Associações de pescadores discordam que incidente foi provocado pela natureza, como anunciaram órgão responsáveis pela fiscalização ambiental
FRANCISCO LEÃO
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Pescadores da Ilha da Madeira ainda aguardam explicações do Instituto Estadual do Ambiente e da Secretaria do Meio Ambiente Agricultura e Pesca de Itaguaí, sobre o incidente que provocou a morte de diversas espécies marinhas dentre elas, linguados, camarões, cocorocas, paratis e siris, que amanheceram boiando e agonizando na última quinta-feira (24), na orla da praia local.
Presidente da Associação dos Pescadores Artesanais da Ilha da Madeira (APAIM), Carlos Nascimento, o Lico Tonelada, discorda das primeiras avaliações de ambos os órgãos, segundo os quais a mortandade não teve influência direta do fenômeno conhecido maré vermelha, que surge com o aumento das algas. “Todo esse transtorno é proveniente das dragagens do mar. O solo está cheio de metais pesados e a partir do momento que é feita a dragagem acontece isso”, denuncia.
Lico Tonelada insiste que o episódio causado na Baía de Sepetiba não é culpa da natureza. “Tenho 50 anos de profissão e isso não é comum na região”, acrescenta.O presidente da APAIM comenta que, caso episódios como este voltem a acontecer poderão decretar o fim da atividade, na região. “Com certeza é a extinção da classe dos pescadores. Matando os peixes como é que a gente vive?”, questiona.
Vice-presidente da Associação dos Pescadores e Lavradores da Ilha da Madeira (Aplim), Sérgio Hiroshi Okasaki alerta que uma análise da água do mar, bem como de algumas espécies, poderá identificar as reais causas do problema. “Essa mortandade é um prejuízo que destrói uma reprodução futura das espécies. Vai quebrar o elo de uma safra de camarão, por exemplo”, enfatiza Sérgio, lembrando que muitas pessoas levaram espécies para suas casas para consumir. “É um risco para a saúde. Disseram que as mortes das espécies eram provocadas por fenômeno natural, por isso as pessoas fizeram isso”, enfatizou.
Okasaki, também acredita que o incidente na Ilha da Madeira não é culpa da natureza. “É inaceitável alguém dizer que foi a natureza que causou isso. Não acredito que teve esse desequilíbrio. Se houve é porque o homem botou o dedo”, completa.




















