Nov 17, 2017 Last Updated 5:46 PM, Nov 17, 2017

Deputado quer colocar armas nas mãos da Guarda Municipal

Membros da GM de Itaguaí em desfile cívico de 2016. Será seguro colocar armas nas mãos deles? Membros da GM de Itaguaí em desfile cívico de 2016. Será seguro colocar armas nas mãos deles? (FOTO DIVULGAÇÃO)
Publicado em Poder
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Para Aramis Brito, a saída para a cidade é descentralizar a polícia e armar a Guarda Municipal

BANG BANG Na contramão dos que são contra o armamento da Guarda Municipal, como a população de Niterói, que disse “não” em plebiscito no último domingo (29), o deputado estadual Aramis Brito (PHS) defende o armamento da guarda. A defesa foi feita em sua página no Facebook, depois de um fim de semana em que Itaguaí ficou manchado de sangue pela violência. Um policial militar e um jovem evangélico foram assassinados.

Para Aramis, a saída para o problema da cidade é preparar a guarda para combater a criminalidade. “Eu defendo uma tese de que precisa acontecer a descentralização da polícia. Cada município é responsável pela sua polícia. Mas isso é uma coisa mais para a frente. Neste momento, nós temos a oportunidade de ter uma guarda municipal preventiva, com trabalho ostensivo, portando arma de fogo para ser um eixo de apoio concreto em relação à violência que nos assola”.

Na capital, o tema entra em pauta na Câmara de Vereadores no começo do ano que vem, quando será discutido um projeto que altera a Lei Orgânica do município, de 1990, com este fim. Mas ao contrário do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PV), que assim como Aramis, faz campanha pelo “sim”, o prefeito da capital fluminense, Marcelo Crivella (PRB), não se posicionou firmemente sobre a questão.

Em seu vídeo, Aramis Brito afirma que enviou ofício para os 17 vereadores da cidade, além do prefeito Carlo Busatto Junior, e que não obteve resposta de nenhum deles. Aramis não recebeu o apoio que esperava. A questão é realmente polêmica, principalmente depois de casos como o ocorrido na escola em Goiás, em que um menino de 14 anos matou dois colegas de sala de aula. Muitos atribuem a tragédia ao acesso fácil às armas.

A reportagem do ATUAL ouviu dois vereadores de Itaguaí. Ambos se posicionaram contrários à ideia do deputado. “A minha opinião é a de que nós não temos um contingente da Guarda Municipal efetivo. O regimento interno da Casa diz que para armar uma GM, o primeiro passo é ter concurso público. Hoje, de todos esses guardas contratados só sete são efetivos. Eu ainda não respondi ao deputado. Hoje os suprapartidários se reuniram para falar desse assunto, mas a minha opinião é de que nós não podemos armar uma guarda assim. Armar uma guarda é uma responsabilidade muito grande. Você não sabe qual a condição psicológica de cada guarda”, disse o vereador Ivanzinho (PSB).

Para André Amorim (PR), existem vários motivos para não se armar a GM. “O primeiro deles é a gente está falando em combater a violência colocando mais armas na rua. O segundo ponto é que saber como o município pretende resolver uma situação emergencial se é preciso tempo para se colocar uma GM bem treinada para usar armada na rua. E uma terceira situação é que desses guardas municipais concursados, porque só guardas concursados podem portar armas, muitos deles residem fora de Itaguaí. Então a pessoa vem, trabalha o dia todo combatendo a criminalidade e no final do dia como é que ele faz para voltar para a casa dele? Eu sou obrigado a dar um porte de arma para ele andar armado 24 horas?”, questionou o parlamentar.

Amorim também questionou a preparação do guarda armado. “Como vai ser feito, numa cidade que não consegue comprar esparadrapo para o hospital, o acompanhamento psicotécnico, um acompanhamento multidisciplinar desse policial que anda armado? Para mim é uma questão que já nasce morta”.

Parece que a ideia de colocar armas de fogo nas mãos de guardas municipais ainda não ganhou eco por essas bandas. A conferir.

Dilceia Norberto

 

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