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Sep 20, 2018 Last Updated 7:44 PM, Sep 19, 2018

Segurança em Itaguaí: dilemas e preocupações

Publicado em Poder
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Diante de uma violência que aterroriza população, deixando-a sob o domínio do medo, entidades tentam reagir para cobrar providências mais contundentes das autoridades

INQUIETAÇÃO A onda de violência que a cada dia alcança novas proporções em Itaguaí, e que nos últimos dias produziu episódios chocantes como a queima de Kombis e vans, na quinta-feira (3), e dois assassinatos em plena manhã, na quarta-feira (4), provocou imediatas e diversas reações. Atônita, a população se calou, especialmente depois que circulou pelas redes sociais uma ameaça de derramamento de sangue caso as pessoas não se recolhessem em suas casas. Por outro lado, parte do comércio, sob a mesma ameaça e, também, em protesto contra o ponto em que a situação chegou na cidade, fechou as portas, aparentando um cima de feriado. Dessa forma, Itaguaí aguarda ansiosa pelas manifestações das autoridades em meio ao desespero e inquietação.

Passado o terror da sexta-feira, entidades começaram a reagir. Na própria sexta-feira, o pastor presidente da I Igreja Batista de Itaguaí anunciou a realização, no sábado (6), de um culto em favor da paz e da segurança na cidade. A Assessoria de Comunicação Social da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) informou, por sua vez, que o presidente em exercício, André Ceciliano (PT) e a presidente da Comissão de Segurança Pública, Martha Rocha (PDT), se reuniriam, na segunda-feira (7), com representantes do município e da segurança, para tratar da crise gerada pela briga entre milicianos e traficantes de Itaguaí. Nesta segunda-feira (7), o ATUAL entrou em contato com a Assessoria de Comunicação Social da Alerj, para saber detalhes sobre o desdobramento do encontro. A reportagem quis saber que autoridades marcaram presença, o que foi tratado no encontro, que eventual decisão seria anunciada e se haveria algum desdobramento da conversa. Como resposta, obteve a informação de que a pedido dos participantes, não foram feitas imagens e nem poderia haver divulgação do teor da conversa, por questões de segurança e para não atrapalhar as investigações da polícia. A assessoria informou ainda que pela Alerj participaram o presidente em exercício, André Ceciliano, e os deputados Martha Rocha e Zaqueu Teixeira; pelo município, o vice-prefeito Abeilard Goulart de Souza Filho, além de representantes do Estado Maior da PM e da cúpula da Polícia Civil.

Na ruas da cidade, a população demonstra acentuado estado de temor, rechaçando contatos com a imprensa e se negando a comentar qualquer assunto relacionado aos recentes episódios de violência. Ontem à noite, uma reunião do Conselho Comunitário de Segurança Pública de Itaguaí se debruçou sobre o tema. Os principais assuntos tratados no encontro estarão relacionados na edição do ATUAL de amanhã.

 

Mudança de delegado em meio à crise

O ATUAL procurou o titular da 50ª DP (Itaguaí) para repercutir  o pânico que se instalou na cidade. Porém, recém-chegado à cidade, o delegado Moisés Santana designou o chefe de investigação, Marcelo Abrantes, para comentar o assunto. Abrantes, por sua vez, disse que acompanhou todo o fato ocorrido no centro de Itaguaí, mas que as investigações estão a cargo da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). “Fomos até o local, colhemos informações com os parentes das vítimas e de testemunhas para ajudar nas investigações”, disse.

Questionado sobre uma investigação paralela da 50ª DP, ele disse que é dever investigar, mas respeitando os limites. “Principalmente nessa guerra entre milícia e tráfico, que é hoje o ponto sensível da cidade, é dever nosso colher informações e investigar tudo o que chega pra gente. Porém, os homicídios ficam a cargo da DHBF”, declarou.

Sobre a determinação para fechar o comércio e para que ninguém estivesse nas ruas, Arantes disse que tudo não passou de boato. “A central de boatos das redes sociais espalhou um áudio, mas a Polícia Militar reforçou o efetivo e nada aconteceu. Não havia necessidade de fechar comércio e se instalar o pânico”, disse. 

Perguntado se uma intervenção federal na cidade seria o caso, Arantes ressaltou que qualquer tipo de ajuda é bem-vinda. “A gente tem um problema grave em Itaguaí por conta do efetivo baixo da Polícia Civil. Intervenção seria ideal com aumento do efetivo das policiais Civil e Militar de Itaguaí”, concluiu. 

Subseção da OAB diz que é exigência cumprir a lei

AO ATUAL, o presidente da Subseção da OAB Itaguaí, Arthur Fraga Oggioni, disse que a posição da OAB é proteger as instituições. Ele afirmou ainda que no âmbito da segurança pública, deve-se cobrar do estado e que isso a seccional já vem fazendo. “Todos os dias a seccional está em cima disso. Você tem direito a segurança. Agora, a sociedade, todas as instituições, principalmente a OAB, estamos cobrando isso, mas como é que você cobra de um estado falido? O estado não te dá resposta”, ponderou Oggioni. “É uma pena dizer isso, mas a gente está enxugando gelo. Todos nós estamos enxugando gelo, isso a nível nacional. Eu, sinceramente, me preocupo muito até onde isso vai, o que vai acontecer no futuro. Agora, estrategicamente, a OAB só pode supervisionar e exigir que a lei seja cumprida. Isso a gente já está fazendo”, destacou.

Oggioni disse ainda que é difícil de classificar a onda de boatos. “É uma coisa difícil de responder. Não sei nem se a autoridade policial tem essa informação, se essa história é verdadeira. Eu recebi um áudio, enviado pela minha vice-presidente, no qual o capitão do batalhão de Queimados estava falando que seria um ‘k ô zap’. Ninguém viu ninguém passar aqui dizendo assim ‘fecha se não vai morrer’, ninguém ouviu isso. Então, acredito que tenha sido que causou esse pânico todo”, finalizou.   

Aciapi destaca que a violência é um problema do país

O presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropastoril de Itaguaí (Aciapi), Marcos Praxedes, falou ao ATUAL sobre o fechamento de lojas, a violência e a morte dos representantes das cooperativas de vans e kombis. “Encaminhamos ofícios à câmara municipal, à prefeitura, ao comandante do 24º BPM (Queimados), ao Comando Geral da PM, ao governador, à 50ª DP (Itaguaí), ou seja, as autoridades foram todas comunicadas. Não deixamos de comunicar ninguém sobre a escalada da violência em Itaguaí”, pontuou.

Praxedes disse que a violência não está restrita ao estado do Rio ou somente a Itaguaí, mas diz respeito a todo o país. “A violência hoje está atingindo o país, por falta, talvez, de um comando central. O problema está em Brasília e vai se espalhando para o Brasil inteiro”, destacou. Para ele, um investimento destinado a reduzir o número de desempregados poderia impactar na diminuição da violência. “Se fosse reduzido o número de desempregados, provavelmente se reduziria também a criminalidade. Pelo fato de muita gente assaltar, roubar, não por querer, mas às vezes é até por necessidade. O cara quer um emprego não tem, mas a família precisa comer, precisa beber. Então, é um cenário que a gente não pode focar só nos assassinatos. Tem que focar num contexto geral”, ressaltou.

Praxedes disse que Itaguaí está longe de ser uma das piores cidades do estado nesse aspecto, apesar das mortes de sexta-feira (4). “Repercutiu porque foi no centro da cidade. Talvez se tivessem assassinado essas pessoas fora do centro de Itaguaí não repercutisse tanto. Agora, como foi aqui na cara do gol, todo mundo viu criou comoção”, disse. O presidente da Aciapi falou ainda sobre o fechamento de lojas. “Você tem que interpretar como um protesto. Como representante da instituição, fui questionado por diversos associados. As lojas foram fechadas como protesto pela insegurança. Porque também não adianta o empresário ficar com a loja aberta se não tem quem vá comprar. Lamentamos o ocorrido, são empresários geradores de emprego na cidade”, finalizou.

CDL diz que situação preocupa

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Itaguaí (CDL), José Ribeiro, lamentou os episódios ocorridos nos últimos dias. Para ele, violência que atinge Itaguaí e todo o estado é preocupante. O presidente da CDL diz que a insegurança não afeta só o dia a dia da população, mas também o comércio local. “A gente sabe que o assassinato de duas pessoas em pleno centro e à luz do dia causa certo pânico na população. Porém, aconselhei todos os associados da CDL a não fecharem as portas. Convidei a todos para participarem da Reunião do Conselho Comunitário de Segurança Pública de Itaguaí, nesta segunda-feira (7). Na reunião, sim, poderemos levar as nossas reivindicações e ouvir das autoridades uma solução”, disse.

Questionado sobre uma intervenção federal no município, José Ribeiro ressaltou que o interventor é que tem a gerência pela segurança de todo o estado. Sobre o protesto de motoristas de transporte alternativa por mais segurança, ele lembrou que todos merecem segurança. “O que deveria ter em Itaguaí é uma opção de transporte para suprir a necessidade da população que precisa e tem o direito de ir e vir”, destacou.

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