Dec 17, 2017 Last Updated 2:11 PM, Dec 15, 2017

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Desempregados protestam e Haroldo de Jesus fala como nunca

Publicado em Poder
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O novato usou a tribuna para rebater um colega da base e defender o pai, que é secretário de Desenvolvimento

A VOZ Tudo levava a crer que a sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Itaguaí, da noite desta terça-feira (19), seria como as outras: longas discussões sobre pedidos de urgência para matérias do Executivo, desacordo entre os edis sobre o Regimento Interno e rolo compressor. Tudo isso aconteceu, mas um protesto de desempregados itaguaienses, cobrando dos vereadores que cobrassem das empresas que empregassem mais munícipes, deu um outro tom à assembleia. E até o impensado, o inesperado, o inédito aconteceu: o vereador Haroldo de Jesus (PSDB) tomou a tribuna e falou.

Muitos falaram. No caso do vereador Haroldo, ele usou a tribuna para defender a honra do pai. Ao defender que a lei de sua autoria – que trata da obrigatoriedade de que as empresas instaladas em Itaguaí empregue 70% de mão de obra local – o vereador Eliazer Lage Bento, o Zezé (PRTB) pediu que o, “pai de vossa excelência”, se dirigindo ao vereador do PSDB fiscalizasse as empresas para saber se elas estão de fato cumprindo a lei. A solicitação é pertinente, já que o pai, no caso, é o secretário de Desenvolvimento Econômico e Social, Beto da Reta.

Haroldo de Jesus não gostou muito das solicitações do colega. Partiu para a tribuna e disse que da forma como Zezé falava, parecia que o pai tinha benefício por não fiscalizar. “Não é o caso”, disse o filho em defesa da honra do pai. “Primeiro, quando o senhor fala ‘pai de vossa excelência’ parece que tem algum vínculo. Mas o meu mandato é totalmente independente do dele. Parece que tem algum vínculo. E segundo, parece que ele está levando alguma contrapartida. Acho que deve haver uma força tarefa da Câmara, junto ao prefeito, e todos nós cobrarmos”, disse. O jovem do PSDB ainda lembrou os problemas de governos passados e disse que o que o pai mais quer “é a empregabilidade no município”, concluiu em nome do pai.

O vereador Zezé se desculpou. Mas ficou claro que assim como todos foram apanhados de surpresa, ele também foi. Ninguém esperava que um vereador, que nunca fala, usasse a tribuna para, justamente, entrar num embate com um colega da base. Novos ventos. Só espera-se que não sejam como os do furacão Maria.

DESABAFO

Toda a discussão veio à tona depois que o vereador Gil Torres (PTN), que tem sido criticado por emitir cartas de apresentação para que pessoas que procuram empregos levem às empresas, elogiou o protesto pacífico dos desempregados presentes à sessão. Logo, o protesto deixou de ser calmo e se transformou num imenso desabafo de quem está sem trabalho e acha que os vereadores, em quem votaram, fazem muito pouco por seus eleitores.

A plateia tomou o discurso e o presidente da Casa, Dr. Rubem Ribeiro (PTN) interrompeu a sessão por dez minutos. Na volta, Gil Torres se defendeu de ataques que estaria sofrendo nas redes sociais. Mencionou o ofício da ICN enviado ao seu gabinete e chegou a sugerir uma CPI para investigar as empresas que mais devem à prefeitura.

Além da sugestão de CPI e força tarefa, durante a sessão surgiu outra. O vereador Ivanzinho (PSB) propôs que a Casa realize uma audiência pública para convocar todas as grandes empresas e que elas exponham o porquê de não cumprirem a lei municipal e empregar mão de obra local.

Os manifestantes protestaram mais uma vez e cobraram mais ação dos edis. Prometeram encher a Casa na próxima sessão e pediram que os parlamentares deixassem de ‘enrolação’. Cenário: desempregados em nítido estado de saturação.

Dilceia Norberto

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