Aug 23, 2017 Last Updated 4:06 PM, Aug 23, 2017

Alexandre Valle justifica voto pró-Temer

Alexandre Valle justifica voto pró-Temer FOTO WELINGTON CAMPOS
Publicado em Poder
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Em entrevista exclusiva, o deputado federal falou sobre o seu voto a favor do presidente e sobre a conjuntura econômica e política do país

WELINGTON CAMPOS

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Com exclusividade, o deputado Alexandre Valle (PR) falou sobre o seu voto para o arquivamento da denúncia contra o presidente Michel Temer, durante a sessão da Câmara dos Deputados na última quarta-feira (2).  O deputado recebeu a equipe de reportagem no último sábado (5), em sua residência em Itaguaí. O parlamentar aproveitou para falar sobre as conjunturas econômica e política do país, enfatizando o que espera após a suspensão do prosseguimento da denúncia contra o presidente Michel Temer.  

Alexandre Valle agradeceu a oportunidade da entrevista, uma vez que, segundo ele, foi bastante massacrado nas redes sociais após seu voto a favor do presidente Temer. O deputado iniciou a entrevista dizendo que é a favor do fim do foro privilegiado. “Os cidadãos brasileiros são todos iguais perante a lei. Não é porque sou deputado que tenho que ter o foro. Assim como também não é porque o Temer é o presidente que ele tem que ter foro. Antigamente, o deputado para ser investigado tinha que ter autorização da Câmara, como foi feito com o presidente. Porém, essa prerrogativa caiu e acho que é importante que não tenha ela. Mas no caso do presidente da República, também sou a favor do fim do foro privilegiado para todas as instâncias: deputados, prefeitos, juízes, desembarcadores e ministros”, explicou o deputado.

Confira alguns trechos da entrevista com Alexandre Valle. O vídeo com a entrevista completa está disponível no site e no Facebook do Jornal ATUAL.

INVESTIGAÇÃO

O processo contra o presidente da República não acabou. Ele (Temer) deixa de ser investigado nesse momento pelo Supremo Tribunal Federal e será investigado a partir do dia 1º de janeiro de 2019, em primeira estância, pelo juiz Sérgio Moro, provavelmente.

OPOSIÇÃO A TEMER

A oposição faz o papel dela. O importante é deixar claro que não era um processo de impeachment, era uma autorização para que seguisse nesse momento a investigação. Automaticamente, o presidente seria licenciado por 180 dias. E quem assumiria era o presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia, a quem quero parabenizar pelo gesto de estadista que teve. Porque qualquer político neste país almeja ser presidente da República. O deputado Rodrigo Maia teve a oportunidade de articular a saída do presidente Temer, mas assim não fez. Ele não fez pensando no Brasil. Nosso país hoje tem 14 milhões de desempregados.

ELEIÇÕES DIRETAS

Quero deixar claro que nós somos um país democrático e vivemos sob a Constituição Federal. Não existe artifício jurídico para que neste momento se tenha eleições diretas. Eu sou a favor, se possível, que tenha eleições gerais. Porém, não há essa prerrogativa legal. Não há a condição de existir uma intervenção federal. Aqui não é uma Venezuela! O Brasil lutou por tanto tempo por uma democracia e, talvez, não tivesse preparado para ela. Porque na hora de votar, o que a gente tem assistido por aí são políticos envolvidos efetivamente com corrupção, condenados pela Justiça e se elegendo.

O VOTO

Não tenha dúvida de que votei a favor do arquivamento da denúncia contra o presidente pensando na conjuntura econômica que o país e o estado do Rio de Janeiro vivem. Você não pode trocar um presidente da República como se troca de roupa. Quero deixar claro que não sou fã do presidente Temer, nem tampouco do PMDB. Não faço parte de grupo, nem de esquema político e não estou envolvido em desvio de dinheiro público. Acho que o presidente Temer e qualquer outro político nesse país precisam ser investigados e, se culpados, condenados.

CONJUNTURA

O país está vivendo o pior momento da sua história econômica, financeira e político. Tirar o presidente Temer e colocar interinamente o deputado Rodrigo Maia para daqui a 180 dias, se fosse o caso, ter uma eleição indireta em fevereiro, e uma nova eleição em outubro, não tem como. A nossa posição foi para o bem do país e da política.  

ITAGUAÍ E REGIÃO

A gente anda pela nossa cidade e se depara com vários comércios fechando as portas e as empresas indo embora. Itaguaí e região nunca tiveram índices tão altos de criminalidade e de desemprego. Desafio alguém mostrar um parlamentar que viabilizou mais recursos para Itaguaí do que eu. As pessoas, às vezes, confundem o papel de um deputado federal, deputado estadual, vereador e prefeito.

EMBATES POLÍTICOS

 

Eu tenho trabalhado incansavelmente por Itaguaí, Seropédica e Mangaratiba. Recebo em meu gabinete, em média, de três a cinco prefeitos por semana. A gente vem lutando pelo estado do Rio de Janeiro. Lamentavelmente, não posso fazer mais por Itaguaí porque não tenho sintonia com o governo municipal, e não é só comigo como parlamentar. As questões das eleições precisam ficar na eleição. Essa cidade tem um deputado federal, um deputado estadual e um prefeito. Os embates políticos precisam ficar no período de eleição. O prefeito sequer procurou a bancada política para colocar recursos aqui. Eu coloco recursos porque tenho compromisso com a cidade. Várias questões precisam ser resolvidas. E podem ser resolvidas. O que está faltando é o papel do poder público municipal que não age como agente político. E com esses embates quem acaba pagando o pato é a população.