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O drama das pessoas que vivem nas ruas em Itaguaí

A FALTA de emprego é uma das razões alegadas por quem vive na condição de população de rua em Itaguaí A FALTA de emprego é uma das razões alegadas por quem vive na condição de população de rua em Itaguaí FOTO CLEITON BEZERRA
Publicado em Cotidiano
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Abrigo oferecido pela prefeitura só tem capacidade para receber seis pessoas por noite

 

É cada vez maior o número de pessoas que mora nas ruas de Itaguaí. Nas praças e esquinas do Centro da cidade é possível ver pessoas dormindo nas calçadas. Muitas delas passaram a viver nessa situação por causa de problemas familiares, vícios e falta de oportunidades de trabalho. A reportagem do ATUAL foi às ruas conhecer um pouco da realidade dessas pessoas, algumas delas avessas ao contato. Depois, procurou a Secretaria Municipal de Assistência Social, para saber quantas pessoas vivem hoje na condição de moradores de rua em Itaguaí. Contudo, o órgão não quis se pronunciar sob a alegação de que a contagem oficial mais recente foi feita durante a gestão anterior. Ou seja, mesmo após dez meses ainda não houve um censo para quantificar a população de rua na cidade.

Entre os que aceitaram conversar com o ATUAL está Sergio Dario, um argentino de 55 anos, que mora na rua desde que foi abandonado pela mulher, há dois anos. Ele conta que chegou ao Brasil de carona, após passar por outros países. “Nunca andei de avião. Mas já estive no Paraguai e Uruguai, de barco e caminhão”, conta o imigrante, que tem uma filha de 18 anos, com quem mantém pouco contato. “A gente se fala às vezes, por telefone. Como ela mora em uma quitinete, com o filho, atrás da casa da avó materna, fica complicado para eu ficar lá.”, desabafa o andarilho, que diz já ter trabalhado em uma multinacional, no Paraguai, onde processava soja que era exportada para a Itália. “Ganhei muito dinheiro lá”, relembra ele, que admite ter problemas com o alcoolismo.

A situação é parecida com a vivida por Sirnei Leite Costa, de 32 anos, que veio de São Luís, no Maranhão, a trabalho. Quando a firma em que prestava serviço faliu, ele passou a morar na rua. “Não quero voltar para minha terra nessas condições. Tenho um filho lá. Quando as coisas melhorarem, quem sabe?”, revela o pedreiro, que diz ter uma promessa de emprego para o próximo ano. “Sofri um acidente grave e precisei fazer uma cirurgia. Isso me impediu de trabalhar. Agora, em 2018, as coisas vão melhorar”, sonha ele.

 

A população de rua não é composta só de homens. A sergipana Bianca de Souza Valadão, de 39 anos, vive na rua há sete meses, ao lado do companheiro, que preferiu não se identificar. O casal se conheceu na esquina da Rua Paraguai, no Centro de Itaguaí. Desempregada, ela, que tem experiência com vendas, só pretende voltar ao mercado de trabalho após o namorado também conseguir uma oportunidade. “Para mim, até aparece alguma coisa, mas para ele é mais complicado, por conta dos vícios com bebida e drogas. Só saio daqui junto com ele”, diz Bianca, que morava com a irmã no bairro de Santa Cruz. “Só tenho essa irmã de parente aqui no Rio de Janeiro. Depois que a gente se desentendeu vim parar na rua”, conta ela.

 

 Ações Sociais

O Centro de Suporte Especializado em Assistência Social (CSEAS) de Itaguaí tinha capacidade de atender cerca de 20 usuários, mas devido à falta de recursos e à péssima condição da estrutura do prédio atualmente só recebe seis pessoas por noite. E mesmo assim, nem sempre a população de rua busca ajuda, segundo Sérgio Oliveira, coordenador do CSEAS. “Nossos usurários são andarilhos. A demanda é espontânea. Nosso papel é trabalhar a autonomia e o desejo deles.”

Sérgio Oliveira explica que os moradores de rua podem entrar e sair quando quiserem do CSEAS e que a unidade fica aberta de sete da noite às sete da manhã. No local, além de cama limpa para dormir, os usuários têm direito a comida e banho. O abrigo fica na Rua Antônio Maurício, nº 20, no Centro de Itaguaí.

 

Quando a fome ou o frio apertam a ajuda não vem apenas do governo. Igrejas da região se mobilizam em torno de ações sociais destinadas a ajudar à população de rua. Grupos se revezam para oferecer o básico, além do suporte espiritual. “Eles trazem comida, roupas e cobertores para a gente. O desejo da prefeitura é que a gente suma daqui”, desabafa um dos moradores de rua. 

 

 

 

CLEITON BEZERRA

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RENATA PIRES

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Última modificação em Quarta, 22 Novembro 2017 11:15