May 27, 2017 Last Updated 7:40 PM, May 26, 2017

A hora da reconstrução

O SECRETÁRIO Jailson orienta pessoalmente a equipe responsável pela reconstrução das hortas O SECRETÁRIO Jailson orienta pessoalmente a equipe responsável pela reconstrução das hortas FOTO CLEITON BEZERRA
Publicado em Cotidiano
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Interrompidos em meio a gestões conturbadas, projetos da Secretaria de Meio Ambiente de Itaguaí começam a ser retomados

RENATO REIS
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RETORNO Quando deixou a Secretaria de Meio Ambiente (SMA) de Itaguaí, no final de 2012, o então secretário Jailson Barboza Coelho deixou em pleno andamento projetos como o das hortas, que forneciam verduras para escolas e creches; o do biodigestor, que produzia energia a partir das fezes de animais; o dos alimentos biofortificados, em parceria com a Embrapa, por meio do qual eram produzidos batata doce, milho, aipim e feijão. Também eram impulsionados no espaço contíguo à área da Expo o cultivo de peixes e de galinhas. Na época, as cerca de 600 aves que ocupavam os galinheiros do local produziam cerca de dois mil ovos por semana, que igualmente abasteciam as cozinhas de órgão públicos do município. Eram tempos de produtividade, conforme chegou a constatar a reportagem do ATUAL.

Cinco anos depois, Jailson Barboza Coelho está de volta ao cargo vivendo um momento que combina uma dose de amargura e o desejo de superação. É que todos os projetos que ele e sua equipe ergueram durante anos, e que chegaram a ser matéria da estrelada emissora de TV BBC, de Londres, foram completamente devastados. “Foi tudo destruído. Ao todo, encontramos 68 itens depredados. Das 600 galinhas que deixamos, agora só encontramos 70, que mal produzem ovos por falta de ração”, lamenta ele ao receber mais uma vez a reportagem do ATUAL, em meio ao plantio de mudas que voltam a povoar hortas recém-construídas.

Um passeio pelas instalações da Secretaria de Meio Ambiente dá uma ideia exata da hecatombe que se abateu sobre o local num período de cinco anos. Não foi possível encontrar ali um projeto sequer em andamento. Experiências inovadoras que vicejam naquele ambiente, como as do biodigestor, dos aerogeradores e da energia solar foram todas interrompidas. A maior parte das instalações destinadas aos animais foram inutilizadas. Até mesmo um lixão surgiu em parte das dependências do órgão. “Como pode acontecer isso numa área de uma secretaria de meio ambiente”, revolta-se Jailson, ao mostrar um local em que era acumulada toda a espécie de detritos.

O secretário Jailson lidera pessoalmente o esforço para retomar os bons tempos de atividades produtivas no local. Ele está à frente do plantio de mudas para a retomada das hortas. “Daqui a uns 35 dias pretendemos começar a abastecer no mínimo 90% das escolas”, estima ele. Para que isso aconteça, a engrenagem inclui a produção da compostagem que ele obtém do processamento de grama, folhas de coqueiro e assemelhados, que vêm de praças e áreas verdes de órgãos municipais como escolas e postos de saúde. Por outro lado, a SMA já recebeu sinal verde da Embrapa para a retomada do projeto dos alimentos biofortificados. No campo das boas notícias, ele criou o projeto “Jardineiras para Eliminar Lixeiras”, que vai espalhar pneus adaptados em pontos da cidade degradados pelo acúmulo de lixo. Jailson planeja reativar também, no segundo semestre deste ano, os cursos de beneficiamento de pescado. 

 

Diante da degradação que encontrou, Jailson diz que já encaminhou às autoridades competentes denúncias sobre sumiço de peças como a concha de uma retroescavadeira, da qual também foram subtraídos dois pneus. Outro problema encontrado foi a venda de peças a preços irrisórios, o que trouxe sérios prejuízos ao andamento de projetos. Em paralelo, ele já pensa na aquisição de novos equipamentos para retomar iniciativas como o funcionamento do biodigestor. “As crianças recebiam aqui orientações sobre a energia do futuro, do biogás, do vento, e do sol. As crianças não podem ficar sem esses ensinamentos”, diz Jailson, que planeja ainda retomar projetos como a horta de plantas medicinais, a produção de mudas, a recuperação de instalações degradadas e a construção de novos canteiros. A hora, é mesmo, de reconstrução!