ITAGUAÍ
Vereador Nisan Cesar analisa que a mudança de tom no relacionamento entre o Executivo e o Legislativo será fundamental para organizar a cidade
O presidente Nisan vai buscar inspiração em cidades que com alternativas bem sucedidas para atrair empresas FOTO: FRANCISCO LEÃO
RENATA PIRES
renata.pires@jornalatual.com.br
RENATO REIS
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Presidente da Câmara Municipal de Itaguaí, o vereador Nisan César dos Reis Santos analisa que a mudança de governo em Itaguaí colocou a cidade em situações diametralmente opostas no que se refere ao relacionamento entre os poderes Executivo e Legislativo. Enquanto, segundo ele, a administração Charlinho se negava ao diálogo e se empenhava ao máximo em se blindar diante do compromisso constitucional de prestar informações ao Legislativo, motivando, com frequência a via judicial como alternativa, o prefeito Luciano Mota inaugurou um novo estilo, convidando, inclusive, o s vereadores a acompanharem o passo a passo da rotina de sua gestão. “Ouvir é uma arte e esta arte o nosso prefeito tem sabido fazer uso dela”, elogia Nisan, que recebeu o ATUAL em seu gabinete para uma conversa em que dá as linhas gerais do que pretende com o seu exercício na presidência da Câmara Municipal de Itaguaí.
FOTO FRANCISCO LEÃO
O presidente Nisan vai buscar inspiração em cidades que com alternativas bem sucedidas para atrair empresas
ATUAL – Com que sentimento o senhor assume a presidência da Câmara Municipal de Itaguaí?
Vereador Nisan Cesar: Com a grande responsabilidade de ser presidente da câmara da minha cidade, onde nasci e resido há 40 anos, onde tenho meus amigos e familiares, e, principalmente, pela representatividade. Hoje passo a representar os anseios do Legislativo e fazer esta ponte com o Executivo. Posso dizer que me sinto muito honrado e gratificado, inclusive porque tive voto de todos os colegas desta casa.
O que foi decisivo para o seu êxito na sua eleição?
Pergunta complicada… Credibilidade, alcançada ao longo do tempo, transparência e honestidade.
Ao longo de 15 anos?
Sim, algumas pessoas vão receber isto como uma pancada, mas como você está me perguntando estou respondendo a verdade. Essa é a verdade!
É notório que o relacionamento entre o Executivo e o Legislativo na gestão anterior teve altos e baixos em razão do temperamento do prefeito anterior. Como será a convivência com o prefeito Luciano Mota?
Nossa relação está sendo muito boa. Diferente do antecessor, o prefeito Luciano ouve, mesmo que seja para dizer não, mas ouve. Quando ele ouve, você se sente mais útil, mais proativo, mais participativo. Ouvir é uma arte e esta arte o nosso prefeito tem sabido fazer uso dela. Antes nós não éramos ouvidos. Nada do que a gente falava servia como ponto de reflexão. Tudo ele sabia mais que a gente, ou achava que sabia, porque a história mostrou que ele estava errado.
Por exemplo?
Só para ter uma ideia do que levou o candidato dele à derrota, há quatro anos eu falei com o Charlinho a respeito do salário dos funcionários e da saúde. Ele ficou sem falar comigo durante três anos. Isso mostra que eu estava certo. Esses foram pontos fundamentais que o pegaram de surpresa na campanha. Há ainda a falta de qualidade aplicada na educação, não do professor, mas da metodologia aplicada. Falamos sobre isso há quatro anos, mas como ele não ouvia…
A deputada Andréia Busatto o chamou de mal educado no dia da posse. O que aconteceu?
Na verdade, havia um calor muito grande e nós combinamos que falariam o presidente que seria empossado, em nome dos vereadores; e o prefeito, para que a cerimônia transcorresse rápida e objetiva. Ela queria falar numa sessão de posse. O Legislativo está aberto a qualquer debate ideológico que ela queira. Aliás, ela nunca quis debater nada conosco em oito anos. Como secretária de Educação, teve essa oportunidade, mas sempre fugiu. Mas repito, a Câmara Municipal de Itaguaí está aberta, não numa sessão de posse, mas no dia que ela quiser.
Integrar o PSD, um partido que caminha em direção ao governo da presidente Dilma, do PT, pode influir de alguma forma numa aliança a favor de busca de mais investimentos do governo federal na cidade?
A política partidária é muito diferente nos municípios, porque independe das siglas. Cada grupo político de uma cidade tende a buscar, a apoiar o candidato identificado com sua cidade. Em Itaguaí, nós temos um prefeito do PSDB. Como presidente da câmara, mesmo sendo do PSD, minha tendência é acompanhar o voto do prefeito.
Como o senhor analisa a ascensão política do atual prefeito?
Quando houve o assassinato do prefeito Abelardo, na eleição seguinte a população queria um prefeito duro, um xerife, e elegeu Benedito Amorim. Ele tinha esse perfil, um cara que vinha para resolver problemas, o cara que não era envolvido com a política tradicional. Depois, a população queria um governo um pouco mais flexível, e acabou elegendo o Sagário. Na eleição do Charlinho houve meio que uma decepção com a classe política da cidade e o povo resolveu buscar alguém fora. A população queria uma cara nova, que não fosse ligada à política. São momentos e não sou eu que estou dizendo isso não! É só fazer uma análise. O Luciano Mota já tinha sido candidato a deputado estadual; não tinha conseguido chamar muita atenção, mas criou uma base. Dois anos depois, ele entrou neste vácuo de poder. Novo, uma aliança bem arrumada entre PSDB e PT e obteve sucesso. Nosso grande desafio é fazer com que esse governo alcance o sucesso efetivo, não só aquele alcançado nas urnas.
Essa é a maior expectativa?
Sim! É a maior expectativa e o desejo de todos os vereadores.
Como o senhor pretende conduzir o compromisso constitucional de exercer a fiscalização sobre o Executivo?
Vejo hoje um governo muito aberto, que não tem nada a esconder, e que tem, inclusive, nos sugerido visitas há vários setores da prefeitura para acompanhar o trabalho deles. Nós temos participado de coisas que como vereadores nunca tínhamos participado. Nos últimos oito anos nós só conseguíamos cópias de convênios da prefeitura através de requerimento votado em plenário, contra a bancada do prefeito, ou então através de medidas judiciais e de denúncias ao MP. Só assim conseguíamos documentos para exercer a fiscalização. Mesmo assim, fizemos denúncias e entregamos ao Judiciário.
Qual o destino dessas denúncias?
Ah! Se isso ou aquilo não foi apurado, não é problema nosso! Constitucionalmente nós fizemos o que tinha que ser feito. Apuramos, abrimos e concluímos as CPIs e entregamos ao Ministério Público. Cabe agora aos órgãos judiciais chegarem às conclusões. Estou muito tranquilo em relação ao passado, porque se houve alguma coisa errada, foi denunciada.
Qual a prioridade em relação à Legislatura, especificamente?
A primeira prioridade é estar à disposição do prefeito, do Executivo, dar-lhe todo o apoio técnico para que ele possa desenvolver da melhor forma possível o seu trabalho. A câmara está ao lado do prefeito para que ele possa governar da melhor forma possível.
E as preocupações?
Ajudar a prefeitura para que tenhamos grande desempenho na saúde, na educação e na formação técnica dos jovens para inseri-los no mercado de trabalho. Hoje poucas cidades no Brasil têm a qualidade de empresas que temos aqui, mas nossos jovens não estão trabalhando nelas porque não demos essa qualificação. Temos que montarescolas técnicas e massificar o ensino para esses jovens. A ideia é fazer com que até o final deste mandato nós estejamos exportando jovens para outros municípios e estados, fazendo um movimento ao contrário, porque ele vai, mas gasta aqui.
Levando em conta o potencial de Itaguaí, de abrigar grandes indústrias, que cuidados o Legislativo deve ter em relação ao setor?
A Prefeitura de Itaguaí arrecadou no último ano R$ 532 milhões, dos quais R$ 221 milhões foram de ISS. Onde está sendo gerado esse ISS? Na região portuária da nossa cidade. Isso é muito bacana, mas e quando as obras acabarem? Como manter esta arrecadação em nível crescente? A nossa arrecadação em 2013 está projetada para R$ 600 milhões. Como a câmara vai trabalhar junto com a prefeitura? Trazendo investimentos, prédios, centros comerciais, hospitais, outro shopping center…
Há estrutura para isso?
Nos últimos quatro anos várias empresas quiseram entrar na cidade, mas foram rechaçadas. Elas estão nos procurando agora. Só uma delas quer construir praticamente uma nova cidade na Vila Margarida, com 28 prédios e 4.480 apartamentos. No final do mês vou a cidades com grande potencial de atrair empresas, como Barueri, em São Paulo, que abriga a sede física de todas as empresas de leasing do Brasil. Oferecendo
uma alíquota menor de ISS ela levou as empresas para lá, tornando-se a capital nacional destas empresas, porque o ISS é recolhido na sede. Precisamos imediatamente buscar cada vez mais recursos. Vou conversar com o secretário de Fazenda para saber o que a câmara pode fazer para ajudar.



















Bem, os vereadores deixavam o ex prefeito fazer o que bem queria.
A questão da Andréia Busatto , tinha q ter tomado essa atitude mesmo, mal educado foi o marido dela q ñ compareceu.