Nov 17, 2017 Last Updated 5:46 PM, Nov 17, 2017

Apesar de campanha para manter aparelho na caixa, CPI do tomógrafo segue

Vinicius Alves em seu gabinete fala da CPI do tomógrafo Vinicius Alves em seu gabinete fala da CPI do tomógrafo FOTO DILCEIA NORBERTO
Publicado em Poder
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Como presidente da CPI, Vinicius Alves diz que é questão de honra colocar o aparelho para funcionar

LABUTA A cada dia o noticiário mostra os problemas de saúde no estado do Rio de Janeiro. No município de Itaguaí, a situação não é muito diferente. São inúmeros problemas que vão desde a UPA fechada, até um tomógrafo encaixotado em um canto de um corredor do Hospital Municipal São Francisco Xavier e tudo que envolve a obra para instalação do equipamento. Após rumores de irregularidades no uso do dinheiro para a obra que deveria aprontar uma sala para instalar o tomógrafo, a Câmara de Vereadores aprovou uma CPI para apurar o caso. O presidente é o vereador Vinicius Alves (PRB), que tem como companheiros na empreitada os também novatos Gil Torres (PTN), Minoro Fukamati (PSD), Junior do Sítio (PV) e Haroldo de Jesus (PSDB).

O ATUAL entrevistou Vinicius Alves e questionou a demora da conclusão da CPI. Cercado por uma pilha de documentos em seu gabinete, o parlamentar disse que apesar de ter pedido prorrogação do prazo para concluir os trabalhos, o prazo não foi ultrapassado. O tempo todo falou que foi colocado na posição em que está, pois ninguém quis pegar essa CPI. Falou ainda das dificuldades de se começar do zero, da falta de ajuda de outros parlamentares e da decepção com a postura de alguns colegas. Vinicius revelou também a campanha que há para manter o tomógrafo na caixa, mas disse que é uma questão de honra coloca-lo para funcionar.

O que o senhor viu da CPI até agora sobre essa obra do tomógrafo?

É o meu primeiro mandato e eu tive que aprender algumas coisas com pessoas mais experientes e venho estudando o caso. Para mim está sendo muito trabalhoso, porque eu estou levando isso muito a sério. Hoje eu tenho mais de mil páginas estudadas. A cada dia surge uma nova informação e o tempo estimulado por nosso Regimento Interno, no seu artigo 3, parágrafo 3º, fala sobre prazo e, em plenário, eu pedi prorrogação do tempo porque faltam ainda três pessoas para serem ouvidas.

Que prazo o senhor dá para finalizar os trabalhos?

Eu acredito que finalizo essa CPI dentro de 30, 40 dias, junto com os membros. Em 30 de novembro. Quando a comissão se reúne, a gente sempre leva dois procuradores para nos auxiliar nas questões técnicas. É o que eu costumo dizer: me botaram nisso e eu como vereador tenho que meter a cara realmente. Afinal, sou pago para isso. Agora, eu quero um final feliz para a população. Eu quero botar o tomógrafo para funcionar. O erro aconteceu no passado. Isso é fato. Agora, o que importa para mim é botar esse tomógrafo para funcionar para a população ser beneficiada, para a gente também, porque a gente não sabe o dia de amanhã.

Qual a condição do tomógrafo hoje?

Eu fui lá e observei. O tomógrafo está jogado. Agora nessa nova gestão, colocaram o pallet, mas precisa botar para funcionar.

Quando o tomógrafo chegou ao HSFX?

Foi dada entrada no processo de compra no dia 24 de julho de 2015, quem já estava no poder era o prefeito Weslei. Todo om procedimento de compra foi no governo dele. Par mim foi uma excelente compra. Alguns dizem que com isso vai vir gente de outros lugares, Seropédica, Mangaratiba... isso não é um problema no meu ponto de vista. Hoje nós usamos outros municípios, mais do que justo a gente retribuir isso aí.

O que aconteceu com a obra?

Eu sei te responder exatamente o que você quer ouvir. Mas para preservar a CPI que está em andamento, eu prefiro te dar uma visão, mas não vou aprofundar, porque eu não quero tomar decisões e falar coisas precipitadas. Porque eu tenho mais pessoas para serem ouvidas e elas são de extrema necessidade para a gente concluir com êxito essa CPI. Foi feita a licitação para construção e instalação do ambiente para colocação do tomógrafo, mas a construção não foi realizada.

Quantas vezes o senhor visitou a obra?

Eu fui lá umas 15 vezes. A secretaria atual de Obras fez um relatório e se você tiver oportunidade de ir à sala, você vai ver que é triste. Eu não estou aqui acusando ninguém. Nem é o meu papel, mas é muito triste. O que eu vi lá é tudo inacabado, jogado, parte elétrica, portas... precisa de um especialista em radiação. Precisa de um piso especial, que não pode ter rejunte para não ter vazamento. O procedimento é muito delicado e técnico. As fotos que eu tenho aqui e que vou anexar no processo são fotos bem diferentes daquilo que algumas pessoas vêm me dizendo. Dizem que estava feito isso e aquilo. A minha comissão vai lá e a gente vê o que está feito naquele momento.

Então a empresa responsável pela obra não cumpriu o prometido?

Nós constatamos que o adiantamento feito para essa empresa não deveria ser feito, porque ela apresentou muito menos do que o que ela deveria ter feito com aquele determinado valor.

Quem já foi ouvido?

Já foram ouvidas três pessoas. Vão ser ouvidas mais três pessoas ligadas diretamente à CPI e se for preciso vamos ouvir mais gente, mas pelo que a gente vem obtendo de informação é suficiente. Agora, essas três últimas pessoas é que a gente vai finalizar com chave de ouro. Não é fácil. Me colocaram nisso, eu como parlamentar vejo que duas coisas o munícipe quer na área de saúde: o tomógrafo e que a UPA volte. Já que me colocaram nisso, eu vou cair dentro e quero colocar o tomógrafo para funcionar. Não é minha parte colocar para funcionar, mas eu vou articular junto ao secretário de Saúde, com o prefeito para que isso venha a ocorrer. Porque é uma covardia, um desperdício tremendo com o dinheiro público esse tomógrafo ficar parado lá.

O senhor disse que já está articulando. Que prazo deram para que o tomógrafo esteja instalado no hospital?

Vou te falar qual é o problema todo: a partir do momento que eu faço um contrato com uma empresa e ela não prestou o serviço, eu não posso chegar e romper o contrato com ela. Tem que ser levado para o tribunal de contas ou tem que se entrar na justiça para derrubar esse contrato. Eu já estou vendo com a procuradoria da prefeitura, vou conversar com o prefeito novamente para a gente ver uma maneira, porque já se passaram dez meses. Essa CPI é fundamental para a gente dar início a outro processo para finalização dessa obra e instalação do tomógrafo

Em que “pé” está a CPI?

Hoje eu já tenho as informações que eu necessito. Valor, empresa. Agora estamos nos trâmites finais. Vamos ouvir essas pessoas no dia 11 de novembro e pretendo, no dia 30 de novembro, finalizar essa CPI, mas eu quero antes disso estar em link com a atual gestão, porque eu preciso botar esse tomógrafo para funcionar. Não é função da CPI. A função dela é fiscalizar, verificar, investigar o que houve, mas eu, como parlamentar, vou ficar em cima dessa instalação.

Vou perguntar mais uma vez: o senhor pode falar os nomes das pessoas que já foram ouvidas?

Nós ouvimos o atual secretário de saúde, o diretor atual do hospital, o antigo secretário de saúde, Edison Hara e mais duas pessoas que convocamos, que mais pra a frente eu vou falar o nome. O dono da empresa vai ser a última pessoa a ser ouvida.

Pelo que o senhor averiguou até o momento, o senhor pode dizer se houve má gestão do dinheiro público na obra?

Então, é uma pergunta até muito boa. A má gestão... esse tomógrafo era para ter sido instalado desde fevereiro. Mas essa não é uma obra fácil. A empresa tem que ter gabarito. Não adianta pegar uma empresa pequena, que não tenha engenheiro na área de radioatividade, que não tenha técnicos para verificar. Tem que ter experiência com isso. Então, a coisa não é mole não. A reforma e instalação não são coisas para principiante. Não estou dizendo que a empresa não tenha capacidade para isso. Não conheço, não ouvi ainda. Eu também não tenho capacidade técnica para falar que a empresa não tem capacidade, mas o que a comissão vem estudando e analisando é que o procedimento exige muita cautela. Hoje a gente tem um elefante branco que deveria estar servindo à sociedade. Uns falam que não vale a pena instalar, porque é melhor pagar fora. Para mim, tem que instalar. Tem que ter tomógrafo, mamógrafo, ressonância, ultra, tem que ter tudo.

Quando o senhor fala elefante branco, quer dizer que houve má gestão do dinheiro público?

Isso aí é óbvio. É a maior tristeza. Você vê aquelas caixas imensas com o que poderia estar sendo usando para salvar vidas. Hoje aquilo lá está parado.

Por que essa CPI está demorando?

Ela foi publicada no dia 28 ou 29 de junho, a partir daí eu tenho 120 dias para iniciar os trabalhos. Mas até para iniciar os trabalhos é difícil. Você pegar informações não é mole. Não há demora, porque o RI dá o prazo de 120 dias. Eu pedi prorrogação, mas estou dentro do prazo.

O senhor atribui a demora na conclusão do processo às dificuldades peculiares ao processo ou ao fato da comissão ser formada por vereadores em primeiro mandato? Ou às duas coisas?

Eu acho que o primeiro mandato foi a melhor opção, porque a gente está com vontade de aprender, aprender da maneira correta. A gente vai para campo. O que o pessoal antigo diz é que nunca houve uma CPI tão bem realizada como essa. Porque a gente vai para campo, agente tenta achar o que tem que ser feito. A experiência é muito boa, mas a vontade de fazer funcionar tem a sua validade. Eu aprendo. Vou ali no Kifer, no Genildo.

Já observei que o senhor fica tendo “aula particular” com o procurador durante a sessão. Estou certa ou a observação não faz sentido?

Então, todos nós somos alunos da vida. Já li o RI duas ou três vezes, mas existem algumas coisas mais técnicas que eu não entendo. Eu sou formado em matemática, então eu procuro os vereadores que são formados em direito e o procurador. Onde eu vejo que tem uma dupla interpretação, eu estou sempre pedindo explicações, para quando eu for fazer alguma coisa, ter embasamento legal. A vida é um aprendizado. Eu sou matemático, sempre fui concurseiro. Passei para engenharia química da Rural, passei para PRF, passei para oficial do Corpo de Bombeiros, passei para sargento da Aeronáutica. De vez em quando o Willian fala sobre tal artigo e quando eu não estou entendendo do jeito que ele está entendendo eu pergunto ao procurador. Eu estou sempre ali pedindo auxílio. Não é ter aula, porque não pago ao Ademilson para isso. A gente podia deixar rolar, mas não.

 Qual é sua função, sem ser vereador?

Eu sou especialista em peças de avião e helicóptero. Eu sou militar, mas agora me aposentei, porque nas Forças Armadas não pode retornar depois que você entra para um cargo eletivo. Eu tive que me aposentar precocemente. Eu não queria porque tinha umas patentes que eu queria ainda, mas foi uma opção minha. A gente é um eterno aluno.

O senhor falou que tinha ambições na carreira militar. Por que se candidatou a vereador?

Porque nós somos seres humanos e cada dia que a gente acorda, a gente acorda com um pensamento diferente, com um sonho diferente, com uma vontade diferente. Eu tive duas pessoas da minha família que foram prefeitos aqui na década de 1920. Hoje eu tenho um primo que é prefeito de Mangaratiba e tenho o Aramis Brito, que é meu primo também. Deve estar no sangue. O militarismo também está no meu sangue, a vontade de fazer o correto. Foi um sonho que ficou para trás. Mas também ser vereador é um sonho sendo realizado. Espero eu que no futuro eu possa ter feito alguma coisa, deixado algum legado para o município.

Quais as maiores dificuldades?

Se a eleição fosse hoje, eu não sei se viria. Está muito difícil para os vereadores. Ah, vereador da base aliada o outro bloco... isso ali é tudo ali em cima. No plenário é uma coisa, fora do plenário é outra coisa. Ali, a porrada canta. Saiu dali, fechou a portinha, é diferente. Eu não sou assim. Então... eu pensei que ia ser um pouco mais fácil, mas não é. A gente não realiza as tarefas quando a gente quer. É quando se pode realizar. É quando a lei permite realizar. A lei das licitações é uma lei bem rígida.

O senhor disse que pretende encerrar a CPI no dia 30 de novembro. Mas para o tomógrafo entrar em funcionamento será preciso uma nova licitação. Qual será o seu papel de fazer com que o Executivo realize essa licitação?

Meu trabalho vai ser estar ali insistentemente. Que essa nova empresa seja contratada o mais rápido possível dentro da lei das licitações e vou estar abraçando isso. Não quero abraçar uma bola de chumbo e ir para o fundo do mar. Me colocaram nisso, ninguém queria. Eu não vejo um vereador vir aqui para oferecer auxílio.

Quando o senhor pediu prorrogação do prazo em plenário, nenhum vereador questionou. Por quê?

Aí, a senhora já tira a devida conclusão. Bater na gente no plenário é mole. Eu não gosto de ficar falando em plenário. Eu prefiro fazer valer. Eu quero que a coisa funcione. Não vem um vereador aqui. Também, não é papel deles. Eu que sou o presidente da CPI. Como eu sei que esse processo da nova licitação vai demorar um pouquinho, eu vou tentar adiantar o máximo. Eu tenho certeza de que no final, a gente vai sair vitorioso com a instalação e funcionamento do tomógrafo.

O senhor acredita que no meio de 2018 o tomógrafo vai estar funcionando?

Poxa, seria um grande presente o município de Itaguaí, em seu aniversário de 200 anos, ter o tomógrafo funcionando. A minha vontade não prevalece. Eu necessito que o prefeito abra essa licitação, que exija rapidez no processo de construção. Eu vou estar lutando. Eu acho que a gente tem que pensar muito antes de comprar algo. Eu estava conversando com o secretário de Saúde e perguntei sobre a tomografia. O município realiza 100 tomografias por mês, em média, e o município paga o preço SUS, que gira em torno de R$ 200, R$ 100. 100 tomografias dá R$ 20 mil. Com esse tomógrafo funcionando, com médico neurologista, técnico, com energia, com materiais, gastaria dez vezes mais. Ou seja, algo que o município pagaria R$ 20 mil por mês, a gente acredita, com um cálculo superficial, que vai pular para R$ 200 mil. Vamos elevar em 1.000% o nosso gasto num período que a gente não poderia estar fazendo. Mas como compramos, temos que instalar.

Então o senhor acha que há uma campanha para manter o tomógrafo encaixotado por conta dos gastos?

Perfeitamente. Tem gente fazendo campanha, querendo me convencer.

Tem gente do Executivo?

É gente de todo lugar. Médicos, pessoas mais entendidas do que eu que falam que não vale a pena. Mas eu acho que o município tem que ter um tomógrafo. O município tem que se virar. Não tem que ter só o tomógrafo não. Tem que ter todos os exames. Tem que ter salas? Que se construam mais salas. Tem que construir outro hospital? Que se construa outro hospital. Eu não gosto de ficar falando do governo passado. O passado acabou. Todo mundo sabe o que nós pegamos de dívida, o que nós temos hoje, sabe a condição da prefeitura hoje. Arrecadou R$ 31 milhões, já chegou a arrecadar quase R$ 70 milhões por mês. Hoje arrecada R$ 31 milhões. Mas tem que fazer. Comprou, vai fazer o quê com o aparelho? Já está há dois anos parado. Vai ficar mais dois anos? Vou fazer minha CPI. Se eu ver que não vai ter frutos, que vai ser largado de mão, eu vou te chamar e vou ter uma conversa com você e dizer o que eu pude fazer. Mas pelo que eu pude sentir da nova gestão, é que é questão de honra colocar para funcionar. E é questão de honra para mim também, já que me colocaram nessa CPI e eu vou estar batalhando para isso.

Dilceia Norberto

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