Nov 19, 2017 Last Updated 5:46 PM, Nov 17, 2017

Desabafo de servidor expõe situação das ambulância

Publicado em Poder
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Dilceia Norberto

 

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SUCATA Na semana em que a sessão ordinária da Câmara Municipal de Itaguaí já havia sido suspensa porque alguns vereadores consideraram ter havido falta de respeito ao Regimento Interno e se retiraram da sessão, servidores se manifestaram fortemente durante a sessão. Uma voz se sobressaiu e mudou o lado das atenções em plena assembleia parlamentar. Após homenagem feita por um vereador, o condutor de ambulância, Carlos Leandro da Silva dos Santos, casado, pai de dois filhos e bacharel em Direito fez um desabafo. Sua revolta se deu por conta das péssimas condições de trabalho pelas quais passam todos os servidores do município, inclusive sua categoria. Carlos conversou com o ATUAL e revelou o raio X da situação.

JA - Qual a sua função?

Sou motorista de ambulância desde 1º de abril de 2004. Eu fui o primeiro colocado no concurso.

Como o Vereador Carlos Zóia foi o primeiro a prejudicar a categoria de vocês, como você disse durante a sessão?

Esse senhor Zóia foi o primeiro a nos prejudicar, porque ele tentou nos coagir dentro da sala dele dizendo que estávamos atrapalhando o trabalho, que ele ia verificar as questões de diárias, mas nunca viu nada. Eu perdi o controle lá dentro (durante a sessão), porque o Zóia, que foi o pior diretor que o HMSFX já teve, quis pegar carona na fala de um vereador que estava tentando valorizar os profissionais.

Qual é a situação da categoria?

Somos coagidos a andar com ambulâncias sem manutenção prévia. Eu trabalho aqui há quase 14 anos e nunca vi trocar um óleo de uma viatura aqui no tempo correto. O que eles fazem? Deixam a viatura rodando com aquele óleo. Sabe-se que a cada 10 mil quilômetros rodados, de qualquer carro, tem que trocar o óleo.  Eles não fazem isso. Eles deixam a viatura rodando com aquele óleo, que vai ficando grosso e eles só vão completando. Com isso, cria-se uma pasta no motor. Com isso, o motor quebra e é onde eles têm o ganho deles, por conta dos vários conchavos com oficinas.

Vocês rebem diárias?

Existe uma série de deveres e uma série de direitos. Com base no nosso estatuto temos direito à diária. Se você sai do município e fica mais de cinco horas, isso te dá direito a uma diária, que acho que equivale a 80 Uferitas, como se chama aqui em Itaguaí e equivale a cerca de R$ 200. Eles nunca nos pagaram isso e vinham com o ‘cala boca’ de R$ 50 para alimentação. Agora, você vai para Paraíba do Sul, por exemplo, com um técnico de enfermagem – detalhe que eles só pagam para o motorista porque o motorista reclama – você vai com esse outro profissional e vai deixar o colega com fome? Não. Então, como é que você vai sair de manhã cedo e voltar tarde da noite, como aconteceu muitas vezes, só com esses R$ 50? Quando tinha, porque sempre foi preciso brigar muito.

Qual a situação das ambulâncias na cidade?

Só há uma ambulância no município. No hospital só há uma ambulância rodando e mesmo assim, ela já foi para a oficina três ou quatro vezes nos últimos 15 dias. Cada hora ela quabra uma coisa. E tentaram culpar um colega e instaurar um processo administrativo contra ele, alegando que ele foi quem escangalhou a viatura.

Nenhuma ambulância no município, seja da Samu, seja do hospital, nenhuma tem condições de rodar, a começar pela documentação. Aqui é o único município no Brasil onde as viaturas da Samu não têm placa. Isso é um absurdo. Além disso, as viaturas estão com freio ruim, pneu ruim. Falta gaze, luva, colar cervical, head bloc (imobilizador de cabeça), prancha.

Há várias viaturas sucateadas. Eles tiram peças de uma e vão colocando em outra. Vai chegar um dia que não vai ter nenhuma. E o pior é que tem van de vereador que, de comum acordo com o prefeito, roda levando pacientes para fazerem hemodiálise. Enquanto isso, as ambulâncias vão ficando sucateadas.

Como vocês acham que fica a população nessa situação?

A gente tenta ver o lado da população também. A maioria dos motoristas também é morador do município e agente vê que tem amigos, parentes, vizinhos que necessitam dessas ambulâncias e por isso, a gente não para os carros. Não é pensando em prefeito ou vereador, é pensando na população.

Você não tem medo de se expor?

 

Eu acredito que vou sofrer perseguições, porque essa é a maneira de eles trabalharem. Mas a gente tem sangue nas veias e a gente não aguenta mais.