Apr 24, 2017 Last Updated 3:00 AM, Apr 20, 2017

ICN chega à marca de dois anos sem acidentes

Publicado em Cotidiano
Ler 1537 vezes
Avalie este item
(4 votos)

Para o presidente da empresa, o número traduz uma performance de nível internacional

 

Dilceia Norberto
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

RECORDE Um feito memorável. Isso é o que significa os dois anos sem acidentes que a Itaguaí Construções Navais (ICN) conquistou na última semana. Para o sorridente presidente da empresa, o francês Pascal Le Roy, o número é o fruto da implementação de uma cultura de segurança, que visa priorizar o bem estar do integrante da ICN. De acordo com ele, a segurança também não apenas garante que o processo de construção dos submarinos do Prosub (Programa de submarinos da Marinha) alcance maior qualidade e produtividade, como conduz à realização profissional e pessoal de quem trabalha na empresa.

O que significa a marca de dois anos sem acidentes?

A primeira coisa que eu posso dizer é que é um resultado que poucas empresas conseguem atingir. Eu tenho longa experiência de obras na área de construções navais, seja na França ou em outro país e já estou no Brasil há quatro anos e, pessoal, eu nunca vi essa marca. Eu nunca consegui atingir um resultado tão bom.

Como fica se compararmos esse número com números internacionais?

Esse é um resultado de nível internacional, porque a área de construção naval tem obras, por natureza, um pouco perigosas. Há processos muito pesados, movimentação de peças, tem que cortar peças de aço, soldar, eletricidade. São muitas coisas, num pequeno lugar, há muito risco num mesmo lugar. Acho que o fato de fazer dois anos sem acidentes com afastamento é uma performance muito boa.

Quais os acidentes mais comuns?

Na verdade, em termo de risco há duas coisas. Há acidentes menores, mas que podem acontecer com uma frequência maior. No início, nós tivemos problemas com as mãos. As pessoas têm que fazer movimentação de peça e machucaram as mãos, machucaram ao usar as ferramentas. Nós fizemos um programa com a comunicação para trabalhar e conscientizar as pessoas sobre a importância de proteger as mãos. Outra coisa bastante frequente são pessoas que podem tropeçar andando, não precisa nem ser nas oficinas. Pessoas andando na área administrativa, na escada.

E qual o outro tipo de acidente que pode ocorrer?

Outra coisa que é um ponto de atenção muito forte para o presidente e para a diretoria em um estaleiro naval são os levantamentos de uma seção, por exemplo. Há menos probabilidade de acidentes, mas é uma atividade perigosa. São peças muito pesadas e basta uma vez, um acidente, para ser muito traumático. Temos que cuidar muito para que não ocorram acidentes assim, porque teriam consequências muito graves.

Como a ICN alcançou esse número?

O primeiro ponto, é que desde o início a diretoria decidiu que a prioridade seria a segurança. O objetivo sempre foi criar um programa para desenvolver a cultura da segurança. Temos regras. Além de usar os EPI (Equipamentos de Proteção Individual), colocamos na mente das pessoas a cultura da segurança. Isso foi feito há mais de dois anos, quando iniciamos esse programa para conscientizar as pessoas, porque é muito importante.

Que aspecto dessa cultura de segurança é priorizado?

O que é muito importante para mim, é fazer análise de risco. Nós sabemos que o que fazemos tem risco. Essa é a realidade da construção naval, ainda mais um submarino, que é apertado. Por isso a importância de antecipar a preparação do trabalho. Isso significa pensar antes de agir e, se detectando um risco iminente, não fazer. Antes de iniciar alguma coisa, deve sentar e pensar em como você vai fazer, em como vai organizar o trabalho. Essa é a cultura: antecipar a preparação, analisar o risco, ver tudo que pode acontecer e tomar as medidas para que isso não aconteça.

As mesmas medidas são tomadas para a construção de submarinos?

Isso é ainda mais importante num submarino, porque quando você faz uma análise de risco dentro de uma oficina, você tem uma oficina à disposição das máquinas e você faz uma análise de risco para cada máquina da oficina. Uma vez que está feito, você não vai mudar o layout da oficina. No submarino é diferente. Sempre muda, porque você precisa embarcar uma nova seção, um novo equipamento. Então sempre há mudança. Essa análise de risco dever ser feita não só uma vez, mas a cada dia há análise setor por setor, para verificar se o risco que existia não mudou, se há um novo risco. Tudo isso no dia a dia.

A empresa está contratando jovens aprendizes. Como a cultura de segurança é passada para os jovens?

Faz parte da cultura. Cada pessoa que vai trabalhar na ICN tem que atender às regras. Tem que integrar a essa cultura e o jovem também, já faz parte. Eles vão ter um treinamento. Eles não vão trabalhar sozinhos, vão trabalhar com alguém que já tem uma experiência e a cultura vai passar do mais velho para o mais jovem. E o que eu acho interessante é que o jovem vai sair da empresa com a mentalidade da segurança.

Como está o andamento da construção dos submarinos?

O que posso dizer é que já tivemos operações bem importantes na integração do submarino. Para mim, o que é importante é a segurança e por isso, desde o início insistimos nisso. Porque a segurança é importante em si, mas também alavanca muita força para todos os outros assuntos. Pois quando você prepara bem uma operação, você trabalha com mais segurança, com mais qualidade e, como consequência, com maior produtividade. Na verdade, os esforços que são feitos para a segurança, são exatamente os mesmo que vão fazer ganhar nas áreas da qualidade e da produtividade. Isso aparece no produto final e acho que a Marinha está bem satisfeita com o nosso projeto.

Como a cultura da segurança reflete em cada integrante da ICN?

 

A questão da segurança do trabalho dentro de uma empresa tem que ter a filosofia de que o importante é a segurança e a saúde dos integrantes da empresa. Eu já disse isso muitas vezes: Os integrantes são a riqueza de uma empresa como a ICN, porque são eles que têm a competência. E é importante para nós que as pessoas se sintam bem na empresa, mas também quando voltam para casa. Nós temos a filosofia de que o bem estar do integrante deve ser no trabalho, mas também na vida pessoal. O que quero dizer é que é importante cuidar de todos os integrantes e dar a oportunidade de ele se realizar na vida pessoal e na vida profissional.