Traficantes festejam e promovem rastro de mais sangue depois da morte dos PMs

setembro 22, 2011 1 Comentário »

Uma menina, de 13 anos, morreu no Morro do Juramento, de onde partiu o bonde de marginais que tentou atacar CSA e comunidades de Itaguaí.  Em resposta à morte de policiais, operação do 27º BPM termina com três mortos no Rola, em Santa Cruz. Traficantes estariam festejando a morte dos PMs e mandam fechar o comércio no bairro, em represália à morte dos comparsas

Não saiu barato as investidas que os traficantes do Morro do Juramento, no Rio – todos integrantes do CVRL (Comando Vermelho Rogério Lengruber) – tentaram fazer em Itaguaí, onde procuraram comunidades para instalar um forte braço armado, e também, por desconhecimento da região ou ousadia, tentar invadir as dependências industriais da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA),  multinacional alemã e um das mais importantes do Estado. Nesta segunda, dois PMs foram mortos covardemente, ao serem surpreendidos por integrantes de um dos carros do “bonde”, ao serem chamados para o interior da empresa.

No mesmo instante em que aconteceu o confronto entre os traficantes e a viatura composta pelo primeiro sargento Antônio Bezerra de Assunção, 52, e o soldado Alex Alves da Silva, de 34, o 27º BPM (Santa Cruz), onde eram lotados os dois policiais, montou uma operação reunindo perto de 50 homens que tiveram o apoio de um “caveirão” da corporação, como resposta ao episódio.

Os policiais seguiam informações de que parte do “bonde” havia se alojado em favelas de Santa Cruz, como as do Rola, perto do centro do bairro, e de Antares, onde o Comando Vermelho têm bases depois de receberem traficantes foragidos do Complexo do Alemão, na Penha, e do Juramento, em Vicente de Carvalho,  que vem sendo sistematicamente atacado por soldados do 41º BPM(Irajá).

Mortes e apreensões

Na operação da Polícia Militar, realizada no final da tarde de ontem na Favela do Rola, em Santa Cruz, o saldo foi de três homens mortos, quando o confronto já atingia o final da noite. Segundo a PM, todos tinham ligação com o tráfico de drogas. Até o final da edição a identificação dos criminosos ainda não tinha sido levantada pela polícia. O intenso tiroteio deixou moradores apavorados, e ontem, pela manhã, havia reflexos da operação com o fechamento da Clínica da Família, próximo ao local.

Os traficantes ordenaram o fechamento do comércio de Santa Cruz, como luto pela morte dos marginais. Durante a operação no Rola a PM apreendeu uma escopeta calibre 12, uma pistola com mira a laser, 63 pedras de crack e 72 cápsulas de cocaína.

Festa e nova apreensão

Informações chegadas ao Disque-Denúncia, repassadas à PM, davam conta de que os traficantes, de Itaguaí e de Santa Cruz,  estariam reunidos na favela do Rola para festejar a morte dos policiais ocorrida na CSA. Por isso também a investida da polícia na favela, que resultou na morte de três acusados de envolvimento.

 Os policiais também estiveram na Favela de Antares. Segundo a Polícia Militar, na ação também foram apreendidas três armas, sendo três pistolas, duas de calibre 40 e uma 9 milímetros, que foram levadas para a 35ª DP, em Campo Grande, também na Zona Oeste.

Operação e morte no Juramento

Numa ação conjunta, policiais do 41º BPM(Irajá) realizaram na manhã de ontem operação no morro do Juramento, com objetivo de prender a quadrilha que atacou os PMs na CSA, e trocado tiros com integrantes do 24º BPM(Queimados) em Itaguaí, quando saiu ferido o chefe da operação, tenente Fernando Barbosa, com um tiro de raspão no pescoço. Segundo o comandante do 41º BPM, Tenente-Coronel Alexandre Fontenelle, o tráfico no Juramento é controlado pela mesma facção criminosa que atua em Santa Cruz e, por isso, pode haver algum suspeito do crime escondido no morro.

O batalhão também procurava o autor do disparo que matou uma menina de 13 anos que, a princípio, estaria sendo dado como crime passional pela família, possivelmente orientada pelos traficantes a manter esta versão.

O pai da adolescente contou que acredita que a filha foi vítima de crime passional. O metalúrgico Moacir dos Santos Alves disse que amigas da jovem contaram que ela foi atingida por um tiro na nuca disparado por um rapaz que queria namorar com ela, mas não teve o romance correspondido.

Segundo Moacir, as amigas relataram a ele que a adolescente estava em uma lan house na favela, quando foi supreeendida pelo rapaz. Ainda de acordo com a versão das amigas, o homem tentou entrar no estabelecimento para conversar com a menina, mas foi repreendido por ela. Após discutirem, o homem teria pego a arma de um traficante que atua em uma boca de fumo próximo à lan house e disparado contra a menina.

Moacir contou que convivia pouco com a filha, e por isso, não tem detalhes sobre o rapaz. “Não sei se ele é menor de idade. Me contaram que ele mora no Morro do Juramento, vizinho ao Morro do Juramento, e que tinha costume de perseguir minha filha”, falou o pai.

A mãe da menina prestou depoimento na noite desta terça-feira na Divisão de Homicídios (DH), responsável pelas investigações. Após ser ferida, a vítima chegou a ser levada para o Posto de Assistência Médica (PAM) de Del Castilho, no subúrbio da cidade, mas já chegou morta à unidade.

Versão desencontrada

Em telefonema dado ontem pela manhã para a Rádio BandNews FM,  e divulgado pelo jornalista Ricardo Boechat, uma testemunha relatou que a menina fora vítima de um tiro disparado acidentalmente por traficantes que estariam examinando uma arma nova. O tiro acertou o pescoço da menina. Os traficantes, foragidos, ainda de acordo com o informante, do Complexo do Alemão, na Penha, estariam entocados no Morro do Juramento, conhecido na década de 80 como reduto do traficante José dos Reis Encina, o Escadinha, um dos maiores líderes do Comando Vermelho. Escadinha viria a ser assassinado, anos depois, na Avenida Brasil, em Realengo, depois de ter abandonado o tráfico.

Retrospecto de Itaguaí (box)

Os traficantes estavam rondando comunidades de Itaguaí, em parte do “bonde”, e um dos carros, um Gol prata, teria servido para atacar os PMs  na CSA, quando foram interceptados por policiais do 24º BPM na localidade denominada Sem Terra.  Um dos carros, o Honda Fit, placa KWZ 4491, cinza grafite, usado por três traficantes foi abandonado e dentro dele a polícia encontrou carregadores de fuzil calibre 762, e mais de mil papelotes de cocaína, crack, embalagens de drogas e rádios-transmissores.

O chamado “bonde”, que estaria ocupando quatro veículos, utilizaria os rádios para controlar a operação de tomada de locais na cidade, e na operação da CSA. O fuzil 762, usado na guerra do Iraque, pelas forças de ocupação dos Estados Unidos, seria uma das armas usadas para matar o sargento e o soldado da PM, em Santa Cruz.

 

Um comentário

  1. tania 26/09/2011 at 2:12 pm -

    o prefeito de itaguai só está asfaltando ruas e a população sofrendo nas mãos de traficantes!! asfalto dá dinheiro a população não!!

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