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Jul 23, 2018 Last Updated 1:48 PM, Jul 20, 2018

Repetro: projeto de lei entrará em pauta até o dia 15 de abril

Publicado em Poder
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Perda de empregos e diminuição dos postos de trabalho no estado foram algumas das preocupações apresentadas pelos sindicalistas durante reunião

PROPOSTA O presidente em exercício da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), deputado André Ceciliano (PT), informou que colocará em pauta até o dia 15 de abril o projeto que muda regras do Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação (Repetro) no estado. A medida foi anunciada na quarta-feira (28), durante reunião com integrantes de sindicatos do setor. O projeto de lei 3.660/17, que vem sendo discutido em uma série de encontros, deverá manter o regime de benefícios fiscais na íntegra para a fase de exploração nos campos maduros na Bacia de Campos e para as indústrias do setor instaladas no estado do Rio.

A proposta em debate muda o Repetro nos novos campos, em que o benefício será concedido apenas na fase exploratória. “O Rio de Janeiro não precisa estar no Repetro nesses casos porque já oferece uma série de mecanismos de isenções para a cadeia de petróleo, gás, e indústria naval. São 21 dispositivos, dentre eles, o que desonera do ICMS as aquisições de insumos e materiais para construção de embarcações, bem como para construção de plataformas petrolíferas destinadas à exploração, perfuração e produção de petróleo”, defendeu Ceciliano.

O objetivo destes encontros com os trabalhadores é tirar dúvidas sobre a proposta que, segundo o parlamentar, fortalece os municípios produtores e gera empregos. “O Repetro estendido até 2040 favorece as empresas estrangeiras em detrimento da indústria nacional”, afirmou.

 

Apoio ao projeto

A perda de empregos e a diminuição dos postos de trabalho no estado do Rio foram algumas das preocupações apresentadas pelos sindicalistas durante a reunião. No entanto, após a explicação do autor do projeto, alguns trabalhadores, como Edson Carlos da Silva, presidente do Sindicato de Metalúrgicos de Niterói, saíram confiantes de que, com a aprovação do projeto, não haverá risco para o aumento do desemprego no setor. “A gente vê que o trabalho que está sendo feito aqui é o que o Brasil inteiro deveria fazer. Dar isenção ao que é necessário e onerar o que não precisa. Se temos uma indústria no país que fabrica um determinado equipamento, porque vamos desonerar o que vem de fora? Temos que forçar a indústria a fomentar o que é nosso”, argumentou Edson.

Segundo o presidente da Comissão de Tributação da Alerj deputado Luiz Paulo (PSDB), o Rio de Janeiro concede, por ano, incentivos fiscais em diversas áreas, na ordem de R$ 8,5 bilhões e, no entanto, é o estado com maior índice de desemprego. “Nem sempre as isenções são sinônimo de emprego e renda e essa é prova. O Rio precisa voltar a ser beneficiado com emprego, renda e arrecadação”, frisou o parlamentar, que também é autor do projeto de decreto legislativo que revoga outro decreto do Executivo que formalizou a entrada do estado no Repetro.

 

Análise de especialista

Economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Mauro Osório esteve na reunião e pontuou que 80% das empresas que atendem o setor de extração de petróleo atualmente, não estão no Rio, e que a exploração da matéria gera pouca receita para os cofres públicos. “O estado não recebe quando o petróleo é extraído, pois o valor é cobrado no local de destino, também não é taxado quando é exportado, devido a Lei Kandir, que nunca foi cumprida de forma adequada. E, com o Repetro, também deixaríamos de cobrar ICMS com a chegada de equipamentos. Seria mais uma perda para os cofres públicos. Temos que ficar atentos a isso”, alertou Mauro Osório.

O economista também tranquilizou os trabalhadores. “As bacias de petróleo já estão majoritariamente aqui, então a margem de lucro de fato é muito alta. Não será por deixar de dar incentivo que o Rio vai perder competitividade. É preciso lembrar que as indústrias instaladas no Rio terão isenção e, com isso, você cria uma política que vai gerar atratividade para que novas empresas passem a produzir equipamentos de petróleo também no Rio de Janeiro”, concluiu Mauro Osório.