Produção alimentícia a partir de subprodutos

novembro 22, 2012 Nenhum Comentário »

TECNOLOGIA & INOVAÇÃO

Pesquisa da Embrapa usa resíduos industriais para produzir alimentos mais baratos

Resíduo de cevada passando pelo processo de extrusão termoplástica - FOTOS DIVULGAÇÃO

Resíduo de cevada passando pelo processo de extrusão termoplástica – FOTOS DIVULGAÇÃO

Natália Figueiredo

natalia.figueiredo@jornalatual.com.br

Cascas de maracujá, bagaço de cana, resíduos da cevada, todos esses materiais descartados durante a produção das indústrias alimentícias ganharam importância, a partir da pesquisa do pesquisador e engenheiro agrônomo Carlos Wanderlei Piler de Carvalho, a qual mostra como o aproveitamento de resíduos indústrias pode contribuir para a produção de alimentos de qualidade e mais baratos.

O projeto se chama Aproveitamento de Coprodutos das Agroindústrias de Cana-de-Açúcar, de Suco e de Cerveja do Estado do Rio de Janeiro no Desenvolvimento de Produtos Alimentícios por Extrusão Termoplástica e é uma parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e alunos de doutorado e mestrado de universidades federais do Rio de Janeiro.

Os co-pordutos geram alimentos como o biscoito de arroz e maracujá

Os co-pordutos geram alimentos como o biscoito de arroz e maracujá

A pesquisa aproveita resíduos da produção de açúcar/álcool, cerveja e suco de maracujá, por meio de uma tecnologia chamada extrusão termoplástica. “A extrusão termoplástica é uma tecnologia de processo que utiliza uma máquina de tratamento térmico. É uma combinação de calor, umidade e processo mecânico em que se colocam os resíduos. Com isso você tem a alteração das matérias primas, dando-lhe novas formas, estruturas e características nutricionais”, explicou Carvalho.

O pesquisador diz que nessa máquina é colocada uma farinha de arroz, preparada separadamente, juntamente com o bagaço de cana-de-açúcar, da cevada ou a casca do maracujá, que são submetidos a altas temperaturas na hora do cozimento. Diante dessa pressão, os resíduos são moldados em forma de salgadinho, do mesmo tipo que se vendem em mercados, e cereais matinais, que são aproveitados como fontes de nutrientes, em especial fibras e minerais, e utilizados na elaboração de diversos alimentos, como farinha e amido de milho.

O projeto resulta na produção de cereal matinal de maracujá e arroz

O projeto resulta na produção de cereal matinal de maracujá e arroz

A pesquisa já acontece há cinco anos no laboratório da Embrapa de Guaratiba, zona oeste do Rio, orientando mais de 90 alunos, entre graduandos, mestrandos e doutorandos da UFRJ, da UFRuralRJ e a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Somente da Rural participam cinco alunos, sendo dois graduandos e três de doutorado.  “Esta é uma ideia antiga de combinar diferentes materiais primas com maior teor de fibra alimentar. O grupo trabalha no processamento de alimentos, desenvolvendo produtos através de co-produtos das indústrias do RJ, cada uma com pelo menos um resíduo. Alternativas possíveis no campo nutricional já que algumas usinas, como a de cana e de cevada, sem saber o que fazer com seus resíduos acabavam utilizando para queima ou vendendo ração animal respectivamente”, diz Carvalho.

De acordo com o coordenador, o aproveitamento desses produtos com maior teor de fibra que os produtos tradicionais, tem sido cada vez mais levado em consideração pela sociedade. “Está havendo maior distribuição desses alimentos por um custo menor. Estamos com a intenção de aumentar o valor agregado para quem vende os produtos e dar uma alternativa de uso desse coproduto. É preciso investir cada vez mais em pesquisa para se poder viabilizar esses estudos”, diz

Elisabete Costa é aluna de doutorado da UFRuralRJ e desde março deste ano participa do projeto, na área de resíduo de maracujá (casca- albedo). “Neste projeto preciso antes inativar a toxicidade que existe na casca. Vi que pouco já havia sido trabalhado neste sentido, em extrusão termoplástica no país. Estou feliz por ter observado que nesse único trabalho existe a possibilidade de diminuir consideravelmente a parte tóxica. Sou nutricionista e tenho uma grande preocupação com a população aderindo à ‘modas’ de novos produtos milagrosos. Acredito que realmente existam resíduos ricos em fibra, como é o caso da casca do maracujá, e que possam ter uma boa utilização”, concluiu.

Farinha de maracujá produzida

Farinha de maracujá produzida

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