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Sep 21, 2018 Last Updated 8:27 PM, Sep 20, 2018

Servidores denunciam irregularidades na perícia de Itaguaí

Publicado em Poder
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Segundo a denúncia, médicos peritos estão suspendendo tratamento psiquiátrico de servidores licenciados para atender uma lei do prefeito Charlinho, aprovada na Câmara Municipal 

DENÚNCIA Servidores de Itaguaí denunciam irregularidades na perícia médica do município que vem suspendendo o licenciamento de funcionários que estão em tratamento. A denúncia foi divulgada pelo SBT Rio nesta terça-feira (10).

A reportagem da emissora mostrou a funcionária Rosa Luzia Santiago da Silva que passou mal no estacionamento da prefeitura, após ter sido comunicada por um perito municipal que ela estava apta a voltar ao trabalho mesmo com laudo de afastamento dado por outro psiquiatra.  Na ocasião, outros servidores que filmaram o desespero da colega, relataram que a funcionaria da rede municipal de ensino não tem condições de voltar ao serviço.

De acordo com servidores, o médico perito do município destratou a funcionaria que passou mal. Outra servidora que aparece na filmagem disse que foi agredida pelo diretor da perícia médica, que na reportagem teve o seu nome divulgado como doutor José Figueiredo. “Ele me agrediu, me empurrou e colocou o dedo na minha cara pedindo para que eu me calasse”, disse uma funcionária à equipe de reportagem do SBT Rio.

Segundo a reportagem, funcionários que estão com laudos médicos com problemas psiquiátricos e sem condições de trabalhar são colocados aptos para voltarem aos postos de trabalho.  Ainda de acordo com a reportagem, as denúncias já foram encaminhadas ao Ministério Público (MP).

Uma servidora que não quis se identificar contou que no dia do seu atendimento na perícia, quem estava consultando era um médico dermatologista. Segundo ela, na ocasião o médico perito havia faltado, e o dermatologista deu alta para todos os pacientes que estavam licenciados.

O vereador André Amorim (PR) disse a equipe de reportagem do SBT Rio que essas decisões estão ocorrendo para atender uma lei do prefeito Carlo Busatto Júnior (MDB), o Charlinho, que foi aprovada pela Câmara Municipal de Itaguaí (CMI). A lei aprovada pelo Legislativo é de incentivo ao programa voluntário de aposentadoria. “É o Poder Executivo querendo se valer de uma situação que não é favorável ao servidor público para fazer a folha de pagamento proporcionalmente diminuir em relação à arrecadação do município”, ressaltou o parlamentar a emissora de TV.

  VEREADOR CONFIRMA DENÚNCIAS

 

Ao ATUAL, o vereador André Amorim disse que as informações que chegam ao seu conhecimento são de que existem médicos na perícia que não especializados. Segundo o parlamentar, as denúncias dão conta de que esses profissionais peritos estão contestando laudos psiquiátricos, porém a especialidade desses médicos, em caso específico é dermatologia. “Devido à quantidade de casos que tem surgido a mim, parece que já tinha algumas situações absurdas como as que estão se mostrando. Pessoas que nitidamente não estão capacitadas a trabalhar estão recebendo alta retornar ao serviço. Ao que me parece, elas estão ligadas a desoneração de folha. O prefeito Charlinho quer que esses servidores forçosamente, ou peçam suas exonerações ou, peçam as suas aposentadorias para desonerar a folha do município. No caso, passando as aposentadorias para Itaprev. Isso precisa ser visto e apurado. Particularmente, não tenho a capacidade técnica de contestar qualquer situação desta de laudo, portanto, o que pretendo fazer em breve é uma visita ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), para saber como funciona essa questão de perícia médica”, explicou o parlamentar.

 NOTA DA PREFEITURA

 

Em nota encaminhada a equipe de reportagem do SBT Rio, a Prefeitura de Itaguaí informou que a denúncia não é verdadeira, porque a servidora que aprece no vídeo caída ainda estava no aguardo da perícia médica sem saber se seria licenciada ou não. Segundo a nota, a servidora foi avaliada por dois médicos, atendida e depois liberada, mas que não está impedida de continuar o tratamento psiquiátrico.