Sep 21, 2017 Last Updated 6:30 PM, Sep 21, 2017
 
 
 
 
 

ENTREVISTA: professor Ricardo Luiz Louro Berbara, novo reitor da UFRuralRJ

O REITOR Ricardo Berbara recebeu o ATUAL em seu gabinete  O REITOR Ricardo Berbara recebeu o ATUAL em seu gabinete  FOTO CLEITON BEZERRA
Publicado em Cotidiano
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“É na crise que o papel da Universidade se engrandece” - Reitor de uma das mais prestigiadas instituições educacionais do país, novo reitor da UFRuralRJ diz que pretende fazer das parcerias um caminho para melhorar a vida da região

RENATO REIS
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O Conselho Universitário da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro programou para a terça-feira (11) a cerimônia de transmissão do cargo de reitor, quando a professora Ana Maria Dantas Soares dará lugar ao sucessor Ricardo Luiz Louro Berbara, que vai exercê-lo até 2021. Com isso, o novo reitor terá chegado ao posto máximo na hierarquia acadêmica da instituição na qual ingressou como estudante de Agronomia, há 37 anos. Especialista em solos, o professor Berbara venceu uma disputa apertada, definida em dois turnos. Proclamado o resultado, ele iniciou uma cruzada junto com assessores com o objetivo de fazer um diagnóstico econômico-financeiro de um mega complexo que reúne 15 mil alunos de graduação presencial, dois mil que fazem formação à distancia e 1,5 mil que cursam pós-graduação. Para atender a todo esse batalhão, a UFRuralRJ dispõe de um corpo docente com 1,1 mil professores e perto de dois mil técnicos administrativos. Envolvido nos estudos com base nos quais pretende montar a espinha dorsal de sua gestão, o professor Ricardo Berbara encontrou um tempo para conceder a entrevista que segue ao ATUAL. Ciente doas dificuldades que vai passar a enfrentar, especialmente nestes momentos de múltiplas crises, o novo reitor não titubeia. “É na crise que o papel da Universidade se engrandece”, sentencia. 

 

 

ATUAL – O senhor já teve tempo de pensar na sua vitória e nas responsabilidades que vão decorrer dela?

Reitor Ricardo Berbara – Tenho um diagnóstico de que o ensino público vive uma crise bastante séria, com recursos cada vez menores. A nossa eleição nasceu com o objetivo de aumentar a eficiência da universidade para ela enfrentar bem uma conjuntura tão adversa. Estamos convictos que vamos sofrer, mas estamos preparados para enfrentar os desafios.

 

O que o senhor pretende fazer para garantir os recursos financeiros que lhe permitam cumprir esse papel?

Vamos otimizar os cursos. A Universidade é cara, por isso temos que aumentar a sua eficiência. Outra iniciativa é captar recursos junto às agências de fomento, como a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), por exemplo. Vamos explorar a Lei da Inovação Tecnológica, que permite parcerias para obtermos recursos privados, bem como as empresas do Sistema S. São parceiros estratégicos para a gente. Outra forma são as incubadoras de empresas, as empresas júnior, que têm um papel importante de divulgar a Universidade e captar recursos. 

 

Já há algum projeto em vista?

Temos o projeto de um parque tecnológico, para atrair empresas que geram tecnologia. Temos até uma área reservada. Por meio de isenção fiscal que vão receber, vamos estimular as empresas a se instalarem.

 

Já houve tempo para o senhor ter em mãos um diagnóstico da situação da UFRuralRJ?

Já estamos fazendo isso há muitos meses, desde a campanha. Mas agora temos informações que não tínhamos antes, vendo indicadores orçamentários para enfrentar essa conjuntura tão adversa. 

 

Preliminarmente, que setores mais necessitam de atenção?

O primeiro diz respeito à manutenção da equipe de terceirizados. Precisamos manter essa força. Temos que melhorar as condições de vida para a comunidade universitária, elevar a responsabilidade com a vida, trazer segurança, cultura. Temos ainda que fornecer melhores estruturas acadêmicas, salas, laboratórios, biblioteca. Vamos estabelecer parcerias com empresas, as prefeituras, com entidades do terceiro setor, para a Universidade poder levar adiante os seus projetos.

 

Seropédica vive às voltas com problemas decorrentes do funcionamento do Centro de Tratamento de Resíduos Santa Rosa. A UFRuralRJ pretende se envolver nessa questão?

Temos que junto com a prefeitura monitorar esse complexo para evitar danos ambientais, como também acontece na linha férrea, em que vagões circulam sem proteção, deslocando poluentes para os entornos habitados. É importante ainda monitorar a qualidade da água e dos peixes na Baia de Sepetiba e na Baía da Ilha Grande.

 

Apesar das dificuldades, a UFRuralRJ é uma das mais prestigiadas instituições do país, não é?

É uma das mais prestigiadas e uma das mais antigas do Brasil. Temos reconhecimento nacional e internacional. Temos uma forte tradição rural, mas hoje avançamos muito nas áreas de conhecimento em ciências humanas e sociais. Cerca de 80% dos nossos professores têm doutorado, uma média alta se comparada a de outras instituições no país. Abrigamos aqui alunos de vários países da América Latina e da África, em especial os africanos oriundos de países em que se fala a língua portuguesa.

 

Há também avanços tecnológicos significativos...

Temos vários experimentos, como a fazenda orgânica, com 25 hectares, fruto de parceria com a Embrapa e a Pesagro. Temos ainda estudos na área de química verde sustentável, projetos de energia, tecnologia de alimentos, além de diversos projetos na área de estudos sociais. Temos uma sólida parceria com a Petrobras, gerando tecnologia para a perfuração de poços em grandes profundidades.

 

Como fazer para esse conhecimento se transforme na melhoria da qualidade de vida de uma região em que ainda há muita carência?

A própria fazenda orgânica é alvo de visitas de agricultores que levam nossas experiências às suas propriedades. Temos ainda o desenvolvimento de princípios ativos na área de farmácia para o controle de doenças.

 

Vivemos uma época de turbulências políticas, sobressaltos econômicos e muita convulsão social. Qual o papel da Universidade nesse contexto?

É um papel crítico em seus professores, intelectuais, atuam criticamente em processos que geram desequilíbrio ético. Atuam buscando sustentabilidade, desenvolvimento social e sustentabilidade ambiental. Dentro dessa perspectiva, ela deve ser um importante ator nos grandes debates nacionais.

 

O senhor considera a Universidade convenientemente preparada para exercer esse papel?

Mais do que nunca. É na crise que o papel da Universidade se engrandece, mostra seu compromisso com a democracia, o desenvolvimento social e com o meio ambiente.

 

O que o senhor gostaria que a comunidade local soubesse nesses seus primeiros momentos como reitor de uma das mais importantes universidades do país?

Gostaria de saudar a população de Seropédica, Itaguaí, da Zona Oeste, da Costa Verde, e colocar a nossa instituição como parceira das prefeituras, com projetos focados na região. Queremos agregar as forças da pesca e da agricultura para gerar impactos da melhor forma possível para a região. 

 

Última modificação em Sexta, 07 Abril 2017 12:26