Nov 17, 2017 Last Updated 5:46 PM, Nov 17, 2017

Urgências urgentíssimas na Câmara de Itaguaí

Genildo Gandra questiona sobre mais uma matéria com pedido de urgência Genildo Gandra questiona sobre mais uma matéria com pedido de urgência FOTO CLEITON BEZERRA
Publicado em Poder
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MAIS UMA Outra vez a urgência tomou conta das discussões da sessão da Câmara Municipal de Itaguaí. Basta os expedientes recebidos serem lidos que o debate começa. Para a base, é a normalidade conveniente ao governo e ela está ali para cumprir. Para os suprapartidários, é uma forma de aprovar matérias sem que todos tenham o devido conhecimento daquilo em que estão votando.

Na noite desta terça-feira (17), a matéria enviada pelo Poder Executivo era de desconhecimento até dos governistas. Quando o vereador Genildo Gandra (PDT) pediu que o líder falasse sobre o que tratava a lei, Sandro da Hermínio (PT do B) afirmou que a matéria entrou e ele não teve tempo de ver. Soa como um escarnio quando o que se espera de um parlamentar é que ele saiba, pelo menos, no que vota. Mas isso não tem acontecido na Câmara de Itaguaí. A base aliada é bastante orquestrada e fica nítido que pouco se quer saber sobre matérias. O importante tem sido garantir a governabilidade. E os aliados têm sido eficientes pelo menos nisso. Não se sabe a que custo para a população.

“Do que trata a matéria? Do que a matéria está tratando? Eu gostaria que a matéria fosse lida na íntegra. Eu quero saber o que está sendo votado. Eu não consegui entender até agora. Eu gostaria de um esclarecimento”, pediu Gandra, sendo seguido por André Amorim (PR). A oposição reclamou. Contra isso, o líder do governo afirmou que não havia qualquer importância em se aprovar as urgências das matérias, já que os oposicionistas estão freando os projetos com requerimentos de informação.

Para ilustrar a situação, Sandro leu perguntas de um requerimento de informação feito pela CCJR sobre uma lei que dispõe sobre o não pagamento de benefícios, como passagem e alimentação a servidores.  Ele considerou a pergunta irrelevante e óbvia, chegando a dizer que aquela pergunta até o filho dele de dez anos responderia. “São perguntas que só servem para travar as matérias e mais nada. O meio que se tem para travar matéria é o requerimento de informação”, afirmou o líder do governo.

Para o pedetista Gandra, o requerimento de informação é um direito do vereador e que deve ser respeitado por todos. “Aqui ninguém está brincando. O prefeito acha que isso aqui é um puxadinho da prefeitura? Eu afirmo que não é. Pelo menos enquanto eu for vereador, isso aqui vai ser um poder. Isso aqui é o Poder Legislativo. O prefeito não gosta de responder a questionamentos do vereador. Ele se sente ofendido em o vereador cumprir a sua função de legislador e fiscalizador”.

Após algumas discussões, o vereador Zezé (PRTB) subiu à tribuna e deu a dica: “É melhor tirar, porque a matéria precisa de nove vereadores para ser aprovada. Se colocar em votação vai perder”. O vereador Waldemar Ávila (PHS) também disse que era melhor tirar da pauta e para cutucar os parlamentares da base, disse que o prefeito havia colocado a todos em uma grande ‘saia justa’.

No entanto, enquanto Waldemar falava, o procurador da Casa, Ademilson Costa, ao lado do presidente, Dr. Rubem Ribeiro (PTN), contabilizou os edis presentes e balançou a cabeça afirmativamente, como quem dizia que a matéria tinha como ser aprovada. Assim, o presidente fez as vezes de líder do governo e explicou sobre o que tratava a lei em questão. Com isso, mais do que de pressa, colocou a matéria em votação e ajudou a aprova-la. Contando com o voto do presidente, foram os nove votos necessários, contra cinco. O ‘puxadinho reinou’.

Dilceia Norberto

 

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