retroescavadeira.

Por onde passam, pilotando suas máquinas, Carla e Jackline despertam a atenção de todos. Segundo elas, há momentos em que ouvem piadinhas, outros ouvem elogios, mas não deixam que nada tire seu foco no trabalho. “A retroescavadeira tem muitos comandos, exige muita atenção e além de tudo ainda tem aquela velha piada que mulher no volante causa problemas, mas pelo menos nós defendemos a classe das mulheres operárias e damos conta do recado, tanto nas ruas, quanto nas obras”, disse Carla.

As duas musas das retroescavadeiras de Itaguaí, conversaram com o ATUAL e cada uma contou um pouco de sua história, de como chegaram aos comandos das máquinas e mesmo pegando no pesado e encarando trabalhos tipicamente masculinos, sem perder a delicadeza e feminilidade. Conheça um pouco de cada uma:

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Carla Vitória Araújo

Há seis meses, atrás do volante da retroescavadeira, Carla conta que apesar das dificuldades, gosta muito do seu ofício. Ela aprendeu a pilotar a máquina com a ajuda de seu marido, e logo depois partiu para um curso profissionalizante e encarou de frente essa função. “Recebo muito elogios por onde passo, pois apesar da minha pouca idade, sempre procuro demostrar garra e profissionalismo acima de tudo”, conta ela, que apesar da árdua rotina de trabalho, de segunda a segunda, não desanima e mostra interesse em pilotar máquinas maiores ainda. “Quero fazer mais cursos e subir na minha profissão, mostrar que nós mulheres podemos sim, realizar tarefas que antes só os homens realizavam”, conclui.

O uniforme masculinizado com peças largas não esconde seu jeito feminino ressaltado com seu sorriso e cabelos sempre arrumados. “Mulheres podem sim encarar qualquer profissão, mas nunca podem deixar sua vaidade de lado”, finaliza Carla.

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Jackeline Peixoto Almeida

Há dois anos pilotando a retroescavadeira, Jackeline diz que hoje está realizada em sua profissão. Antes ela trabalhava como balconista em uma farmácia, mas sempre que via uma máquina dessas passar na rua dizia em voz alta: “um dia vou pilotar uma dessas!”. Alguns amigos não acreditavam que o sonho de Jackeline pudesse se realizar. “Eu não desisti do meu sonho, e quando surgiu a oportunidade de fazer um curso profissionalizante, na Reta de Piranema, agarrei com unhas e dentes e fiz curso para pilotar escavadeira, retroescavadeira, pá mecânica e empilhadeira. Fui uma aluna atenciosa e garanti uma vaga na empresa Vale Sul, quando fiz alguns testes e passei. Fiquei três meses fazendo treinamentos e hoje me sinto realizada quando assumo o comando da retroescavadeira”, diz Jackeline sem esconder o orgulho e também o desejo de crescer em sua profissão. “Agora quero partir para um curso para aprender a pilotar um guindaste”, emenda.

Trabalhando de segunda à segunda, ela chega a trocar 50 manilhas por dia sem deixar a vaidade feminina de lado. “Apesar de não ter muito tempo, faço sempre minhas unhas e cabelos toda a semana e ainda dou atenção para meus filhos, um de 24 anos e o outro de 13. “ Tudo o que eu faço é com amor. Não tenho horário, não tenho preguiça e não trato ninguém mal. Vivo para o trabalho, meus filhos e para meus amigos que sempre me apoiam”, finaliza.

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