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Jun 19, 2018 Last Updated 3:32 PM, Jun 15, 2018

Itaguaí continua no escuro mesmo após aumento nas contas

Mesmo após decreto do prefeito de Itaguaí, que aumenta taxa de iluminação, inúmeros pontos não têm lâmpadas Mesmo após decreto do prefeito de Itaguaí, que aumenta taxa de iluminação, inúmeros pontos não têm lâmpadas FOTO CLEITON BEZERRA
Publicado em Cotidiano
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No dia 19 de setembro, o prefeito de Itaguaí baixou decreto com alteração da taxa e, até hoje, população continua vivendo às escuras

FAÇA-SE A LUZ- Que Itaguaí está um breu, isso é notório. Pelas ruas de vários bairros, inclusive no centro, pode-se notar a falta de lâmpadas que funcionem nos postes. Durante o ano passado, o assunto foi tema de discussão nas sessões da Câmara Municipal inúmeras vezes, porém parece não ter surtido efeito. O decreto nº 4.245 do prefeito de Itaguaí, Carlo Busatto Junior, o Charlinho (PMDB), publicado no dia 20 de setembro, reajustou a Contribuição de Iluminação Pública (CIP), referente ao exercício 2018, em até 93%.

A ação do prefeito Carlo Busatto Junior, o Charlinho (PMDB), pegou muita gente de surpresa e causou revolta, na época. Quase quatro meses depois da publicação do decreto, ao circular pela cidade, é possível observar que pouca coisa mudou e Itaguaí continua às escuras.

Para a líder comunitária do bairro Ibirapitanga, Mizarete Barbosa, a situação soa como uma afronta. “Como pode esse aumento, se nós não temos iluminação no município? Isso é ridículo da parte deles. Eu só posso aumentar uma coisa que forneço e com qualidade. As ruas estão às escuras. Não há qualidade nesse serviço. Na minha opinião, o Executivo está querendo tirar o pouquinho que o povo tem, para aumentar a arrecadação deles. Isso é revoltante”, disse a líder comunitária.

ARMADILHA

De mesmo ponto de vista é a outra moradora de Ibirapitanga, Luciane Bispo, que mora na esquina da Avenida Ana Augusta com a Rua Catarina Paraguaçu. Ela considera vergonhoso o aumento da taxa. “Esse aumento é absurdo, porque não tem luz aqui. A rua inteira fica no escuro. A rua não, o bairro inteiro fica no escuro. A gente tem que andar no escuro e como se não bastasse, aqui na esquina da minha casa fica um buraco enorme. Bem embaixo do poste. Ou seja, uma verdadeira armadilha para quem passa no escuro”, desabafa Luciane.

Para a moradora da Rua Joaquim Nabuco, Adriana Torres, o aumento é totalmente descabido. “Eu acho um absurdo esse decreto do Charlinho. Na minha rua falta iluminação. É tudo escuro e a gente já paga por uma coisa que não tem e agora ainda vai ter aumento? Isso é um absurdo. Nós estamos sendo enganados”, disse.

Em outra área, o morador do centro, Cristiano Lopes, afirma que a falta de iluminação tem chamado a atenção de todos e que ele já estava discutindo o assunto com amigos há mais de três semanas e por isso, jamais esperava um aumento na taxa. “Esse decreto me pegou de surpresa. Eu não moro em local afastado, e isso nem justificaria a falta de luz, mas é uma vergonha as ruas do centro ficarem no escuro. Moro na Rua Vereador Darcy Teixeira Fontes e a falta de iluminação aumenta o perigo. Eu estou furioso”, revela Cristiano, que ainda diz que a taxa não deveria ser cobrada ou pelo menos ser reduzida.

Praça em Vila Margarida. Durante a noite, sem iluminação pública o lugar fica às escuras e moradores pedem mais segurança para o local

CÂMARA

Em discussões na Câmara Municipal, sobre o problema na iluminação pública da cidade no ano passado, o parlamentar Willian Cezar (PSB) chegou a chamar a cidade de ‘A cidade do breu’. A partir daí, o líder do governo, Sandro da Hermínio, passou a falar sobre o assunto também. Em sessão do dia 5 de setembro, ele afirmou que não sabe como a gestão anterior colocou 27 mil lâmpadas em todos os pontos da cidade em 2016, quando o normal seriam cerca de cinco mil. Ele ainda repetiu as dificuldades sobre os processos licitatórios. Sandro só não falou sobre as intenções da gestão atual de decretar o aumento na taxa de iluminação municipal em uma cidade que está nas trevas.

 

O ATUAL entrou em contato com a prefeitura, na época, para saber os motivos que levaram o governo a implementar um reajuste que chega a 93% na CIP. Um engenheiro da prefeitura entrou em contato com a reportagem para saber mais detalhes sobre o que de fato estava acontecendo e tomar conhecimento do decreto. Ele disse que era morador da cidade e que trabalhava, justamente, no setor de iluminação, mas que não estava sabendo de tal decreto. Parece que a surpresa foi geral. O Decreto Municipal 4.245 foi publicado sem alarde, na calada da noite escura, pois não há luz e até hoje a cidade vive às escuras.