Mortandade na Ilha da Madeira

janeiro 25, 2013 Nenhum Comentário »

Orla amanhece pontuada de espécies como cocorocas, paratis, linguados, camarões e siris em decorrência de causas ainda não conhecidas

FRANCISCO LEÃO
francisco.leao@jornalatual.com.br 

RENATO REIS
renato.reis@jornalatual.com.br 

Espécies como cocorocas, paratis, linguados, camarões e siris agonizavam à beira-mar, na manhã desta quinta-feira (24), na Ilha da Madeira, denunciando que há algo de errado no ecossistema da Baía de Sepetiba, especialmente em sua porção que banha parte do território de Itaguaí. De nada adiantaram os dedicados esforços de pescadores que se concentraram ao longo da praia na tentativa de salvar as espécies marinhas, que agonizavam até o derradeiro destino causado por algum desequilíbrio ambiental, cuja origem não foi revelada até o fechamento dessa edição.

EXEMPLARES DE várias espécies podiam ser recolhidos ao longo da praia (Foto: Carlos Roberto)

EXEMPLARES DE várias espécies podiam ser recolhidos ao longo da praia (Foto: Carlos Roberto)

Preocupados, os pescadores recolhiam a água com o objetivo de encaminhar as autoridades do meio ambiente, num esforço para identificar a causa da mortandade. “Será que vão culpar a natureza de novo? Culpar a natureza é fácil, mas eu quero ver alguém chegar aqui pra dar uma solução nesse cenário triste. Que futuro eu tenho pra minha família?”, indignou-se o pescador Manoel Gonçalves, que vive da pesca na região há mais de 20 anos. “Até gaivotas também já morreram. É um cenário desolador pra nós que somos pescadores”, emendou Dilson Antônio dos Santos que é pescador há 50 anos. “Hoje nós, pescadores, amanhecemos de luto pelas mortes indiscriminadas desses peixes. O meu coração está triste por tudo isso que está acontecendo”, arrematou Pedro Rafael, que pesca na região há 45 anos.

CENA INCOMUM: pescadores e curiosos observam siris aos montes agonizando na praia (Fotos Carlos Roberto)

CENA INCOMUM: pescadores e curiosos observam siris aos montes agonizando na praia (Fotos Carlos Roberto)

Para secretária de Meio Ambiente, causa é a mudança de temperatura

Ao ATUAL, a secretária municipal de Meio Ambiente Agricultura e Pesca de Itaguaí, Ivana Neves Melo Couto, disse que tomou conhecimento da mortandade dos peixes através dos próprios pescadores e, que, de imediato, descolou uma equipe para o local. Ela assegura que técnicos ficaram durante todo o dia de ontem monitorando a área. 

O incidente, de acordo com a secretária, consiste num fenômeno conhecido como maré vermelha, que surge com o aumento de algas. De acordo com Ivana, o fenômeno é ocasionado principalmente pela mudança brusca da temperatura. “Isso acontece quando ocorre uma diferença muito grande da variação de temperatura num curto período de tempo”, enfatiza Ivana, lembrando que outra medida a ser tomada pela secretaria foi acionar o Instituo Estadual do Ambiente (Inea). 

A SECRETÁRIA Ivana Neves Melo Couto disse que foi alertada pelos próprios pescadores (Foto: Francisco Leão)

A SECRETÁRIA Ivana Neves Melo Couto disse que foi alertada pelos próprios pescadores (Foto: Francisco Leão)

Inea promete novas análises

A superintendente regional do Inea em Itaguaí, Sebastiana Maria Bonfim Cesário, também foi ouvida pelo ATUAL. Ela reforçou o que disse a secretária Ivana, mas acrescentou que coletas da água da praia da Ilha da Madeira foram encaminhadas para a análise da Gerência de Qualidade da Água, órgão do Inea que cuida do monitoramento ambiental. Segundo Sebastiana, as primeiras análises não levam a crer que o fenômeno tenha decorrido de qualquer despejo oriundo de indústrias da região. 

O incidente consiste num fenômeno conhecido como maré vermelha (Foto: Carlos Roberto)

O incidente consiste num fenômeno conhecido como maré vermelha (Foto: Carlos Roberto)

 

 

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