Oct 21, 2017 Last Updated 3:21 PM, Oct 20, 2017

Desempregados lotam sessão e pressionam vereadores mais uma vez em Itaguaí

Depois de realizarem concentração e protesto na Praça Barão de Tefé, desempregados fizeram fila para assistir à sessão da Câmara Depois de realizarem concentração e protesto na Praça Barão de Tefé, desempregados fizeram fila para assistir à sessão da Câmara CLEITON BEZERRA
Publicado em Poder
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TRABALHO Com a Casa lotada, a sessão desta terça-feira (26) da Câmara de Municipal de Itaguaí só não foi tão longa como nos últimos meses, porque o vereador Noel da SOS (PT do B) sofreu um acidente em seu gabinete e em solidariedade ao colega, a assembleia foi encerrada mais cedo. Mas não sem antes a aprovação de uma extensa série de matérias, oriundas do Poder Executivo, em caráter de urgência e alguma discussão em torno disso. A sessão foi marcada também pela presença de desempregados itaguaienses, que esperam dos edis da cidade alguma providência para minimizar os danos da crise do emprego.

Os trabalhadores começaram a se reunir já pela manhã e compareceram, em comissão, à Câmara para tratar sobre o assunto com alguns vereadores. Durante a noite, mais numerosos, os desempregados foram a sessão e tentaram marcar com os vereadores uma audiência para melhorar a Lei 3.510, que determina que as empresas instaladas na cidade contratem um percentual de 70% de munícipes.

“O que estamos reivindicando é a documentação para que a lei seja cumprida. Isso não está acontecendo. Nós queremos um documento sobre a lei e nós, do Sindicato da Construção civil (Sintracon), vamos rodar cada empresa com esse documento na mão e exigir que contrate trabalhadores de Itaguaí. Não temos nada contra trabalhadores de fora, mas a prioridade tem que ser para trabalhadores de Itaguaí”, disse o diretor do Sintracon, Átila Dudu.

Outro trabalhador que justificou a presença na Câmara para cobrar a fiscalização do cumprimento da lei, foi o metalúrgico Sidney Mineiro. “Queremos que essa lei seja cumprida não apenas na área da construção civil, mas na área de metalurgia também. As empresas alegam que os trabalhadores daqui não têm qualificação para trabalhar nessa área. Mas a CSA foi uma escola e hoje nós temos um Senai e um Cefet dentro da cidade que dá cursos para esses profissionais. Então nós temos esses profissionais na cidade e nós estamos lutando para que as empresas comecem a colocar pessoas daqui. Ficamos sabendo que uma empresa da área de metalurgia contratou 15 pessoas agora e apenas uma é daqui do Rio. Mora em Santa Cruz. Os outros são de fora do estado. Isso é um absurdo”, concluiu o metalúrgico.

Após a descoberta do acidente do vereador Noel, houve uma correria. Ele foi encontrado desmaiado em seu gabinete bastante ensanguentado com uma crise de hipoglicemia. Na queda, ele teria deslocado o obro e sofrido cortes na cabeça e no queixo. O parlamentar foi levado para o hospital, acompanhado do colega Dr. Zóia (PSD). A sessão foi interrompida por alguns minutos e na volta, o líder do governo colocou uma leva de matérias para serem aprovadas em caráter de urgência. As críticas dos suprapartidários vieram e, fazendo o papel de líder de governo, o vereador Zezé (PRTB) usou a tribuna. “Já que o líder do governo não falou nada, me deixe falar uma coisa”, disse. Assim, colocou as justificativas do governo para enviar as matérias em caráter de urgência. Aproveitou a ocasião também para rasgar uma seda dos membros da CCJR e da CFOCPC.

Apesar das discussões, o rolo compressor passou e as matérias foram aprovadas pelos governistas.

Trabalho da imprensa

O papel da imprensa nos dias atuais é informar a população de todos os acontecimentos que afligem a sociedade, sendo um valioso instrumento de utilidade pública, cumprindo um relevante papel social, conscientizando a sociedade de seus direitos e deveres e resgatando assim a cidadania de cada indivíduo através da informação.

Por isso, ao contrário do que o presidente da Casa, Dr. Rubem Ribeiro (PTN), falou em relação à cobertura que o Jornal Atual fez do acidente e do socorro prestado ao vereador Noel – de que a questão estaria na capa do jornal de hoje (27) – a matéria não foi para a capa. Um vereador passar mal no horário da sessão, mesmo que seja em seu gabinete, é notícia sim e o jornal deve cobrir, exercendo o papel da imprensa. Mas vale destacar que expor uma pessoa num momento de vulnerabilidade física não é o principal assunto, quando leis importantes estão sendo votadas e aprovadas a toque de caixa.

Cercear o trabalho da imprensa, como aconteceu quando o repórter do ATUAL fazia fotos do socorro prestado ao vereador Noel, deve ser repudiado pela sociedade. O assessor de um vereador chegou a xingar o repórter no momento em que este fazia seu trabalho. Apesar disso, a imprensa fez o seu papel, com ética e seriedade. Bastante diferente de como uns e outros exercem suas funções.

Dilceia Norberto

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