Nov 19, 2017 Last Updated 5:46 PM, Nov 17, 2017

Pela obediência, base vota contra próprio voto

Apesar da presença do presidente e do vice-presidente da Aciapi, o líder do governo se manteve irredutível e base manteve veto Apesar da presença do presidente e do vice-presidente da Aciapi, o líder do governo se manteve irredutível e base manteve veto FOTOS CLEITON BEZERRA
Publicado em Poder
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Apesar de lei do alvará ter sido aprovada por unanimidade, vereadores mantiveram veto de Charlinho

CONTROVÉRSIAS Noite longa a de terça-feira (22). Especialmente na Câmara Municipal de Itaguaí. Com casa cheia e votações polêmicas, a agitação começou antes mesmo do início da sessão ordinária. A líder sindical, Cristiane Gerardo afirmou ter sido ameaçada por pessoas da base de apoio de um dos vereadores. Mas o mais marcante ainda estava por vir: quando parlamentares votaram contra seus próprios votos, como no caso da lei que trata da renovação automática do alvará de funcionamento, a instalação de um órgão de defesa do consumidor e o estado de calamidade financeira.

Não adiantou a pressão da plateia, a presença do presidente e do vice-presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropastoril de Itaguaí (Aciapi), nem o apelo do vereador André Amorim (PR), que parece ter levado os edis à reflexão por um instante. Tudo indica que o que vale mesmo, como já proferido pelos vereadores Carlos Kifer (PP) e Zezé (PRTB), é o governo. Se o governo determinar, assim fará a Casa.

Foi assim que a Câmara manteve o veto à Lei 3.489 de abril de 2017, que beneficiaria inúmeros empresários e que poderia acarretar na diminuição do desemprego na cidade. Aprovada por unanimidade, os vereadores mudaram de opinião diante da orquestração do prefeito Charlinho (PMDB). O líder do governo, Sandro da Hermínio (PC do B), tentou argumentar, mas acabou em situação desconfortável por ter seus argumentos rebatidos pelo relator do parecer da CCJR, André Amorim, que considerou o veto inconstitucional e disse que os argumentos do líder não justificavam a decisão do prefeito .

“O que eu vejo hoje nessa Casa, e com grande tristeza, é que aparentemente a opinião de 12 vereadores mudou. Não quero acreditar, vereador Sandro, que como empresário, o senhor acredite no que acabou de falar. Eu sou empresário nessa cidade e a empresa da qual eu sou sócio tem o CNPJ aqui há 44 anos. Então, eu peço aqui um pouquinho de reflexão porque nossas decisões atingem diretamente 120 mil pessoas. Nossas decisões atingem as nossas empresas, que dão emprego para pessoas que estão aqui e lá fora e que não são servidores públicos e atingem as que são servidoras também. Pois se a prefeitura não arrecada, não tem dinheiro para pagar ao servidor. Essa decisão talvez seja a mais importante que essa Casa já tomou até hoje”, apelou André Amorim.

Apelo em vão. Apesar de oito vereadores serem empresários e terem parabenizado o autor da lei do alvará, Waldemar Ávila, à época da aprovação da matéria na Casa, a base de apoio ficou de pé. Assim foi também durante a votação do parecer contrário ao veto do Executivo ao projeto de lei que cria o Órgão Municipal de Defesa do Consumidor. O rolo compressor também aprovou o Decreto nº 4.200, de janeiro. Embora o parecer da CCJR tenha sido contrário por temer exonerações de servidores e o não cumprimento da meta da Lei de Responsabilidade Fiscal, os vereadores fizeram ouvidos moucos, apelaram à democracia e fizeram mais esse mimo ao prefeito.

Por volta das 21h, como faltavam inúmeros pareceres a serem votados, o vereador Willian Cezar (PSB) solicitou que a sessão fosse prorrogada por mais três horas. Assim, a assembleia seguiu noite a dentro. Até o fechamento desta edição, a sessão não havia terminado.

O líder do governo, Sandro da Hermínio, se mostrou incomodado ao ter seus argumentos rebatidos pelo relator da CCJR, André Amorim

 

Dilceia Norberto

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