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Deputado quer colocar armas nas mãos da Guarda Municipal

Publicado em Poder
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Para Aramis Brito, a saída para a cidade é descentralizar a polícia e armar a Guarda Municipal

BANG BANG Na contramão dos que são contra o armamento da Guarda Municipal, como a população de Niterói, que disse “não” em plebiscito no último domingo (29), o deputado estadual Aramis Brito (PHS) defende o armamento da guarda. A defesa foi feita em sua página no Facebook, depois de um fim de semana em que Itaguaí ficou manchado de sangue pela violência. Um policial militar e um jovem evangélico foram assassinados.

Para Aramis, a saída para o problema da cidade é preparar a guarda para combater a criminalidade. “Eu defendo uma tese de que precisa acontecer a descentralização da polícia. Cada município é responsável pela sua polícia. Mas isso é uma coisa mais para a frente. Neste momento, nós temos a oportunidade de ter uma guarda municipal preventiva, com trabalho ostensivo, portando arma de fogo para ser um eixo de apoio concreto em relação à violência que nos assola”.

Na capital, o tema entra em pauta na Câmara de Vereadores no começo do ano que vem, quando será discutido um projeto que altera a Lei Orgânica do município, de 1990, com este fim. Mas ao contrário do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PV), que assim como Aramis, faz campanha pelo “sim”, o prefeito da capital fluminense, Marcelo Crivella (PRB), não se posicionou firmemente sobre a questão.

Em seu vídeo, Aramis Brito afirma que enviou ofício para os 17 vereadores da cidade, além do prefeito Carlo Busatto Junior, e que não obteve resposta de nenhum deles. Aramis não recebeu o apoio que esperava. A questão é realmente polêmica, principalmente depois de casos como o ocorrido na escola em Goiás, em que um menino de 14 anos matou dois colegas de sala de aula. Muitos atribuem a tragédia ao acesso fácil às armas.

A reportagem do ATUAL ouviu dois vereadores de Itaguaí. Ambos se posicionaram contrários à ideia do deputado. “A minha opinião é a de que nós não temos um contingente da Guarda Municipal efetivo. O regimento interno da Casa diz que para armar uma GM, o primeiro passo é ter concurso público. Hoje, de todos esses guardas contratados só sete são efetivos. Eu ainda não respondi ao deputado. Hoje os suprapartidários se reuniram para falar desse assunto, mas a minha opinião é de que nós não podemos armar uma guarda assim. Armar uma guarda é uma responsabilidade muito grande. Você não sabe qual a condição psicológica de cada guarda”, disse o vereador Ivanzinho (PSB).

Para André Amorim (PR), existem vários motivos para não se armar a GM. “O primeiro deles é a gente está falando em combater a violência colocando mais armas na rua. O segundo ponto é que saber como o município pretende resolver uma situação emergencial se é preciso tempo para se colocar uma GM bem treinada para usar armada na rua. E uma terceira situação é que desses guardas municipais concursados, porque só guardas concursados podem portar armas, muitos deles residem fora de Itaguaí. Então a pessoa vem, trabalha o dia todo combatendo a criminalidade e no final do dia como é que ele faz para voltar para a casa dele? Eu sou obrigado a dar um porte de arma para ele andar armado 24 horas?”, questionou o parlamentar.

Amorim também questionou a preparação do guarda armado. “Como vai ser feito, numa cidade que não consegue comprar esparadrapo para o hospital, o acompanhamento psicotécnico, um acompanhamento multidisciplinar desse policial que anda armado? Para mim é uma questão que já nasce morta”.

Parece que a ideia de colocar armas de fogo nas mãos de guardas municipais ainda não ganhou eco por essas bandas. A conferir.

Dilceia Norberto

 

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