Aug 21, 2017 Last Updated 3:17 PM, Aug 21, 2017

Desafios para a melhoria do abastecimento no Dia Mundial da Água

O diretor-geral do Comitê Guandu, Julio Cesar Oliveira, fala sobre o abastecimento de águas na região O diretor-geral do Comitê Guandu, Julio Cesar Oliveira, fala sobre o abastecimento de águas na região FOTO COMITÊ GUANDU
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Comitê Guandu desenvolve projetos e planeja ações a serem executadas até 2025, na Costa Verde e região

CLEITON BEZERRA
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FONTE DE VIDA Sabemos que a água é um recurso essencial para a sobrevivência de todos os seres vivos. Ela atua mantendo nosso corpo hidratado, ajuda no transporte de substâncias, funciona como solvente, regula a nossa temperatura, participa de reações químicas, entre várias outras funções. Hoje (22) é o Dia Mundial da Água, essa data foi criada em 1992 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e visa à ampliação da discussão sobre esse tema tão importante.

Para conversar sobre a temática das águas, o ATUAL entrevistou o diretor-geral do Comitê Guandu, Julio Cesar Oliveira. O Comitê Guandu é um órgão deliberativo, com características de fórum, que reúne a sociedade para discutir iniciativas em favor dos recursos hídricos na Região Hidrográfica II (RH-II), Bacias Hidrográficas dos Rios Guandu, da Guarda e Guandu-Mirim. A sede do órgão fica no município de Seropédica.

Os municípios que fazem parte da RH-II são: Itaguaí, Seropédica, Queimados, Japeri, Paracambi, Engenheiro Paulo de Frontin (totalmente abrangidos), além de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Miguel Pereira, Vassouras, Piraí, Rio Claro, Mangaratiba, Mendes e Barra do Piraí (parcialmente abrangidos).

Um dos objetivos do Comitê na região é a realização de estudos, programas de educação ambiental, de mobilização social, projetos e obras que visam a melhoria da quantidade e qualidade das águas que abastecem habitantes da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e municípios citados anteriormente. Possui uma posição vital num dos maiores sistemas de captação, tratamento e distribuição de água do mundo.

Segue a entrevista com o diretor-geral do Comitê Guandu, Julio Cesar Oliveira:

Como está a questão do abastecimento de águas na região da Costa Verde e nas cidades de Itaguaí, Seropédica, Mangaratiba?

O que eu posso dizer é que existe um planejamento, parte desse planejamento é para atender, principalmente, a Baixada Fluminense. A gente vai pegar o sistema e a demanda com a visão voltada para 2025. Há também previsto algum investimento para essa região, já foram feitas algumas intervenções, mas Itaguaí e a Baixada, como um todo, já estão previstas nessa demanda até 2025, imaginando um cenário de crescimento e desenvolvimento. Vão ser construídos 17 novos reservatórios, vão ser reformados 9, que vão ter uma série de adutoras, por exemplo.

Hoje, como está sendo tocada a questão da conservação e restauração das matas ciliares dos rios na região?

A gente tem um projeto que se chama PSA, tem a parte de saneamento rural, que vai ser lançado para poder implementar ações. A gente tem hoje no município de Rio Claro, desde 2008, no entorno de cinco mil hectares de área de conservação e entorno de 600 hectares de recuperação. Temos também dois projetos, um em: Vassouras, Engenheiro Paulo de Frontin e Mendes, e outro no município de Miguel Pereira. Ou seja, a medida que os municípios vão fazendo a lei municipal sobre o PSA a gente vai englobando algumas áreas de acordo com a preservação das margens ou englobando as situações de nascentes. Esses projetos tem a função de reestabelecer uma cobertura vegetal e que esses pontos, em diferentes municípios, no futuro se conectem através de um corredor. Então, essa é a nossa proposta, dos membros do Comitê Guandu, em relação ao que foi planejado e decidido até 2025.

Pode-se dizer que nos municípios de Itaguaí, Seropédica e Mangaratiba ainda não está sendo executado nenhum projeto nesse sentido?

Está. Só que a gente depende de algumas ações conjuntas com o próprios municípios, ou seja algumas áreas elas também estão contempladas e nós estamos agora, nos próximos 18 meses, desenvolvendo um plano estratégico da Bacia do Guandu. Onde cada município vai participar nas decisões em relação ao que a gente quer implantar na região. Então, vão ter várias reuniões agora no final desse mês para poder fazer com que cada local seja ouvido e corrigir algumas ações que são feitas. Por exemplo, a gente fez o plano de queimadas, que engloba todos os municípios. Nós fizemos o plano de contingência, que é focado para abastecimento e também para todos os mananciais. Então, algumas ações concretas já foram feitas, o que acontece com a gente é que, no atual momento, a gente está tendo problemas de repasse dos recursos e isso está fazendo com que os projetos sofram pequenos intervalos para serem executados. Não existe projeto que seja só para um município, contemplam toda a região hidrográfica II, Itaguaí, Mangaratiba, um pedaço do Rio de Janeiro, ou seja as ações são feitas em função do que se vai conversando em cada localidade. Nós dependemos muito da participação do município.

Em relação a participação dos municípios, quem estaria presente nas reuniões? Os prefeitos, representantes do executivo, do legislativo?

Esses representantes estão normalmente ligados à secretaria de meio ambiente. Mas isso é uma indicação da prefeitura. Inclusive, as prefeituras elas tem um representante na diretoria do Comitê Guandu, que é o Evandro, e existe uma proposta de fazer um novo encontro, entre os prefeitos e secretários de meio ambiente, para discutir as questões principais de cada município.

Existe data para esse encontro entre os representantes do executivo?

A gente deve madurecer essa data, acho que deva ficar no mês de Maio, mas isso depende da agenda de cada secretários e cada prefeito. De certa forma a representação dos municípios ela existe e ela é aberta. Inclusive, com acento na própria diretoria, além da plenária.

Como estão as questões relacionadas ao abastecimento, ao nível das águas, com o aumento do consumo de água na região durante o verão?

Nós tivemos um forte período de estiagem no ano de 2014 e 2015, no ano de 2016 nós implantamos uma nova regra operativa em relação aos reservatórios que abastecem todo o Paraíba do Sul, consequentemente a transposição do Rio Guandu. E os pequenos mananciais também, houve uma melhoria em relação à disponibilidade hídrica, em função da maior precipitação no ano de 2016. O que está se fazendo atualmente é uma proposta de segurança hídrica de forma a estudar todos os cenários existentes em relação à preservação ou a disponibilidade de água, de forma que ao longo do tempo possa estar executando uma intervenção ou outra. Isso no período de 2014 e 2015 já foi em alguns mananciais na região do Paraíba do Sul e na região da Bacia do Guandu também, ou seja ações de pequena intervenção como regularização e melhoria de captação, de forma a conseguir continuar captando água para fim de abastecimento. Mas em alguns lugares a estiagem foi mais acentuada.

Para finalizar gostaria de deixar o espaço aberto para que o senhor, como representante do Comitê Guandu, deixe uma mensagem sobre o Dia Mundial da Água aos moradores das comunidades situadas na área de atuação do órgão.

Que a sociedade tentasse participar mais das decisões que envolvem a área de recursos hídricos e que nós estamos desenvolvendo um planejamento para toda a região da Bacia do Guandu. Visando à preservação da qualidade e da quantidade de água para a melhoria da qualidade de vida da população. Mas isso só é possível se a sociedade civil também puder participar nas decisões que são feitas em cada município.